quarta-feira, junho 24, 2026

Homenagem

A memória de um povo é o pilar da sua identidade cultural. O respeito pelos que lutaram pela sua liberdade nunca será esquecido.

Chama-se Michel Kuka Mboladinga. Tem 49 anos. Leva desde 2013 a frequentar os jogos da República Democrática do Congo para fazer exatamente a mesma coisa: ficar de pé na tribuna, braço direito erguido, imóvel como uma estátua, durante os 90 minutos completos.

Não grita. Não pula. Não comemora.

Sua pose imita a estátua de Patrice Lumumba em Kinshasa — o primeiro-ministro que arrancou a independência do Congo do colonialismo belga em 1960. O mártir assassinado aos 35 anos. O símbolo de uma soberania roubada.

Ficou viral na última Copa Africana de Nações. Um atacante argelino zombou dele após eliminar o Congo. A Federação da Argélia teve que pedir desculpas públicas.

A FIFA teve que intervir para conseguir o visto dele para a Copa do Mundo. Depois, não pôde viajar para o primeiro jogo contra Portugal por quarentena obrigatória de 21 dias — surto de ebola em seu país.

Com ele ausente, o Congo empatou com a Portugal de Ronaldo. Seus próprios jogadores pediram à Federação que ele viajasse com a delegação oficial.

Um homem que não precisa se mover para emocionar.