Não quero, longe de mim, que os finlandeses venham a sofrer um décimo daquilo que os povos do norte da Europa nos obrigaram a ouvir e a sofrer durante a crise das dívidas soberanas, quando defendiam maior austeridade para os países do sul da Europa.
É só lembrar!
Hoje a Finlândia enfrenta dificuldades para controlar as finanças públicas e recuperar o crescimento. Precisamente aquilo que exigiam aos »pigs» do sul da Europa.
A taxa de desemprego finlandesa já ultrapassa os 10% e a dívida pública aproxima-se dos 90% do PIB, praticamente ao mesmo nível da portuguesa.
O sistema capitalista vive e sobrevive destas crises; é só estudar.
Também na Finlândia se vive a crise da habitação.
As taxas de juro elevadas e a fraca confiança dos consumidores paralisaram parte do mercado imobiliário finlandês.
E agora um aviso sério também para os portugueses.
A pressão sente-se igualmente nos empregos menos qualificados.
Percebe-se a razão de sempre que pudermos falarmos na paupérrima qualificação que vai existir em Portugal. Mas isso a canalha regozija-se, acha que são notas de rodapé.
Imbecis.
A Finlândia vai fazendo o caminho dos fundos europeus, que por cá já são um hábito de empresas e governantes.
O país entrou no início deste ano no procedimento por défice excessivo da União Europeia e terá de reduzir os desequilíbrios até 2028.
Se não o conseguir, poderá enfrentar multas, suspensão de fundos europeus ou novas exigências de consolidação orçamental por parte de Bruxelas.
E as medidas do governo são as habituais.
Programas de cortes no Estado social, reformas laborais e redução dos impostos sobre o rendimento numa tentativa de estimular a atividade económica.
O costumeiro.
Só que os resultados não aparecem.
Já há cidadãos a vegetarem com pouco mais de 200 euros por mês para alimentação e despesas quotidianas.
Depois dos cortes nas ajudas à habitação, o número de pessoas sem casa aumentou quase um terço num ano.
O cenário, não muito diferente do resto da Europa, está a confirmar que a crise está a chegar.
