A melhor resposta foi dada pelo professor universitário Pedro Santa Clara: "Comprar ações da REN para baixar o preço da eletricidade é como comprar ações da Brisa para baixar o preço dos automóveis”.
Tudo dito.
Quero lá saber se o Montenegro conversou com o Carneiro e o outro sobre o negócio. Isso não tem importância nenhuma para os portugueses, apenas para a ditosa "democracia representativa".
Nas tintas para ela.
Seria muito mais útil para TODOS os portugueses que o ministro "Kim" Morais Sarmento explicasse o negócio.
Montenegro, em apoteose, com orelhas e rabos cortados na faena da Quarteira, anunciou que o governo tinha comprado 13,7% da REN à família Ortega, fora do mercado, por um preço que não revelou.
A fatia valia 324,7 milhões de euros ao fecho da bolsa de sexta-feira.
Deram-se três razões: salvaguardar o interesse estratégico, participar nas decisões de investimento e baixar o preço da energia.
Esta última para rir. Aliás, já somos de novo chacota no estrangeiro pela compra dos 13,7% da REN. Obrigado ao "Kim" e ao Montenegro.
O professor universitário Pedro Santa Clara explica de forma clara esta negociata.
Atente-se.
"A REN teve 159,8 milhões de lucro em 2025.
Os tais 13,7% do "Kim" e do Montenegro são 21,9 milhões.
O país consumiu 53,1 TWh.
Se o Estado abdicasse de todo o lucro que lhe cabe e o devolvesse aos consumidores, daria 0,41 euros por MWh.
Ou seja, uma casa com 3.500 kWh por ano poupava 1,44 euros. Doze cêntimos por mês."
Perceberam a chacota?
Mas há mais, e para pior.
O tal anunciado «bom» negócio é assim apelidado porque rende 4,5% e o Estado se financia a 3%.
Brilhante para enganar tótós.
Na lógica das proposições, para os que estudaram, há o chamado "Princípio da Não Contradição": "uma proposição não pode ser simultaneamente verdadeira e falsa."
É só estudar.
No caso em análise, ou o dinheiro fica no Tesouro e a fatura não desce, ou desce a fatura e não é investimento nenhum.
Tão fácil de entender.
Interesse estratégico?
Mas qual interesse?
Já se esqueceram de que o maior acionista da REN é a State Grid da China, com 25%?
Deixem-se de tretas,
O que se comprou foi uma pequena parcela de uma família espanhola.
Mais um negócio que devia ser bem explicado e tem muitas pontas soltas, como vai acontecendo em muitas negociações que se escondem dos que as pagam: os contribuintes.
