O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, extinguiu o grupo de reflexão sobre a fraude no uso de fundos europeus.
Razão?
Fim da execução do Plano de Recuperação e Resiliência em Portugal e à saída de várias entidades públicas com responsabilidades na gestão e controlo de fundos europeus.
Amadeu Guerra fala ainda de falta de "impacto direto significativo" das atividades do grupo no funcionamento das estruturas do Ministério Público que se dedicam a investigar e combater a criminalidade económico-financeira, nomeadamente o Departamento Central de Investigação e Acção Penal.
Importa dizer que a opinião do senhor Amadeu não é consensual, nem na procuradoria e muito menos fora dela.
A procuradora Ana Carla Almeida alerta que medidas adotadas pelo governo para acelerar a execução de fundos europeus vão aumentar risco de irregularidades e fraude. Diz que o Plano de Recuperação e Resiliência tinha “fragilidades” e alerta que apenas é conhecida “a ponta do iceberg” sobre fraude com dinheiro europeu.
Percebeu, senhor Amadeu? Nós percebemos, e muito bem.
Lembrar ao senhor Amadeu que o Organismo Europeu de Luta Antifraude recebeu mais de 2.300 comunicações de irregularidades relacionadas com a PAC e com os fundos comunitários do PT2020.
Destas, 67 envolviam suspeitas de fraudes e verbas no valor de 47,4 milhões de euros.
Coisa pouca não é, senhor Amadeu?
Tudo esclarecido.
Só conhecida a ponta do iceberg, mas o Titanic foi ao charco.
