A célebre reflexão de Eduardo Galeano sobre "papagaios" e "macacos de imitação" vem a propósito do que vai a acontecer aqui pela Guarda em termos do que se chama "modernização".
Até uma certa altura os regedores construiam rotundas, grandes, colossais. Todos nos lembramos da célebre escultura que foi colocada na rotunda do "G" e que tantos acidentes provocou. O presidente da República Jorge Sampaio chegou mesmo a criticar a proliferação de tais inovações. Não bastavam as árvores vieram as esculturas. O regedor de então, Álvaro Amaro, gastou na célebre escultura da mão e do cubo nas rotundas do Rio Diz e do Alvendre e zonas envolventes qualquer coisa como 428 778 euros (IVA incluído)!
Uma brutalidade. Só a escultura de Dora Tracana custou 92 mil euros.
Mas houve mais gastos ao tempo de Álvaro Amaro. Com a requalificação dos espaços e os trabalhos realizados nas rotundas do 5 F’s, da Luz e do Anjo da Guarda a Câmara gastou em dois anos e meio de mandato mais de 1,2 milhões de euros em «cinco estátuas e amanho» de rotundas.
Nada que incomodasse o executivo mesmo estando a câmara em processo de saneamento financeiro.
Sempre à "bolina"!
Depois mais imitações. Começaram a aparecer as ecovias. A Guarda tinha de ter uma, obviamente. Segundo se diz foram mais 2,7 milhões de euros. Quantos peões e ciclistas a utilizam atualmente?
Depois os passadiços. Havia passadiços a surgirem por todo o sítio. A Guarda não podia ficar sem passadiços. Mais 4 milhões de euros.
Depois mais imitações. Cidade ou santa terrinha que se preze deve ter o seu monumento com letreiro turístico. A Guarda tem o seu na Praça Luís de Camões.
Preferiu-se o letreiro, para que os que nos visitassem ou os que por cá vão estoicamente resistindo em ficar não esquecerem o nome da sua cidade, em detrimento da recolocação do fundador da cidade no local central da praça. Gostos, obviamente.
O custo de um letreiro turístico varia entre 2 000€ e 15 000€, dependendo do tamanho, material e iluminação.
Agora chegaram as pinturas nos muros.
Chamam-lhe arte urbana.
Com alguma criatividade até se pode gostar de algumas pinturas.
E o custo? A manutenção?
E onde vai ficar o cartaz, minúsculo até agora, deseja-se bem mais visível, a avisar crianças e jovens da utilização correta da pista de saltos?
É importante.


