Só 10 acusações de corrupção em 2025?
Mas quem se pode espantar?
O povo teme denunciar, dado que as consequências, todas elas, são gravosas.
O povo, na sua ignorância, não sabe como reclamar e a quem.
Muitos cidadãos não sabem a quem recorrer ou desconhecem os mecanismos seguros e anónimos disponíveis para reportar situações.
A tentativa de se conhecer um caso de hipotética corrupção é logo barrada por justificativas nojentas como o anonimato do acusado.
Se alguma acusação é feita, logo se procura encontrar todas as justificativas para a denúncia terminar - dar a conhecer aos implicados a acusação, denunciar os acusadores, falta de investigação e o social porreirismo.
Em resumo, existe um medo significativo de sofrer consequências negativas, como assédio no trabalho, despedimento ou perseguição pessoal, o que inibe potenciais denunciantes.
Depois, o povo português tem a percepção de que as denúncias "nunca resultam em nada" ou que a justiça é ineficaz, o que leva à descrença no sistema.
Os crimes de corrupção são difíceis de investigar. Frequentemente, não existem vítimas diretas que denunciem, e aqueles que têm conhecimento dos factos (testemunhas) são, muitas vezes, beneficiários do esquema.
Assim, num país de corrupção extrema, a quem admira só terem havido dez acusações?
E quantas seguiram os trâmites judiciais?
