A última reunião do executivo camarário da Guarda confirmou o que os guardenses já sabiam: a Câmara Municipal da Guarda transformou-se, por obra e graça de Sérgio Costa, seu presidente, numa imobiliária. E pior, muito pior, hipoteca a cada nova aquisição o futuro das gerações vindouras.
Agora já nem é a pronto pagamento, tudo a prestações. Isso mesmo, a Câmara Municipal compra a prestações.
Falta de tesouraria? Conveniência de serviço? Empréstimos adiados?
Exigia-se uma explicação.
Mas não há. Tudo no segredo do feudo.
Só na última reunião do executivo camarário foram aprovadas a compra por atado de três imóveis num valor próximo dos 1,5 milhões de euros.
Coisa pouca para quem já tem uma carteira recheada de imóveis, muitos deles em completo abandono e a cair. Como já aconteceu num imóvel.
Se não há capacidade financeira para recuperar os imóveis antigos, como explicar novas aquisições?
Estranho, muito estranho.
O presidente do município justificou o investimento com a necessidade de revitalizar as zonas da cidade onde se situam tais imóveis.
E como?
O presidente fala na instalação de serviços públicos e mais habitação. Saberá a excelência que em nenhum lado a instalação de serviços determina qualquer revitalização? Os serviços encerram e a desertificação verifica-se. É só estudar.
Mas o mais chistoso foi a deliberação da compra de um imóvel que é propriedade de uma empresa que detém dois órgãos de comunicação social na cidade.
"À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta", senhor presidente.
Adquirir um imóvel que, segundo palavras do vereador do PSD, tem um custo de 800 mil euros, e a Câmara vai pagar durante 4 anos, 18 mil euros por mês, é, convenhamos, no mínimo para ser investigado.
Os munícipes da Guarda sentem que lhes estão a ir ao bolso. Inventem-se todas as justificações, plausíveis ou não.
Referir que os vereadores do PSD votaram contra as propostas de compra dos imóveis e o único vereador do PS votou favoravelmente.
Para memória futura.
