A propósito da frase «elegante mesmo é saber pronunciar estes verbos», lembrei-me da célebre história que o talentoso escritor da língua portuguesa, Ariano Suassuna, contava sobre o que o tal «senso comum» diz ser cultura.
O caso aconteceu no Rio de Janeiro, num jantar na casa de um casal abastado, logo após Suassuna tomar posse na Academia Brasileira de Letras.
Durante a conversa, a anfitriã da casa virou-se para ele e perguntou, com enorme intimidade: "O senhor, naturalmente, já foi à Disney, não é?"
Sem entender bem a abreviação, o escritor paraibano perguntou: "Já foi aonde?", ao que ela repetiu: "À Disney". Quando ele percebeu que ela falava da Disneylândia, respondeu que nunca tinha ido.
A reação da senhora foi de um choque absoluto. Segundo as palavras do próprio Ariano.
Diante disso, Suassuna concluiu, de forma genial, que aquela senhora "dividia a humanidade em duas categorias: quem foi à Disney e quem não foi".
Para a elite dita social, a discussão não é sobre o nível intelectual das pessoas, mas sim sobre o nível económico.
O escritor Walter Hugo Mãe tem um livro que aconselho vivamente: o século dos imbecis.
Mas voltemos à conjugação de certos verbos.
Aprenda-se.
