sexta-feira, março 25, 2022

Ontem não houve guerra

Tal como na rábula do inesquecível Raúl Solnado, ontem não houve guerra.
A guerra parou.
Só futebol e o beija mão dos porcos mandantes na Europa ao supremo hipócrita e assassino, não há só assassinos de um lado, chefe americano.
«O ser, no topo da cadeia alimentar, em face de sua ganância e egoísmo, foi capaz de: matar presidentes de Estados Falidos para instalar no poder, fantoches que atendessem aos interesses de corporatocracias; financiar golpes de Estado para a derrubada de líderes socialistas; arrasar inocentes e o meio ambiente do terceiro mundo, despejando em rios e no ar, os lixos tóxicos proibidos em regiões desenvolvidas; forjar atentados terroristas para justificar ofensivas à pontos geográficos estratégicos; viciar multidões com drogas lícitas e ilícitas; envenenar multidões com alimentos produzidos a base de substâncias químicas nocivas a saúde.» - Eduardo, A Guerra não Declarada na Visão de um Favelado, 1.ª edição, São Paulo, Carlos Eduardo Taddeo, 2012.



quinta-feira, março 24, 2022

poema

 O tempo é a flor da marijuana e as tardes tristes.

Toda a tarde um morto na principal praça. À
distância, o fumo azul de uma exumação no cemitério.
E neste café leio o amor de Jaime e de Gisèle.
Nas ruas da Baixa a cidade inventa pessoas vivas,
mas os anos são vasos de tédio e copos de gin num bar.
Sigo com o olhar o vento: é leve e azulado.
Uma flor salta-lhe da boca, uma boca excêntrica e
floral. Uma a uma as pétalas e as páginas vão sendo
espalhadas pelos jardins e cais. É o crepúsculo no mar,
por fim. Acendem-se as luzes, amarelas e ninfómanas.
Ouço num búzio a espuma imóvel. Respiro o tempo.
E os meus olhos em silêncio recordam Sapho numa
ilha.
 
 
 
