terça-feira, setembro 15, 2026

Idiotas

Faltam professores e há alunos colocados a mais de 60 km de casa, no ensino básico, e a solução encontrada pelo Alexandre e o seu ministério e acólitos foi aumentar o número de alunos por turma. Já que aumentar o número de turmas é manifestamente impossível. Falta espaço, professores e restantes profissionais.

Brilhante, senhor Alexandre, e restante quadrilheiros.

Se já era difícil com vinte e tantos, trinta e tantos alunos motivá-los, imagine-se com perto de 40 alunos.

O caos generalizado.

Qual professor, por mais bem preparado que esteja, com aulas bem estruturadas, consegue, com tantos alunos, elaborar planos individuais de recuperação? Já nem falo em atividades de enriquecimento curricular, pois é manifestamente impossível.

Vai haver muito aluno a ficar para trás, nem se duvide.

Os professores em causa conseguirão pelo menos analisar as caracterizações socioeconómicas dos alunos? Será que ainda existem? Analisar o percurso curricular dos alunos, competências atingidas, formas de aprendizagem e tantos outros parâmetros essenciais para se fazer um diagnóstico individual e coletivo, planificar e avaliar?

Esqueçam tudo isso, próprio de um verdadeiro e profícuo processo ensino-aprendizagem.

A opção será, como sempre foi usual em certas escolas, os professores colocarem os alunos com melhores desempenhos nas filas da frente. Sim, porque os filhos das elites, que antigamente ocupavam os lugares da frente, já nem fazem parte da escola pública. 

O professor falará para os da frente e, a partir da 3.ª fila, a bagunça será total.

Isto se, mesmo assim, o professor conseguir lecionar durante 10 minutos. O que já seria um sucesso.

E as explicações particulares vão proliferar para os que podem pagar. Aumentam as salas de estudo. Tudo para quem pode pagar.

Elevadores sociais? Deixem-se de tretas. 

No final do ano letivo, tudo vai ser um sucesso. Avaliações de coisa nenhuma e muita classificação. Tudo feliz e contente com exames e provas falsificadas dos conhecimentos que não foram adquiridos. No ano seguinte, soma e cresce a ignorância.

E o país vê aumentar os idiotas.



Dificuldades?

Em fevereiro, o advogado António Garcia Pereira reforçou o pedido ao Ministério Público para que acione os mecanismos legais para extinguir o Chega, por considerar que o partido de André Ventura viola a Constituição.

E agora, com pendentes ou sem eles, sabe-se que algo foi decidido entre o Ministério Público e o Tribunal Constitucional. 

O quê? 

Segredo.

O que se sabe é que as dificuldades são muitas e variadas. 

Agora ficou-se a saber que o Ministério Público ainda não publicou os relatórios de auditoria e controlo do Plano de Recuperação e Resiliência referentes aos sétimo, oitavo e nono pedidos de pagamento.

Dificuldades de que ordem? Expliquem.

Dizer que os relatórios estão repletos de polémicas.

Por exemplo, só um exemplo, há muitos mais: no relatório referente ao quinto pedido de pagamento, além de apontar o dedo à Inspeção Geral de Finanças por não ter “concluído qualquer auditoria” aos sistemas de controlo interno do PRR, acusa a entidade liderada por António Ferreira dos Santos e a Comissão de Auditoria e Controlo, onde está também a presidente da AD&C, Cláudia Joaquim, de “obstaculizar” o seu trabalho de prevenção criminal, por não ter tido acesso a toda a documentação solicitada.

Estranha-se tal facto? NADA. Estamos em Portugal, não se esqueçam. 



Malas de ontem e de hoje

Ainda o caso da dificuldade de determinar se um partido político é fascista, na opinião de uma juíza do Tribunal Constitucional.

A afirmação foi proferida em... Macau.

Férias? Trabalho? Ou terá ido investigar o processo das malas cheias de dinheiro que foram despachadas daquele território diretamente para Portugal?

Algumas das malas chegaram sãs e salvas à Guarda.

Pois é. 

Sinais exteriores de riqueza nunca explicados.

Cala-te, boca! 




A juíza

O Tribunal Constitucional afirmou, esta segunda-feira, que não tem "pendente nenhum pedido de ilegalização" de partidos.

Logo depois, uma juíza daquele tribunal confirmou que aquele órgão recebeu um requerimento para a extinção do Chega.

