"Acreditamos que somos livres porque o sistema nos convida a escolher constantemente, a consumir de acordo com nossos desejos e a otimizar nossa própria vida como se fossemos empreendedores de nós mesmos. No entanto, essa suposta liberdade é apenas a ilusão de um sujeito que se explora voluntariamente. O capital já não nos submete com proibições externas, mas nos seduz por dentro, transformando os nossos impulsos, a nossa intimidade e até o nosso cansaço em recursos produtivos. Transformamo-nos assim em órgãos reprodutivos do sistema, gerando mais-valia a cada clique, a cada desejo satisfeito e a cada identidade que construímos para sermos visíveis e rentáveis.
Somente reconhecendo esta servidão erótica poderemos começar a recuperar um espaço de verdadeira liberdade, uma que não seja medida pela capacidade de produzir e se expor incansavelmente."
