quarta-feira, agosto 19, 2026

Por que quer o Estado voltar à REN?

A melhor resposta foi dada pelo professor universitário Pedro Santa Clara: "Comprar ações da REN para baixar o preço da eletricidade é como comprar ações da Brisa para baixar o preço dos automóveis”.

Tudo dito.

Quero lá saber se o Montenegro conversou com o Carneiro e o outro sobre o negócio. Isso não tem importância nenhuma para os portugueses, apenas para a ditosa "democracia representativa".

Nas tintas para ela.

Seria muito mais útil para TODOS os portugueses que o ministro "Kim" Morais Sarmento explicasse o negócio.

Montenegro, em apoteose, com orelhas e rabos cortados na faena da Quarteira, anunciou que o governo tinha comprado 13,7% da REN à família Ortega, fora do mercado, por um preço que não revelou. 

A fatia valia 324,7 milhões de euros ao fecho da bolsa de sexta-feira. 

Deram-se três razões: salvaguardar o interesse estratégico, participar nas decisões de investimento e baixar o preço da energia. 

Esta última para rir. Aliás, já somos de novo chacota no estrangeiro pela compra dos 13,7% da REN. Obrigado ao "Kim" e ao Montenegro.

O professor universitário Pedro Santa Clara explica de forma clara esta negociata.

Atente-se.

"A REN teve 159,8 milhões de lucro em 2025. 

Os tais 13,7% do "Kim" e do Montenegro são 21,9 milhões. 

O país consumiu 53,1 TWh. 

Se o Estado abdicasse de todo o lucro que lhe cabe e o devolvesse aos consumidores, daria 0,41 euros por MWh. 

Ou seja, uma casa com 3.500 kWh por ano poupava 1,44 euros. Doze cêntimos por mês."

Perceberam a chacota?

Mas há mais, e para pior.

O tal anunciado «bom» negócio é assim apelidado porque rende 4,5% e o Estado se financia a 3%. 

Brilhante para enganar tótós.

Na lógica das proposições, para os que estudaram, há o chamado "Princípio da Não Contradição": "uma proposição não pode ser simultaneamente verdadeira e falsa."

É só estudar.

No caso em análise, ou o dinheiro fica no Tesouro e a fatura não desce, ou desce a fatura e não é investimento nenhum.

Tão fácil de entender. 

Interesse estratégico?

Mas qual interesse? 

Já se esqueceram de que o maior acionista da REN é a State Grid da China, com 25%?

Deixem-se de tretas,

O que se comprou foi uma pequena parcela de uma família espanhola.

Mais um negócio que devia ser bem explicado e tem muitas pontas soltas, como vai acontecendo em muitas negociações que se escondem dos que as pagam: os contribuintes.