O senhor Luís Neves é natural de Castelo Branco.
Licenciou-se em direito em 1990 na Universidade Lusíada, universidade privada.
Foi advogado entre 1992 e 1995.
Ingressou na Polícia Judiciária como inspetor em 1995.
Foi Diretor Nacional da Polícia Judiciária desde 2018 até subir ao cargo de Ministro da Administração Interna em 2026, por convite de Montenegro.
Não vou, para já, falar dos muitos casos que marcaram o seu percurso como diretor da Polícia Judiciária.
Outros tempos virão.
Hoje apetece-me falar da sua formação e das suas implicações.
Talvez a formação do licenciado Neves possa explicar o seu desconhecimento da legislação.
Desde logo, algo que se aprende numa universidade credível de Direito, logo nas primeiras aulas, é o princípio de que o desconhecimento da lei não isenta ninguém de culpa. Está consagrado no Artigo 6.º do Código Civil português, que estabelece que a ignorância da lei não justifica a falta do seu cumprimento. Código Civil, senhor Neves.
Não lhe ensinaram, senhor Neves? Estranho, muito estranho.
Também não lhe ensinaram, e logo num curso de Direito, que os titulares de cargos políticos, altos cargos públicos e equiparados em Portugal estão legalmente obrigados a entregar a declaração de rendimentos, património e interesses?
Estranho, senhor Neves.
E o senhor esteve oito anos, não foram oito dias, sem apresentar a declaração.
A não apresentação de tal declaração tem consequências, senhor Neves. Também desconheceu ou fez não conhecer?
Interessou de que maneira a certa elite submissa.
Não arranje álibis falsos e enganadores.
Pode enganar incautos e idiotas, mas alguma parte da população não percebe o seu argumento, vindo de um advogado.
E, por fim, para já, lembrar-lhe que o cargo de Diretor da Polícia Judiciária não lhe dá todos os poderes de pôr e dispor de dono de tudo isto.
Já houve um, mas foi-se. E bastou-se.
Se em tempos, pelo seu modo de atuar, todos o veneravam, lisonjeavam, bajulavam, nomeadamente certa comunicação social que até chegava primeiro aos acontecimentos que os próprios inspetores que o senhor dirigia, isso acabou.
Será que acabou?
A seu tempo!
É que há por aí muitos outros «amigos» enterrados até às orelhas.
A seu tempo. O caminho faz-se caminhando, mas também com tempo.