Importa que se defina o que é isso de urgências para as ditas "instituições".
Chamam de "Urgências" a um espaço onde um, e só um, acompanhante pode entrar com o doente? Uma sala exígua dita de triagem?
E, feita a dita triagem, colocada a fita no pulso do doente, convidarem o acompanhante a sair do espaço?
Aguardar, horas a fio, numa sala apinhada de outros acompanhantes expulsos e sem acompanhar os doentes?
Há quem espere horas e horas que os serviços de apoio informem o acompanhante da situação do doente.
Bem sei que "lá dentro" o caos é enorme. Macas, quando as há, espalhadas por corredores. Doentes horas e horas em cadeiras de rodas com o desconforto que se imagina.
O lema é não dar a conhecer o caos. Todos percebemos.
A isto a venerável instituição chama de «acompanhamento»?
Inverossímil.
Só 185 queixas?
Razão tinha Guerra Junqueiro, imagine-se no século XIX, quando dizia:
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]"
Revoltai-vos. A canalha da elite quer-vos dóceis, resignados e burros de carga para que a relva cresça e lhes aumente a pança.