E a dita juíza do Tribunal Constitucional acrescentou que “é muito difícil proibir um partido e dizer que é fascista”.

Afinal, há ou havia pendentes?

Se houve, que direito tem uma juíza e o próprio Tribunal Constitucional de se referirem a pendentes sem primeiro darem conhecimento da decisão a um cidadão que requereu a inconstitucionalidade do Chega? E pronunciar-se fora do país?

Decididamente, Portugal está transformado num lugar nada recomendável, em todos os aspectos.




segunda-feira, setembro 14, 2026

O lobo

E Carneiro continua amarrado ao lobo.

Ontem esperneava da boca do lobo pela descida do IVA dos combustíveis e dos bens de consumo.

Hoje, pela voz mais mansa do Carneiro e mais aguerrida do deputado Brilhante, que catalogou o Alexandre, ministro da Educação, como o pior ministro da área desde o 25 de abril.

Tudo, mas tudo para desviar a atenção do lobo.

O lobo, quando morde, não larga a presa.

Carneiro, há temas que deviam ser trazidos para a agenda política e esses sim com consequências que mostram que o lobo é de papelão. 

E, quando se grita que há lobo, mesmo de cartão, tem que se atuar logo, pois, ao deixar atacar o rebanho, já nem os cães e cadelas salvam alguma ovelha. 




Igualdade de oportunidades?

 E anda esta gentalha preocupada com o uso dos telemóveis.

Isto chama-se atraso tecnológico.



Confirmado.

Já o tínhamos referido que as pequenas esmolas, quer do IRS, quer das migalhas das pensões, vão ser pagas e bem pagas lá para março do ano que vem.
Agora é a insuspeita DECO a afirmá-lo.



domingo, setembro 13, 2026

Um carneiro no rebanho.

Ontem, numa convenção sobre poder autárquico, promovida pelo Ps, Carneiro disse que quer doar mais IVA e IRS às câmaras.

Oportuno dislate para agradar aos senhores feudais, obviamente.

Ontem um Costa municipalizou serviços, sem qualquer contrapartida financeira; hoje o Carneiro quer emendar a estúpida façanha.

Carneiro, a receita é velha e cheira a mofo.

Mas, não satisfeitos com o aumento das receitas, IVA e IRS, para os senhores feudais, vêm anunciar uma nova medida que de democrática não tem nada.

O Carneiro quer que as eleições para as autarquias não sejam em listas de partidos ou movimentos de cidadãos, mas em nomes de personagens. Depois, o personagem mais votado escolheria a equipa governativa. 

Ou seja, o papel dos eleitores ficaria reduzido à eleição de um «chefão» que, a seguir, escolheria os acompanhantes sem sufrágio dos munícipes.

Isto é democracia? 

E no futuro os eleitos podem candidatar-se quantas vezes? Todas as que quiserem?

Carneiro, tanto contorcionismo pode ser perigoso.

Com a decadência do sistema democrático, não seria de admirar muitos mais psicopatas nos feudos.



É fartar

 E os gastos são enormes. Com que resultados?

Exames, um falhanço.

Provas globais: um desastre.

Relatório PISA: um descalabro anunciado.

Aprendizagens? Não há.

Faltam professores.

Faltam professores devidamente qualificados.

Alunos não querem saber de quaisquer aprendizagens.

Mas gastam-se milhões.

Em ano e meio, três organismos do ministério do senhor Alexandre  fizeram 65 contratos. 

O recurso a entidades externas aumentou depois de ter mandado de volta centenas de professores e outros funcionários para as escolas. Tudo com o apoio do PRR.

Só a Deloitte arrecadou três milhões de euros só este ano.

Grande pífia.




Natália Correia

Não posso, não devo esquecer que, em 13 de setembro de 1923, na freguesia de Fajã de Baixo, Ponta Delgada, Açores, nascia a poeta Natália Correia.

A poeta não foi apenas, e já seria de elevada relevância, uma personalidade da cultura portuguesa. Foi igualmente uma parlamentar de enorme qualidade.

As suas intervenções marcaram um estilo de irreverência que abalou a Assembleia da República, ainda com laivos de um certo sonambulismo, conformismo e vivências dos tempos da ditadura.

Natália Correia destacou-se como uma parlamentar combativa em defesa da cultura e dos direitos das mulheres e foi uma personalidade que contribuiu com o seu talento poético para o enriquecimento dos trabalhos parlamentares, em intervenções marcadas não só por essa combatividade, como também pela ironia e pela beleza oratória. 

