segunda-feira, maio 04, 2026

Envelhecimento da população

Preocupante a quebra da natalidade e o envelhecimento da população, pois estão a alterar a estrutura demográfica de Portugal a um ritmo tal que as consequências poderão ser particularmente graves nas próximas décadas.
Sabe-se que o problema não é exclusivo de Portugal.
Todos os continentes têm vindo a registar uma diminuição significativa no número de crianças. Apenas o continente africano continua em crescimento.
Portugal, nos anos 60, estava entre os países com maior número médio de filhos por mulher. A razão é fácil de explicar e entender. Quanto maior o número de filhos, mais mão de obra existia na ajuda no trabalho, principalmente o rural. A alimentação ainda não era problema. Consumiam-se os produtos que a terra e a casa produziam — agricultura de subsistência — e vendia-se o restante e, na maior parte das vezes, o que era necessário para remediar a miséria.
A queda no número de filhos começa a verificar-se a partir da década de 70.
É verdade que o aumento da escolarização e da participação feminina no mercado de trabalho, necessidade de aumentar o orçamento familiar face ao aumento do custo de vida, com a necessidade das mulheres aumentarem a sua formação, face a um mercado mais exigente a nível de competências, e sem a devida compensação familiar necessária para acompanhamento dos filhos, levou a que muitas mulheres adiassem a maternidade.
Em Portugal, a idade média ao nascimento do primeiro filho já ultrapassa os 30 anos, acompanhando uma tendência europeia.
Logo, um segundo filho já é pouco provável.
Assim, os idosos de hoje que têm vários filhos e irmãos, no futuro isso deixará de acontecer. Um idoso poderá não ter qualquer familiar direto disponível para apoio, no futuro próximo. O que vai determinar maior vulnerabilidade e fragilidade dos futuros idosos.
É necessário e urgente que o Estado tem de criar estruturas eficazes para garantir apoio às pessoas idosas e não deixar que seja o público e as misreicórdias a resolver o problema.
Todos sabemos o que são os ordenados de hoje e consequentemente as reformas de amanhã.
Quem vai conseguir pagar estadias, cada vez mais prolongadas, felizmente, em lares privados?