rui diniz
ossos de sépia
noemas
língua morta
2022



Ponto de vista

 A grave crise energética que vivemos é de extrema gravidade quer ao nível dos preços que pagamos pelos combustíveis mas igualmente, como consequência, o aumento do custo de vida em especial dos bens de primeira necessidade. Dizer-se que a crise energética teve como causa a invasão da Ucrânia por um déspota é enganar o cidadão de forma descarada. Ainda não se falava de invasão e já os preços dos combustíveis aumentavam desmesuradamente todas as semanas. Lembrar que a partir de 2004, a produção global de petróleo entrou em declínio: ou seja, o pico máximo de capacidade produtiva global fora alcançado e não é previsível um retorno aos níveis anteriores. Entrou-se numa fase descendente irreversível, devido à real escassez de petróleo face ao aumento da procura global. Não se tenham dúvidas. Embora existam outras fontes energéticas, como o carvão ou o gás natural, estas não podem substituir inteiramente o petróleo por terem características diferentes. Aliás, tratam-se de recursos igualmente não renováveis. A não contingência da condição de escassez é o que diferencia a presente crise energética de outras crises energéticas da idade do petróleo, e especialmente as de 1973 e 1979, que foram causadas por acontecimentos de caráter político-económico e não por real falta de petróleo. De facto, a humanidade já conheceu várias crises energéticas na sua história, como por exemplo a crise da madeira na Europa do século XVIII, que se resolveu com a mudança para o carvão mineral e outros combustíveis fósseis, dando início à idade do carbono. Essas crises energéticas do passado, todavia, nunca tiveram o caráter global da presente crise, pois o nível de integração económica do planeta era bastante inferior ao de hoje. A total dependência da economia global de recursos fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral, todos não renováveis) torna a transição para recursos energéticos renováveis (sol, água, vento, plantas) cada vez mais urgente. Os recursos renováveis, porém, comportam mudanças de uso do solo e afetam a disponibilidade de outros recursos, como é o caso dos parques eólicos e fotovoltaicos e, em medida ainda maior, das barragens e dos agrocombustíveis. Uma visão crítica das questões energéticas deve portanto assentar na consciência de que a solução mais eficiente é a redução da necessidade de energia através de uma transição da economia para formas de produção e consumo sustentáveis. O Programa Ambiental das Nações Unidas define a “economia verde” como aquela capaz de produzir melhores condições humanas e equidade social, reduzindo significativamente os riscos ambientais e as “escassezes ecológicas”. A economia verde permitiria, supostamente, alcançar ao mesmo tempo uma baixa emissão de carbono, a eficiência energética e a inclusão social. Trata-se de uma formulação muito vasta de objetivos que, no atual regime técnico e económico-político, são de facto incompatíveis. Embora a reconversão do sistema económico para tecnologias “verdes” seja uma necessidade, essa reconversão não garante por si só nem uma maior equidade social nem a preservação de recursos naturais. Em muitos casos, a implantação de estruturas que incorporam tecnologias “verdes”, como a coincineração de resíduos, a energia eólica ou fotovoltaica, ou o transporte ferroviário, é objeto de disputas e contestação social por causa do impacto ambiental que elas geram nos contextos onde vão ser localizadas. Um caso emblemático é a energia atómica. A mais perigosa e poluente, logo fora da equação. Além disso, tais estruturas pressupõem o emprego de trabalho humano em condições pouco sustentáveis ou saudáveis, como no caso da reciclagem de resíduos sólidos urbanos. No caso português, lembrar que o governo fez, mais uma vez, figura de menino de coro, bem comportado, ao liderar políticas energéticas que agradam aos países que dominam a economia mundial e que se estão nas tintas para as alterações climáticas. Ser menino bem comportado trouxe consequências negativas para a economia nacional, entre elas, os prematuros encerramentos das centrais termoeléctricas de Sines e do Pego e da refinaria de Matosinhos. Desde que grande parte do sector energético foi alienado a interesses privados, incluindo grandes accionistas estrangeiros, Portugal ficou sem o efectivo comando de mais um sector estratégico da vida nacional. Mas isso não alienou responsabilidades políticas do Governo na definição de estratégias e mesmo na concretização de medidas. O voluntarismo político do Governo, que denota ter como único propósito fingir que o País está no pódio do combate às alterações climáticas, não levou em linha de conta a realidade concreta e complexa da interdependência energética, no plano nacional e europeu. Ao longo deste percurso de insanidade económica, não se teve em conta a complexa interdependência energética, no plano europeu, para as suas lógicas de mercado e para o modo acelerado e irrealista com que os governantes iam assumindo metas, sem nenhum respaldo na realidade. Foram sendo ignorados, por imbecilidade ou por hipocrisia os alertas quanto à relação entre a política energética e a instabilidade sócio-económica, que decorria da transição e foi agravada pelas consequências do conflito entre a Rússia e Ucrânia. Mas também não pode ser ignorada a situação no Norte da África, região de origem de parte substancial das importações nacionais de gás natural, e que raramente é referida em análises deste tipo. Face à grave crise energética e às mais nefastas consequências que advirão, 2022 será certamente um dos piores anos para os portugueses e restante população mundial se os vários conflitos não pararem pois a inflação vai disparar, a economia tenderá para a estagnação, a pobreza e as desigualdades vão aumentar ainda mais.

Tenham uma boa semana.

(Crónica Rádio F - 21 de Março 2022)

Realidades

A podridão de um país.
Ainda vai haver tempos mais difíceis, não se iludam.