Natália Correia foi uma mulher controversa e corajosa. Intransigente e provocadora, na forma como defendia as causas em que acreditava. Indomável, na forma como assumia as rupturas que entendia na sua intervenção política.

As suas intervenções em defesa da legalização da interrupção voluntária da gravidez, da condição feminina, do investimento na cultura ou em contestação à ausência de políticas culturais dignas desse nome e de contestação à perda de soberania e de identidade cultural por via da integração europeia, ficam como testemunhos eloquentes da sua ação e criaram muito mal-estar entre membros do PSD.

Natália Correia foi uma resistente antifascista. Perseguida pela ditadura pela sua intervenção cívica e pela sua atividade literária, enfrentou os tribunais do fascismo nos anos sessenta pela organização da antologia de poesia erótica e satírica portuguesa.

O verso que lançou contra os juízes que a condenaram: “Ó subalimentados do espírito, a poesia é para comer”, ficará como um dos gritos de alma da resistência cultural contra um regime que reprimiu a cultura portuguesa durante quase meio século.

O maior testemunho que Natália Correia nos deixou foi ser, em todas as circunstâncias e alturas, uma mulher livre.

Saúde-se a poeta e a sua liberdade.




A mentira tem perna curta...

Portugal está entre os países da União Europeia em que abastecer o carro sai mais caro, e a causa não reside apenas nos impostos.

Desenganem-se.

Não se fiem em aldrabões.

Mesmo retirando os impostos ao preço dos combustíveis, o país continua nos lugares cimeiros da tabela europeia, tanto na gasolina como no gasóleo.

Percebido?

Os preços de referência de 7 de setembro mostram que um litro de gasolina 95 custa 2,093 euros em Portugal. 

Sem impostos, o valor desceria para cerca de 1,120 euros. 

Ainda assim, este é o sexto preço antes de impostos mais elevado entre os 27 Estados-membros.

No gasóleo, a situação é semelhante. O preço final de referência é de 2,104 euros por litro, enquanto antes de impostos fica nos 1,272 euros. Neste caso, Portugal apresenta o oitavo preço sem impostos mais elevado da União Europeia.

Entendido?

Percebem agora a aldrabice dos milhões do abono aos pensionistas e as reduções do IRS?

Uma quadrilha, como diria Mestre Aquilino Ribeiro.




Mestre Aquilino Ribeiro

A 13 de setembro de 1885 nascia em Carregal, Sernancelhe, um dos maiores escritores portugueses do século XX - Aquilino Ribeiro.

Melhor, justamente considerado Mestre Aquilino Ribeiro.

A linguagem de Aquilino Ribeiro caracteriza-se fundamentalmente por uma excepcional riqueza lexicológica e pelo uso de construções frásicas de raiz popular, cheias de regionalismos.

Aquilino foi sobretudo um estilista e, por isso, a sua linguagem vernácula é arejada, frequentemente condimentada nos diálogos com expressões entre grotescas e satíricas.

Num número considerável de obras, Aquilino reflete, ainda que distorcidas pela imaginação, cenas da sua vida: o convívio com as gentes do campo, a educação ministrada pelos sacerdotes, as conspirações políticas, as fugas rocambolescas, os exílios.

Até 1932, ano em que fixa residência na Cruz Quebrada, todos os ambientes, contextos e personagens que Aquilino cria remetem para a sua querida Beira Alta. "O Malhadinhas", "Andam Faunos pelos Bosques", "Volfrâmio", "A Casa Grande de Romarigães", "Quando os lobos uivam" e "Terras do Demo" constituem o melhor exemplo desta situação.

Mas Aquilino Ribeiro foi igualmente um homem contra o sistema. Foi um opositor ativo à monarquia e à ditadura militar, o que o levou à prisão e ao exílio em Paris. 

A melhor homenagem que devemos prestar a este grande escritor da Língua Portuguesa é ler a sua extensa obra e compreendê-la.

Mestre Aquilino Ribeiro continua atual.

"A nação é de todos, a nação tem de ser igual para todos. Se não é igual para todos, é que os dirigentes que se chamam estado se tornaram quadrilha", em "Quando os lobos uivam".




sábado, setembro 12, 2026

Pensem

 


Holocaustos