Finalmente, as tempestades deram tréguas aos portugueses. O nosso protetor, o “anticiclone dos Açores” que tirou férias e foi até às Canárias, possibilitou que as tempestades formadas, principalmente, no Golfo do México, eu vou continuar a chamar-lhe assim, dado não ter havido nenhum acordo, nem ortográfico que fosse, que me obrigue a mudar-lhe o nome. Basta estudar e saber que Américo Vespúcio deu o seu nome a um continente, aproveitando o “achado” de Cristóvão Colombo e não atribuindo nome a país algum.
Mais uma falsa notícia.
Mas deixemos a falsidade e a hipocrisia de Vespúcio e o sonho que levou para o eterno um Colombo que acreditou ter arribado às Índias e voltemos ao contemporâneo. Felizmente, o anticiclone dos Açores parece ter-se deslocado para bem mais próximo do seu poiso normal, protegendo, principalmente, Portugal e Espanha das tempestades atlânticas. Parece. Por que isto das alterações climáticas, que uns imbecis continuam a negar, veio para ficar, que não se duvide. Mas se os fenómenos extremos, como ventos fortes, chuvas e o surgimento da neve que há anos não se via, principalmente pela nossa região, são resultado das alterações climáticas, há no entanto que ter em atenção que a incúria, a inércia, inépcia e o muito favorecimento das autoridades em não haver cuidado em prevenir e muito mais em reagir às intempéries é manifesto.
Todos sabemos que todas as estruturas responsáveis pela realização, fiscalização e manutenção de infraestruturas indispensáveis ao bom funcionamento dos vários serviços que os cidadãos pagam a bem pagar não funcionaram e não funcionam. Quem pode admitir que se permitam construções em leito de rios? Quem pode admitir que se continue a construir estradas sem qualquer segurança e com materiais de péssima qualidade, elevando o risco de acidentes? Elaboram-se planos e mais planos pagos a peso de ouro para depois tudo ficar na mesma. Tretas e mais tretas, conferências de imprensa com conversa fiada e bem orquestradas, onde só falta dizer que a culpa é das populações. Como se pode admitir que, após semanas dos temporais, ainda haja um número elevado de populações sem água, sem eletricidade e sem comunicações? Como é possível existirem locais de trabalho onde a segurança não é levada em conta. Quem fiscaliza? Quem aprova? Quem permite? Mas tudo isto acontece quer em época invernal, mas igualmente no verão, quando os incêndios assolam o território nacional. Nada se prepara atempadamente com planos de ação e atuação definidos, com estruturas bem delineadas, com coordenação e com responsabilidades atribuídas para que não se verifiquem atropelos. A incompetência é generalizada, nada a admirar. A destruição de habitações, edifícios e recheio das mesmas. Que condições têm a maioria das habitações em Portugal? As mais antigas sem condições de habitabilidade e as novas onde a fiscalização de toda a espécie não existe. E os estabelecimentos comerciais destruídos, bem como os produtos comercializáveis. Prejuízos e mais prejuízos. Apoios? Que apoios? As moratórias? Suspensão dos pagamento de prestações de crédito por uns meses e depois com aplicação dos juros os valores aumentam desmesuradamente. Novos créditos de muito valor. Com que garantias para serem pagas? Até a isenção das portagens das áreas mais fustigadas já acabaram. Milhares de cidadãos sem eletricidade e só os que têm meios financeiros conseguem adquirir geradores. As unidades de produção com prejuízos elevadíssimos, que põem em risco a sua viabilidade futura e os postos de trabalho. Fala-se de milhões e milhões de euros para recuperar tudo. Sem esquecer as outras atividades, como a agricultura e a pesca. Um colapso total que trouxe à tona todas as imbecilidades que foram realizadas ao longo dos anos.
Há culpados, é preciso dizê-lo com toda a frontalidade. Há dramas humanos de uma grandeza extrema, lembrem-se. Depois dizem que ninguém fica para trás. Só conversa da treta. Há vidas que vão ter que ser reconstruidas. Como? Não se pode atribuir as culpas apenas e tão só aos fenómenos meteorológicos. E, eis que um governo decretou o fim do estado de calamidade. Como é possível? Nós, cá pela Guarda, devido à posição altaneira, vamos, salvo raras exceções, escapando a inundações, se bem que há elevados prejuízos a nível da queda de muros.
Mas, apesar da muita água que vai existindo, o executivo camarário não se coibiu de aumentar o custo da mesma. Nada a estranhar quando as despesas aumentam de forma exorbitante e as receitas são poucas.
Mas, para além dos aumentos, eis que surge a notícia de que a Polícia Judiciária teria realizado um conjunto de buscas a três empresas do norte do país, à biblioteca municipal da Guarda e à própria câmara, tendo como objetivo a recolha de elementos de prova, no âmbito de um inquérito instaurado por participação económica em negócio e prevaricação de titular de cargo político, como é referido em comunicado da própria Polícia Judiciária.
Ora, em simultâneo com esta notícia, o site oficial da Câmara Municipal da Guarda e da Biblioteca ficaram fora de serviço. Não é possível acessar os sites. Para além do lacónico comunicado da Polícia Judiciária e da ineficiência da comunicação do presidente da câmara, os munícipes nada sabem. Dizem que houve um ataque informático. Só afetaram os sites da câmara e da biblioteca municipal, logo aqueles visados nas buscas? Os munícipes deviam ser devidamente informados do que está a acontecer. Foi a Polícia Judiciária que bloqueou os sites? Foi um hacker? Houve acesso a ficheiros que foram adulterados, roubados? Importa esclarecer para se evitarem especulações. Mas parece que nada disso importa à folia do carnaval. Só perceções? Esclareçam, pois os cidadãos têm o direito de tudo saber. Ou não será?
Tenham uma excelente semana.












