quinta-feira, junho 18, 2026

Missiva

É apenas e tão-só um aviso sério à navegação.
O Banco de Portugal foi condenado a pagar 30 mil euros a um trabalhador por assédio moral.
Tinha 34 anos em 1989 e era, há quatro anos, administrativo do Banco de Portugal quando se candidatou a um concurso interno para exercer funções de monitor no Museu do Dinheiro, que o banco central previa abrir no ano seguinte.
O trabalhador foi solicitando autorização para participar em colóquios e seminários, mas viu os pedidos serem sucessivamente recusados. Enquanto o museu não existia formalmente, acompanhava algumas exposições temporárias, mas o seu quotidiano profissional era marcado por tarefas que descreve como “residuais” ou mesmo “inexistentes“.
Percebido?
Na sentença de primeira instância, o tribunal concluiu que, entre 1989 e 1999, o Banco de Portugal manteve o trabalhador “esvaziado de funções”, apesar de este ter sido contratado para desempenhar funções ligadas a um museu que, durante esse período, não chegou a existir.
Mais tarde, quando o Banco de Portugal iniciou os trabalhos de preparação de um novo espaço museológico, o trabalhador não foi integrado no projeto, apesar das responsabilidades que detinha na área.
Em 2011, enviou correspondência à instituição a solicitar o seu envolvimento no desenvolvimento do novo museu.
Em novembro de 2025, o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a decisão da primeira instância, mantendo a indemnização de 30 mil euros.
Leram bem?
Parece que há quem não tenha percebido a intenção da missiva.
Leiam em voz alta e com o dedo a acompanhar a leitura.
Pode ser útil para certa canalha.