Mais um estudo, semelhante a tantos outros encomendados pelo governo do Montenegro para iludir os portugueses.
Só ilusões.
Diz-se que o «mercado» de trabalho em Portugal está em franco progresso.
Esta do mercado de trabalho fez-me lembrar a famosa passagem da Crónica dos Feitos da Guiné, escrita por Gomes Eanes de Zurara por volta de 1453, que descreve o dramático desembarque e a divisão de cerca de 235 escravos africanos chegados a Lagos, no Algarve, no dia 8 de agosto de 1444.
Quem não a conhece, que a leia, se tiver nervos de aço.
Mas que progresso fala o estudo encomendado?
Desemprego diminuiu? Pudera. Trabalho ou morte. Já nem a emigração nos ajuda.
Os portugueses permanecem no emprego por mais tempo? Claro, que escolhas existem? "Para pior, já basta assim."
Recuperação do teletrabalho? Obviamente. Os empresários só somam lucros com o teletrabalho, poucos ou nenhuns gastos, trabalhadores dispersos melhor, pois o poder reivindicativo não existe ou é quase nulo.
Para que a análise pareça séria, há que conter algumas verdades indiscutíveis.
Desde logo as baixas classificações. Os empresários tacanhos agradecem, pois pagam menos.
Só 29% da população ativa possui o secundário. E com aprendizagens péssimas, como é do conhecimento geral.
Diz-se que 36% dos trabalhadores concluíram o ensino superior. Resta saber com que graduações e com que nível.
Outro aspecto negativo, que já dura há muitos anos, tem a ver com os jovens entre os 16 e os 24 anos, muitos deles na categoria dos «ni, ni», nem trabalham nem estudam, cuja taxa de desemprego atinge os mais de 18%.
E a anunciada mentira de que os portugueses se mantêm por longo tempo nos empregos é logo contrariada com a afirmação de que o desemprego de longa duração continua a representar uma parcela significativa do total. Mais de 40% dos desempregados procuram trabalho há mais de um ano, sinal de que a redução global do desemprego não elimina as dificuldades de reintegração enfrentadas por uma parte considerável dos candidatos e muito menos a tal resiliência é verificada.
Por fim, falemos de resiliência no sentido sério do termo e NUNCA abordado pela análise encomendada.
Os salários dos trabalhadores portugueses em nenhum momento são referidos.
Não dizem, por exemplo, que os salários dos trabalhadores portugueses são miseráveis, não lhes permitem ter uma habitação condigna, serviços públicos que deem resposta às suas necessidades e sobrevivem com sangue, suor e lágrimas.
Falar de emprego e esquecer os salários é uma nojenta análise. Nem a um aluno do unificado seria permitida tal análise em qualquer trabalho, se a escola fosse minimamente exigente em aprendizagens.
A encomenda saiu pior que o pedido.
