terça-feira, outubro 06, 2026

Paguem o que devem

 A Banca ainda deve 70% dos 30 mil milhões de euros das ajudas dos contribuintes.

Imagine que tinha uma dívida qualquer à agiotagem.

Comunicação imediata ao tutor dos agiotas, o Banco de Portugal, o seu nome arrastado pelas quelhas e passadiços de lama da canalha.

Lembrar aos mais distraídos que já passaram mais de duas décadas desde a crise financeira. 

Até final de 2025, foram injetados 30 mil milhões de euros, tendo sido recuperados 8,9 mil milhões. 

Lembrar que o que falta pagar pela agiotagem é quase tanto quanto o valor do Plano de Recuperação e Resiliência, o pacote de verbas a fundo perdido e empréstimos, que terminou este ano.

Imagine-se a grandeza da dívida.

Lembrar que o minorca do Banco Português de Negócios (BPN), um pequeno banco privado que se veio a revelar um enorme buraco financeiro, ainda deve 5,8 mil milhões de euros da ajuda total de que beneficiou.

Mas há mais agiotas a deverem aos contribuintes, nomeadamente Banco Espírito Santo/Novo Banco e o BANIF - Banco Internacional do Funchal.

Lembrar os apoios generosos que a agiotagem recebeu dos sucessivos governos desde 2008 em nome da "estabilidade do sistema financeiro". 

Andaram a jogar nos casinos e os contribuintes portugueses continuam a ver navios.

Importa frisar que muito dinheiro público vertido sobre os agiotas serviu também para tapar buracos gigantescos nos balanços e pilhas de crédito malparado, fruto de negócios ruinosos, de crimes como associação criminosa, corrupção ativa, burla qualificada, manipulação de mercado e branqueamento de capitais, segundo os muitos processos judiciais que correram e ainda correm.

Todos com a prescrição à vista, obviamente.

Ter atenção de que muito do valor devido a acionistas e clientes simplesmente desapareceu, magia, e o que sobra assenta em garantias e ativos que pouco valem ou que desvalorizaram brutalmente, havendo dúvidas sobre se os quase 21 mil milhões de euros agora contabilizados pelo Tribunal de Contas alguma vez serão devolvidos na íntegra aos contribuintes.

Esqueçam, pois nunca mais o voltarão a chamá-lo «seu».

Em resumo, segundo parecer do Conselho das Finanças Públicas, assinalou-se que existe um "risco orçamental" relacionado com as dívidas deixadas pela agiotagem, com "potencial impacto adverso" para os contribuintes: a eventual ativação de uma provisão de 630 milhões de euros.

Segundo parecer do Conselho das Finanças Públicas, o BES/NB tinha ainda 93% do apoio orçamental por saldar;

O segundo pior caso é o do BPN, do qual ainda falta ressarcir aos portugueses 91% do apoio concedido;

O terceiro mais atrasado é o universo BANIF, que falta pagar 85% aos portugueses.

É fartar vilanagem.

Acrescentar que os cinco maiores bancos a operar em Portugal (CGD, BCP, Santander, BPI e Novo Banco) registaram um lucro conjunto de cerca de 13,9 milhões de euros por dia no primeiro semestre de 2026.

Paguem o que devem.




Afundanço

 O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, extinguiu o grupo de reflexão sobre a fraude no uso de fundos europeus. 

Razão?

Fim da execução do Plano de Recuperação e Resiliência em Portugal e à saída de várias entidades públicas com responsabilidades na gestão e controlo de fundos europeus.

Amadeu Guerra fala ainda de falta de "impacto direto significativo" das atividades do grupo no funcionamento das estruturas do Ministério Público que se dedicam a investigar e combater a criminalidade económico-financeira, nomeadamente o Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

Importa dizer que a opinião do senhor Amadeu não é consensual, nem na procuradoria e muito menos fora dela.

A procuradora Ana Carla Almeida alerta que medidas adotadas pelo governo para acelerar a execução de fundos europeus vão aumentar risco de irregularidades e fraude. Diz que o Plano de Recuperação e Resiliência tinha “fragilidades” e alerta que apenas é conhecida “a ponta do iceberg” sobre fraude com dinheiro europeu.

