domingo, junho 14, 2026

Poder local?

Ontem o Canal NOW deu a conhecer aos portugueses a situação de terror, feudalismo e sobranceria que se vive na Câmara Municipal da Guarda, por meio do célebre caso Gisela Valente.
Uma funcionária alvo de assédio moral por outra funcionária, na altura ambas desempenhando funções no SMAS da Guarda.
Tudo devidamente explicado pela vítima é só ver e ouvir.
Como importa também ver e ouvir a forma como o atual presidente da Câmara da Guarda não responde às perguntas da jornalista.
Mas o melhor estava reservado para o final, na voz do doutor Pedro Proença, que, sem arcas encoiradas, explicou de forma clara e objetiva o que levou o então presidente de Administração do SMAS, vereador de Álvaro Amaro, e agora presidente eleito, Sérgio Costa, a não cumprir as decisões judiciais que condenaram a funcionária, Luísa Santos. A «dona» dos serviços camarários, Luísa Santos, foi indigitada para fazer parte de um júri que iria "avaliar a entrada" da mulher do presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, para funcionária da edilidade. Concurso, entretanto, cancelado devido à muita celeuma que levantou.
"Deixem trabalhar o Sérgio!" 
"Faça o seu trabalho que eu faço o meu!".
"Veja o "Youtube" que está lá tudo!".
"Respeite os seus colegas e deixe-os colocar as questões que quiserem!"
Foram as únicas explicações de Sérgio Costa.
Gostei particularmente da parte em que o doutor Pedro Proença se referiu à ação do Ministério Público neste caso e à pouca ou nenhuma frontalidade da oposição.
É o que temos e o que os tachos obrigam, doutor.
Quanto ao Ministério Público, resta saber se não lhe interessa saber como uma entidade pública, a Câmara da Guarda, pagou todos os custos judiciais e disponibilizou o jurista da câmara para defender a funcionária condenada, quando, como é referido pelo próprio Ministério Público, o caso é de ordem pessoal e, por isso, nem a câmara foi notificada das decisões judiciais.
Alguém responde?
Já todos sabemos quem anda a mexer cordelinhos na trapaça do teatro dos Robertos.
É só estar atento ao que se diz e faz.
Não posso nem devo deixar de criticar o programa, pois, devido ao assunto em causa, merecia mais e melhor tratamento.
Enfim, é o que temos.
É que o país está mesmo podre. Poder local? Digam antes, senhores feudais, Idade Média. É só estudar.