Alexandre O'Neill publicava em 1960 o livro "Abandono", que incluía o "Poema Pouco Original do Medo".
O poema retrata a atmosfera sufocante de vigilância, censura e repressão da PIDE, em que a paranoia e o medo se entranham no quotidiano de todas as classes sociais.
Ora, hodiernamente certa comunicação social afeta aos poderes instalados, os generais, brigadeiros e coronéis ávidos de sangue, e ainda os das célebres batalhas navais inventam ataques dos russos à Espanha, França e Alemanha. A paranoia do medo, que O'Neil falava noutro contexto, surge também noutras classes sociais que já imaginam encabuzados e carrinhas paradas junto a bases militares como potenciais ataques a essas estruturas. Nada é encontrado, mas o pânico alastra-se.
Até os serviços secretos, que de secretos só parecem ter o nome, dão a conhecer ataques iminentes. Onde metem o secretismo que, em princípio, devia ser apanágio dos tais serviços?
A sempre secreta CIA anuncia tais ataques. Os serviços «secretos» ingleses anunciam que a Rússia, apesar das tais ameaças, dizem que a Rússia está sem «chips» e vai tirá-los de todos os eletrodomésticos para fabricar armas. Em que ficamos? Têm armas ou não têm?
Já se percebeu, e o discurso da dona da União Europeia, que ninguém elegeu, além da quadrilha que a acompanha, já veio meter mais medo aos pobres cidadãos europeus.
Não lhes bastava a crise energética, o desemprego, a inflação, a dívida dos estados e tantos outros graves problemas; ainda têm que ouvir uma lamúria cretina da «patroa» a avisar que vêm aí os russos!
Tudo serve para agitar as águas para parecerem mais profundas e, desta forma, justificar os milhões gastos em armamento em detrimento dos apoios sociais e combate à crise.
A forma de atuarem já é conhecida.
Nada a enganar,