Percebeu, senhor Amadeu? Nós percebemos, e muito bem.

Lembrar ao senhor Amadeu que o Organismo Europeu de Luta Antifraude recebeu mais de 2.300 comunicações de irregularidades relacionadas com a PAC e com os fundos comunitários do PT2020. 

Destas, 67 envolviam suspeitas de fraudes e verbas no valor de 47,4 milhões de euros.

Coisa pouca não é, senhor Amadeu?

Tudo esclarecido.

Só conhecida a ponta do iceberg, mas o Titanic foi ao charco. 




Queda

 O governo de esquerda, se assim se podem definir certas forças políticas, está a escancarar as portas do poder à direita.

Com a dissolução do parlamento na Espanha e a convocação de eleições antecipadas, a direita, toda ela, tem fortes hipóteses de ascender ao poder.

As causas de tal ascensão são sempre as habituais. O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Não se aprende ou não se quer aprender, e quem sofre são as classes sociais que nunca decidem nada, apenas lhes pedem um papel numa urna. Sim, há luta de classes, por muito que a elite evite tal proposição, mas a luta é sempre desigual e em territórios de nenhum interesse para os mais frágeis. E essa elite, com roupagens democráticas de esquerda, comete os maiores atropelos à transparência e dá o flanco à direita. Corrupções, políticas que não respondem aos interesses legítimos dos mais fracos, que só beneficiam a própria elite, seus correlegionários e os patrocinadores endinheirados. O mesmo de sempre.

O povo assiste, incrédulo, umas vezes, e outras vinga-se nas eleições. Sabe que, com a direita, tudo será pior. 

Vingança. 

Por falta de conhecimento e lavagens ao cérebro, deixaram de acreditar na utopia. Os tempos vão ser duros, conjugados com crises de todo o tipo e feitio. Liberdades, garantias e direitos já foram. O tempo da primazia do social, guarda-chuva de tanta solidariedade e diluição da pobreza, acabou.

Voltam os agiotas e o primado do mercado, que tudo vai controlar. Até o teu descanso eles o querem. 

Acreditar em falsários só podia dar nisto.




E a França ainda é "Liberdade, Igualdade e Fraternidade"?

França está a viver o terceiro dia nacional de mobilização estudantil, numa jornada que junta estudantes, professores, sindicatos e, em algumas escolas, também pais.

O que começou como uma contestação às condições do ensino transformou-se, entretanto, num dos primeiros grandes focos de tensão da atual campanha eleitoral. 

Os estudantes protestam contra a falta de professores e funcionários, as condições de alguns estabelecimentos, a dimensão das turmas e as dificuldades de acesso ao ensino superior. 

Onde é que eu já vi isto?

Só que o «português é suave». Demasiado suave.

Mas, na França, as manifestações passaram também a refletir um descontentamento mais amplo com as condições de vida, a pobreza, as desigualdades e as restrições à despesa pública.

Onde é que eu já vi um povo que só sabe obedecer?




segunda-feira, outubro 05, 2026

Lê e compreende.

 


Mas quando é que o povo abre os olhos?

 


Dia Mundial do professor.

 


Concordo

Felizmente, ainda há cidadãos com responsabilidades na Justiça em quem se pode confiar.

A presidente do Tribunal de Contas admite recorrer ao Tribunal Constitucional caso sejam mantidas na reforma da instituição normas que considera inconstitucionais e o Presidente da República não peça a fiscalização preventiva do diploma.

Aplaudo com as duas mãos.

Uma das principais alterações propostas pelo governo é o aumento para 10 milhões de euros do limiar a partir do qual os contratos ficam sujeitos a fiscalização prévia, o que, segundo o executivo, elimina mais de 90% dos atuais vistos prévios.

Os contratos superiores a 950 mil euros terão, ainda assim, de ser obrigatoriamente comunicados ao Tribunal de Contas para efeitos de fiscalização concomitante e sucessiva, mesmo quando estejam dispensados de visto prévio.

