Trago-vos um artigo do professor Marcos Morais que reflete sobre o que é ser professor no Brasil.
Encontram alguma diferença com o que acontece em Portugal?
"Ser professor em 2026 é:
10% tentando ensinar quem não quer aprender.
90% cumprindo burocracias para provar que ensinou.
A frase é provocativa, mas cada vez mais professores parecem se identificar com ela.
Nos últimos anos, a quantidade de registros, relatórios, plataformas, acompanhamentos, indicadores e evidências exigidas do professor aumentou significativamente. Planejamentos precisam ser documentados, atividades registradas, intervenções justificadas e resultados constantemente alimentados em sistemas.
Não estou dizendo que o acompanhamento pedagógico não seja importante. O problema surge quando a produção de evidências começa a consumir o mesmo tempo que deveria ser destinado ao ensino.
Enquanto isso, a sala de aula se torna um ambiente cada vez mais desafiador. A atenção dos estudantes disputa espaço com celulares, conversas paralelas e inúmeros estímulos externos. Em muitos momentos, o professor precisa dedicar mais energia para criar condições de aprendizagem do que para ensinar propriamente dito.
O resultado é uma sensação cada vez mais comum entre docentes: passamos horas comprovando que trabalhamos e cada vez menos tempo realizando aquilo que nos levou à profissão.
A educação precisa de planejamento, avaliação e acompanhamento. Mas também precisa lembrar que nenhum relatório substitui uma boa aula e que nenhuma planilha ensina um estudante.
Talvez esteja na hora de discutir não apenas como medir o trabalho docente, mas também como proteger o tempo necessário para que ele aconteça.
💬 Você também tem a sensação de que passa mais tempo registrando o trabalho do que realizando o trabalho?"
Para professores, pais e encarregados de educação e, principalmente, a comunidade, toda ela, refletir.
