As trapalhadas de um incompetente.
Agora, e só agora, o caso do aluno de Viseu, a quem foi atribuída a classificação de 4,3 valores ou 4,6 no exame nacional de Português, começa a ter solução.
O diretor da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, admitiu em tribunal a existência de erros no processo de digitalização do exame nacional de Português do aluno em causa.
Finalmente há um culpado. Ou deu-se por culpado?
No início de agosto, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, deslocou-se ao Parlamento e declarou publicamente que o caso do estudante de Viseu estava totalmente resolvido.
Mentiu.
Só agora começa a ser resolvido com a assunção da culpa por parte do diretor da escola.
Lembrar que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu estipulou uma multa diária de 100 euros contra o Ministério da Educação caso a tutela não disponibilizasse e entregasse o exame de Português completo do aluno.
Então a tutela argumentou que, na sequência da ordem do Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu, tinha procedido ao envio e disponibilização da prova integral ao aluno.
Mais uma aldrabice.
Embora o Ministério tenha enviado ficheiros posteriormente para tentar travar a penalização, os pais e o tribunal contestaram a conformidade técnica dos primeiros documentos em PDF, alegando que não cumpriam a ordem judicial e mantendo a pressão legal sobre o Estado.
Incompetentes.
A reação do Ministério foi imediatamente apelidada de "um equívoco" pelos pais do aluno. A família explicou que o Ministério se limitou a enviar um ficheiro PDF às pressas (via escola, a um sábado à noite) para travar a multa diária de 100 euros. No entanto, a defesa do aluno pôs em causa a veracidade e autenticidade desse documento, apontando graves falhas técnicas:
- O PDF enviado continuava a levantar dúvidas por conter folhas sem as devidas rubricas;
- Apresentava respostas de escolha múltipla rasuradas ou alteradas que o aluno garantia não ter feito.
As trapalhadas e a postura oficial de um Alexandre e seus súbditos que durante o verão tenderam a desvalorizar a dimensão da falha informática, remetendo os esclarecimentos práticos para o Júri Nacional de Exames e para a escola, uma estratégia que acabou por colidir mais tarde com a confissão do próprio diretor da Secundária Alves Martins em tribunal.
Agora, assim que o tribunal ditar a decisão final e a nota correta for integrada no sistema da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), a candidatura do aluno deverá ser retificada retroativamente para refletir a sua média real e permitir a sua colocação no curso pretendido.
Com a admissão de falhas por parte do diretor da Escola Secundária Alves Martins em tribunal, a defesa do aluno espera que o tribunal force a recuperação e correção integral do exame real (estimando-se que a nota correta ronde os 18,4 valores, à semelhança do seu desempenho noutras disciplinas).
Mas esta gente não entendeu ainda que a mentira, seja onde for, tem sempre perna curta?
Irra.
Siga o baile.
