sábado, maio 16, 2026

Morreu o arquiteto, pintor, ilustrador e cartoonista João Abel Manta.

 Figura ímpar da nossa cultura. Filho de um ilustre pintor de Gouveia, Abel Manta.
João Abel Manta manteve sempre uma ligação afetiva e cultural ao concelho de Gouveia e ao legado artístico do pai. O artista teve um papel determinante na valorização do Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta, através da doação de obras ao município em 1985 e 2001, contribuindo para o enriquecimento e afirmação daquele espaço museológico como uma referência nacional da arte moderna e contemporânea portuguesa. João Abel Manta ficou conhecido por obras emblemáticas do pré e do pós-25 de Abril usando o desenho como forma de intervenção política e crítica social. Os seus cartoons publicados em jornais como o Diário de Lisboa e o Diário de Notícias tornaram-se símbolos da luta contra a ditadura e do entusiasmo revolucionário após o 25 de Abril. O seu estilo combinava humor mordaz, referências culturais e comentário político. Durante o Estado Novo foi alvo da censura e chegou a ser preso pela PIDE em 1948 devido à sua ligação ao MUD Juvenil. Em 1972 enfrentou ainda um processo judicial por um cartoon satírico publicado no suplemento A Mosca, do Diário de Lisboa, acabando absolvido. Após o 25 de Abril produziu intensamente cartoons e cartazes revolucionários, mas acabou desiludido com o rumo político pós-1975. Participou em projetos marcantes como os prédios da Avenida Infante Santo, a sede da Associação Académica de Coimbra, os desenhos das tapeçarias da Fundação Gulbenkian, o mural de azulejos da Avenida Calouste Gulbenkian, o pavimento da Praça dos Restauradores, em Lisboa, ilustrações para A Cartilha do Marialva e Dinossauro Excelentíssimo. É justamente considerado “o cartoonista da Revolução” e bem considerado. O melhor contributo que se pode prestar quer à obra do pai Abel Manta e do filho é visitar o museu em Gouveia. À família, apresento minhas mais sinceras condolências.