A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários recusa fornecer os documentos pedidos pelo Ministério Público sobre a venda de uma herdade do Novobanco por parte de um antigo gestor da Lone Star, Volkert Reig Schmidt, à sua própria mulher.
O Schmidt, então quadro do fundo americano que detinha o Novobanco e que geria o vasto património imobiliário do banco português, vendeu a Herdade da Ferraria, junto ao Meco, em 2022, a um grupo de investidores ao qual se juntou mais tarde a sua mulher, Ana Flor Argos, por 1,5 milhão de euros, abaixo das estimativas de especialistas do mercado, que apontavam para valores acima dos dez milhões.
Os procuradores têm “fortes suspeitas” de que o "negócio" tenha lesado não só o banco, mas também o Estado português.
Mas a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários recusa fornecer documentos e o benemérito Tribunal da Relação de Lisboa veio-lhe dar razão com o argumento de que a informação que o Ministério Público pedia “está sujeita a dever de segredo profissional” e “foi obtida fora do exercício das funções em matéria de prevenção e combate ao branqueamento de capitais ou ao financiamento do terrorismo”.
Brilhante acórdão.
Lembrar que o Ministério Público, que em outubro fez buscas no Novobanco e também na KPMG por causa da venda da Herdade da Ferraria, considerou que este caso se insere numa investigação mais ampla sobre “fundadas suspeitas” relativamente à forma como o Novobanco tem negociado e vendido ativos imobiliários “por valores mais baixos do que os registados contabilisticamente ou a indivíduos/entidades com conflitos de interesses”.
Curiosamente, o último administrador do Novo Banco foi António Ramalho, marido da ministra do Trabalho do governo do Montenegro. Coincidências.
Também o Tribunal de Contas concluiu que nem governo, nem Fundo de Resolução, nem banco salvaguardaram o interesse público, enquanto demonstrava os negócios milionários que os fundos internacionais fizeram com o imobiliário comprado a preços de saldos ao Novobanco e revendido a peso de ouro.
E agora, como sempre, prestável "ajudinha" do tribunal. Sempre na defesa dos interesses dos poderosos.
A Bem da Nação.