Para quê? Apenas ilusionismo?

Sobre o fim do visto prévio, Filipa Urbano Calvão defendeu que a “crença de que, agilizando os procedimentos da Administração Pública”, vai ser possível “garantir a eficácia da prossecução do interesse público e das finanças públicas está por demonstrar”.

Para Filipa Urbano Calvão, o valor dos contratos não deve, contudo, ser o único critério para determinar a necessidade de fiscalização prévia, sobretudo quando estão em causa investimentos com efeitos que se prolongam para gerações futuras.

A presidente do Tribunal de Contas defende ainda que, retirando-se um mecanismo de controlo preventivo, devem existir instrumentos que permitam ao tribunal atuar de forma corretiva e não apenas por meio de recomendações, incluindo a possibilidade de travar uma obra que esteja a ser executada em desconformidade com a lei.

Quanto à demora dos processos, apontada pelo governo como um dos argumentos para alterar o modelo de fiscalização, Filipa Urbano Calvão afirmou que o tempo médio de resposta do tribunal é de cerca de um mês e meio e rejeitou responsabilidades pelos atrasos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência.

Em concordância absoluta com tudo o que a presidente do Tribunal de Contas referiu.

Deixem-se de canalhices para enganar idiotas.



Mais e mais incompetência

 E o regabofe, ao juntar-se à incompetência, resulta em falência total do sistema.

Destruídas pelas tempestades, há sete estradas em obras e só quatro abrem até o fim do ano.

E a maior imbecilidade é que há ligações em Manteigas e Tabuaço que o governo não sabe o que fazer.

Mas o que faz um Pinto Luz? Sombra?

Marquem um Conselho de ministros para as localidades.

Vão de autocarro, com os pés de fora, a cantarem a «chula».

Inaugurarem placas como se a obra estivesse concluída, e o povinho, na sua santa ignorância, acredita na tramóia, deita foguetes, bate palmas e há fotografias para a posteridade.

E o bispo benze a placa com água, se houver; se não, pode ser com vinho.



Crime

Ficar com milhões de euros que deviam ter sido entregues aos cidadãos que sofreram com fogos em Odemira e Arganil e com as cheias de 2022 é CRIME.

Quem o denuncia foi o Tribunal de Contas, o tal tribunal que a canalha quer longe e largo de tudo, nomeadamente dos concursos com valor inferior a 10 milhões de euros, que ficariam isentos da fiscalização prévia do tribunal se a proposta do governo vier a ser aprovada.

Pelo que aconteceu, imaginem o que por aí virá sem a tal fiscalização prévia. 

Um regabofe completo.



Nojenta governança

Milhões de euros em subsídios de emergência que estavam previstos para famílias afetadas por incêndios e cheias entre 2022 e 2025 ficaram por entregar aos beneficiários.

Dizem, para aliviar a porca das consciências, que as causas estão em atrasos burocráticos e falhas na regulamentação pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social. 

Lembrar que os apoios destinavam-se, em parte, à alimentação e alojamento.

Mas apoios, por exemplo, a governantes com casas em Lisboa, mas que pediram subsídios de alojamento, não houve, não há, atrasos burocráticos.

Na hora.

Que nojo de governança. 




sábado, outubro 03, 2026

Só mentiras

Inaugurações e mais inaugurações. 

Repete-se o folclore para imbecil acreditar. 

Há meses que foi anunciado; agora a ministra veio inaugurar. 

Não havia mais nada a fazer nem a apresentar. 

Mais uma placa para a fotografia do álbum das anedotas. 

Um aparelho sem licença de utilização. 

Tudo para fingir. 

Siga a festa que o povo paga.




O "Conselho de ministros" na Guarda teve de tudo.

Até uma viagem a Ciudad Rodrigo.

Comprar caramelos? Qual quê?

Gasolina.

O resto foi feira promovida por aquele que, além de piscina, tem um golf.




quinta-feira, outubro 01, 2026

Nojento

Enquanto os portugueses lutam arduamente pela sobrevivência, um primeiro-ministro fala de futebolês. 

Nojo.