segunda-feira, abril 20, 2026

Percebam

A OCDE, uma organização insuspeita, já que defende o sistema capitalista e procura sempre, com as suas opiniões, estar do lado do patronato, fez publicar uma análise da situação da economia portuguesa.
Sobre os salamaleques habituais, nem me vou pronunciar, dado que o governo e os seus súbditos já o fizeram e fazem a toda a hora. Mas importa mesmo assim reter alguns aspectos presentes no tal estudo. Segundo o tal relatório, a OCDE recomenda que Portugal reduza os impostos sobre os trabalhadores com menores salários. Percebido? Duvida-se. Depois sublinha o aumento da carga fiscal sobre a propriedade e eliminando isenções fiscais ineficazes. Percebido? Duvida-se. Aconselha melhorias no emprego dos jovens, mulheres e trabalhadores seniores. Percebido? Duvida-se. É necessária mais e melhor formação académica dos jovens. Percebido? Dvida-se. Que haja uma efetiva e consequente formação ao longo da vida. Percebido? Duvida-se. Propõe ainda um melhor equilíbrio da proteção entre os diferentes tipos de contrato, promovendo os contratos permanentes (em detrimento dos contratos de trabalho temporário, cuja utilização "continua elevada") e reduzindo o custo dos despedimentos. Percebido? Duvida-se. A habitação é outra das áreas destacadas pela OCDE, que indica uma necessidade de reforçar acessibilidade e a mobilidade num contexto de "aumento acentuado dos preços das casas e das rendas", em que, sobretudo os jovens "enfrentam dificuldades para comprar, alugar, pagar a hipoteca ou mudar-se para encontrar habitação adequada ou melhores empregos". Percebido? Duvida-se. Até uma organização como a OCDE aponta o que deve ser feito para que a economia portuguesa cresça de forma que a distribuição da riqueza seja equitativa e que se reduzam as desigualdades, todas elas, sociais, económicas, acessos à habitação, ensino de qualidade e todas outras que possibilitem uma vida melhor a todos os portugueses. Mas o que o governo e o patronato interessam é aumentar as péssimas condições de trabalho, a exploração e pagar salários de miséria, baseados, obviamente, na péssima formação dos trabalhadores e no seu paupérrimo sentido crítico das suas vidas.