O governo de esquerda, se assim se podem definir certas forças políticas, está a escancarar as portas do poder à direita.
Com a dissolução do parlamento na Espanha e a convocação de eleições antecipadas, a direita, toda ela, tem fortes hipóteses de ascender ao poder.
As causas de tal ascensão são sempre as habituais. O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Não se aprende ou não se quer aprender, e quem sofre são as classes sociais que nunca decidem nada, apenas lhes pedem um papel numa urna. Sim, há luta de classes, por muito que a elite evite tal proposição, mas a luta é sempre desigual e em territórios de nenhum interesse para os mais frágeis. E essa elite, com roupagens democráticas de esquerda, comete os maiores atropelos à transparência e dá o flanco à direita. Corrupções, políticas que não respondem aos interesses legítimos dos mais fracos, que só beneficiam a própria elite, seus correlegionários e os patrocinadores endinheirados. O mesmo de sempre.
O povo assiste, incrédulo, umas vezes, e outras vinga-se nas eleições. Sabe que, com a direita, tudo será pior.
Vingança.
Por falta de conhecimento e lavagens ao cérebro, deixaram de acreditar na utopia. Os tempos vão ser duros, conjugados com crises de todo o tipo e feitio. Liberdades, garantias e direitos já foram. O tempo da primazia do social, guarda-chuva de tanta solidariedade e diluição da pobreza, acabou.
Voltam os agiotas e o primado do mercado, que tudo vai controlar. Até o teu descanso eles o querem.
Acreditar em falsários só podia dar nisto.
