domingo, outubro 25, 2026

A Bem da Nação

 Recorro ao grande Eça de Queirós.

Para o escritor, as críticas ao Parlamento e à classe política do século XIX centravam-se na corrupção, na incompetência, no teatro partidário e no afastamento dos problemas reais do país.

Do século XIX para o século XXI, encontram-se diferenças?

Pelo contrário, semelhanças são muitas e, para pior.

Eça via a vida parlamentar portuguesa não como um espaço de debate sério ou de progresso, mas como uma encenação vazia, marcada pela retórica oca e pela troca de favores.

Diferenças? Nenhuma.

Denunciava o "compadrio" e as redes de influência, nas quais os cargos públicos eram distribuídos por conveniência e lealdade partidária, e não por mérito ou capacidade.

Alguma diferença? Nenhuma.

Os políticos do "oitocentos" (século XIX) viviam numa bolha urbana e palaciana, alheados da miséria, do atraso estrutural e das necessidades do povo português.

Alguma diferença? Nenhuma.

Assim sendo, acho que se gasta em demasia com incompetentes. A sonolência é manifesta na maioria dos deputados.

Alguns nunca abriram a cloaca, agora já nem se levantam para votar, dava muito trabalho, basta carregar no botão. 

Os problemas do país continuam por resolver. Nem o papel legislativo conseguem fazer.

Comissões e mais comissões, com múltiplas comichões, não faltam, com senhas de presença sempre a faturarem.

Insultos vários, gritarias, cânticos, pendões e tudo mais que ajuda à festa do regabofe.

De vez em quando mandam evacuar as galerias. A elite não pode ser incomodada. O barulho incomoda a digestão.

Cada deputado com computador. Correio eletrónico e outras páginas consultadas a propósito ou sem ele. 

Faz-se o registo de entrada e também para os amigos e amigas que foram tratar da sua «vidinha» lá fora.

E o bar em serviço permanente, assim como o restaurante que serve pratos de elevada qualidade e a preços módicos, ganha-se mal. E foram aumentados por eles próprios. 

Esqueçam a Lei n.º 4 de 85, que fixa o ordenado-base de um deputado. É que, se quiserem, alteram todo o disposto com uma «simples» votação. 

As leis foram feitas para não se cumprirem!

Pois é.

Se demorou um minuto a ler este texto, lembre-se de que voaram 365 euros dos seus impostos para o Parlamento.