terça-feira, maio 05, 2026

Portugal 2025: parir na rua é “normal” e o Estado ainda dá as instruções em inglês

Uma jovem grávida de risco, 40 semanas e cinco dias, vai à pastelaria e… surpresa: entra em trabalho de parto. A família, aflita, liga para a Saúde 24, que com toda a frieza sugere uma pérola: “vá de carro para o hospital”. E como se não bastasse, quando chamam o 112… atendem em inglês. Afinal, estamos num país de portas abertas ao turismo: se morre, morre bilingue.
O resultado? Parto em plena rua, conduzido pelo pai e pela mãe da parturiente, que certamente não tinham o curso de obstetrícia, mas tinham algo que falta ao Estado: presença. À chegada dos bombeiros, o bebé já estava nos braços do avô, que passou de “raramente vejo sangue” para “obstetra improvisado” em oito minutos. Pode até ter parecido uma eternidade, mas se tivermos em conta que entre o nascimento do bebê e a entrada no hospital foram necessários 120 minutos, foi na realidade um instante. O mais incrível? A Maternidade Alfredo da Costa tinha recusado acompanhar o caso semanas antes, porque “havia muitas grávidas”. Tradução: Em Portugal, até para se nascer é preciso marcação prévia e lista de espera. "Portugal não bateu no fundo. Já lá mora diante de um povo que assiste ao vivo à sua própria decadência moral e institucional." Absolutamente de acordo. Eu vi este povo a lutar. Hoje nem força para sacudir as moscas que continuam a achar-se melhores que as abelhas.