Montenegro fez mais um anúncio para tótós.
Fez questão de gritar a plenos pulmões que:
"Tenho uma convicção muito firme de que nós vamos iniciar a recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP. Nós vamos ter um primeiro encaixe com a venda desta percentagem do capital e vamos projetar para o futuro os resultados da empresa, para que os respetivos dividendos possam vir, paulatinamente, a compensar o investimento que lá fizemos."
Mas será que há algum português que acredite em tal presságio?
Analisemos, em primeiro lugar, o montante que está em causa para se perceber a dimensão da mentira.
Em 2020, o Governo de António Costa começou por avançar com um empréstimo de emergência de 1.200 milhões de euros.
Valor que, em conjunto com juros decorridos de 59 milhões, acabaria por ser convertido em capital da companhia aérea.
No âmbito do programa de reestruturação da TAP acordado com Bruxelas, há ainda que somar os 569 milhões em compensações pagas pelo Estado à TAP devido aos danos provocados pela Covid-19 e 1.516 milhões em aumentos de capital.
Tudo somado, são 3.344 milhões de euros.
Será que os valores que a Air France-KLM e a Lufthansa vão bater os tais 3.344 milhões de euros?
Ninguém sabe quanto ofereceram, e nem Montenegro ousa dizer a oferta feita.
Diz que os portugueses vão recuperar "paulatinamente" as verbas que os portugueses investiram na TAP.
Quando?
Século XXX?
Segundo estudos recentes, o valor estimado na venda dos 49% a privatizar permitirá um encaixe do Estado de 1.116 a 1.241 milhões de euros.
Então, e os quase 2.000 milhões em falta, ou seja, os 63% ainda em dívida aos portugueses?
Século XXX.
Mais uma falsa promessa de um Montenegro. Mas ainda nem há eleições marcadas e já se fazem anúncios eleitoralistas de nenhuma credibilidade?
Haja tino na língua, pois ou me engano muito ou os portugueses já perceberam que as papas e os bolos já não enganam os tolos.
Será?
