sábado, abril 18, 2026

A crise de 69

Lembrar a crise de 69 em Coimbra é um contributo necessário para se entender o que estava para acontecer. O 25 de Abril de 74 teve, queiram ou não certos anormais, origem também na crise de 69. 
A ditadura perdeu para sempre o domínio da Universidade e quiçá de todo o ensino superior em Portugal. 
Faltou a unidade com o operariado, camponeses e pescadores. Disso também importa refletir no que aconteceu depois de 25 de Abril de 74.Felizmente vivi como adolescente a crise de 69. 
Que momentos únicos e de esperança do fim da ditadura.
Lembro-me de que todos os acontecimentos na universidade tiveram repercussão mesmo no ensino secundário. 
A minha turma fez greve às aulas de uma professora. A resposta não se fez esperar por ordem de um reitor, cópia dos ditadores de então. Mas as consequências não importam; o que mais quero realçar é a forma como a professora reagiu à nossa tomada de posição. À porta da sala, virou-se para os alunos em greve e disse em alto e bom som: «Nada a admirar quando uns estudantes insultam um presidente da República», referência aos acontecimentos ocorridos aquando da inauguração do edifício das matemáticas.
A repressão foi violenta. Coimbra foi sitiada. A brutalidade das forças policiais é indescritível. Bufos e pides por todo o lado. "Ajuntamentos de mais de uma pessoa", anunciavam em megafones os estúpidos e idiotas, "não eram permitidos". E o final para muitos alunos, que se manifestaram foi a integração obrigatória nas Forças Armadas e enviados para a guerra. 
Os nojentos não perceberam que estavam a cavar a própria sepultura.