A OCDE, uma organização insuspeita, já que defende o sistema capitalista e procura sempre, com as suas opiniões, estar do lado do patronato, fez publicar uma análise da situação da economia portuguesa.
Sobre os salamaleques habituais, nem me vou pronunciar, dado que o governo e os seus súbditos já o fizeram e fazem a toda a hora.
Mas importa mesmo assim reter alguns aspectos presentes no tal estudo.
Segundo o tal relatório, a OCDE recomenda que Portugal reduza os impostos sobre os trabalhadores com menores salários.
Percebido?
Duvida-se.
Depois sublinha o aumento da carga fiscal sobre a propriedade e eliminando isenções fiscais ineficazes.
Percebido?
Duvida-se.
Aconselha melhorias no emprego dos jovens, mulheres e trabalhadores seniores.
Percebido?
Duvida-se.
É necessária mais e melhor formação académica dos jovens.
Percebido?
Dvida-se.
Que haja uma efetiva e consequente formação ao longo da vida.
Percebido?
Duvida-se.
Propõe ainda um melhor equilíbrio da proteção entre os diferentes tipos de contrato, promovendo os contratos permanentes (em detrimento dos contratos de trabalho temporário, cuja utilização "continua elevada") e reduzindo o custo dos despedimentos.
Percebido?
Duvida-se.
A habitação é outra das áreas destacadas pela OCDE, que indica uma necessidade de reforçar acessibilidade e a mobilidade num contexto de "aumento acentuado dos preços das casas e das rendas", em que, sobretudo os jovens "enfrentam dificuldades para comprar, alugar, pagar a hipoteca ou mudar-se para encontrar habitação adequada ou melhores empregos".
Percebido?
Duvida-se.
Até uma organização como a OCDE aponta o que deve ser feito para que a economia portuguesa cresça de forma que a distribuição da riqueza seja equitativa e que se reduzam as desigualdades, todas elas, sociais, económicas, acessos à habitação, ensino de qualidade e todas outras que possibilitem uma vida melhor a todos os portugueses. Mas o que o governo e o patronato interessam é aumentar as péssimas condições de trabalho, a exploração e pagar salários de miséria, baseados, obviamente, na péssima formação dos trabalhadores e no seu paupérrimo sentido crítico das suas vidas.