As romarias

É fartar vilanagem.
Que se promova o concelho de forma criteriosa e com objectivos bem claros e transparentes nada contra.
Agora que se aproveitem viagens para gozo pessoal e dos confrades com o dinheiro que não lhes pertence é ROUBO.
Ora 11 autarcas do distrito de Aveiro foram aos Emirados Árabes Unidos visita a Expo Dubai e promover(??) a região. Mas só que houve tempo para o lazer no deserto. 
Em nota de imprensa, a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro adianta que o primeiro dia foi dedicado à visita da Expo Dubai 2020, com enfoque especial ao Pavi­lhão de Portugal, onde foi rece­bida pelo director do pavilhão e onde, cada um dos onze autarcas, assinaram o livro de honra. 
“De forma organizada, foram visitados os pavilhões da Alemanha, Arábia Saudita, Kazaquistão, Suécia, Suíça, entre vários outros”, enumera.
Dizer que entre os autarcas viajaram os putativos Salvador Malheiro, o delfim do Marcelo, e o Ribau Esteves.
Gostei particularmente da «forma organizada». 
O que diz tudo!
Há também formas desorganizadas? Claro que há para se fazer referência ao facto, tudo dito.
É fartar vilanagem que o dinheiro é dos contribuintes.



Gostei

 


Governo de nomes

E, finalmente, há nomes para o governo.
Alguém deu por falta deles?
Nada. 
A seca acabou, já chove!
A pandemia já acabou nas palavras dos cretinos.
E o país vive na maior paz podre que alguma vez aconteceu.
Mas lá chegaram os nomes...
Não vou ser lambe botas nem bajulador das nomeações como o fizeram, de forma escandalosa, os canais do lixo.
Costa tem o direito, numa democracia representativa, de nomear quem quer ou quem deseja ir para a mesa maior da festa. 
Os mais incompetentes lá continuam. 
E os que saíram deram a cadeira a parceiros do jogo das incompetências.
Os que juravam a pés juntos que nunca iriam para o governo lá estão. «Quem desdém do barco é porque quer embarcar» já é ditado antigo.
E embarcaram. 
E a remos ou de marcha a ré lá chegaram a ministros os que com todo o gosto ocuparam lugares que ninguém quis.
Competência? Nenhuma.
Nesta amálgama só faltou um Cabrita. Mas vai chegar. Esperem pelo desenlace e depois falamos. Não um, mas vários.
Achei piada aos donos da pocilga, quando chegou o homem do balde, terem referido que no elenco estão lá todos os delfins do Costa. 
Ou seja, a vianda vai ser servida cheguem-se à frente!
Quem tiver mais desempenho fica com o melhor naco e será coroado e glorificado.
Já quanto à indicação de um SS para presidente da AR tudo dito. Prepotente, arrogante, cínico e tudo o mais que fará do lugar, dito na democracia representativa a segunda figura do Estado, um Napoleão à escala do país. Não queria ficar no governo porque queria voltar à escola. Mas para o lugar de dono da AR já não se importou da escola.
Dizer mais alguma coisa? 
Para quê?
E assim continua, serenamente, sem injustiça e sem cólera o progresso da decadência.



Agiotagem

Nem com lucros de milhões respeitam os direitos dos trabalhadores. 
O DIREITO AO TRABALHO.
É a nova faceta do capitalismo, o recurso às tecnologias para substituir trabalhadores.
Só que, de vez em quando, apanham pela medida grossa.



O fanfarrão

E a carta nem ao Garcia chegou...
Foi pela comunicação social que um Marcelo soube da composição do governo de um Costa.
Marcelo cancelou logo a tal audiência para receber a «cartinha».
O último a saber é uma chatice dos diabos. 
Mas Costa, fanfarrão e a quem não cabe um chicharro no cu, como dizem na terra da minha avó, lá veio com as tretas do costume.
«Houve uma fuga de informação»! 
Mas que fuga? 
Queres fazer dos outros acéfalos?
Toda a gente sabe como se pagam favores a certa comunicação social.
Cuidado Costa! 
Já vi muitos fanfarrões poderosos a serem apeados dos pedestais e, muito mais quando são de barro assentes em nojento lodo.



quarta-feira, março 23, 2022

Zotes

A pesporrência, a estupidez, a arrogância e a soberba dos zotes ditos directores.
Ainda não se percebeu que este modelo de gestão das escolas NÃO SERVE?
Imbecis e ignorantes.



A podridão do país

O Estado foi penhorado por não pagar indemnização a inocente preso.
E ainda há canalha parasitária e porca a dizer que o estado é pessoa de bem e um esto de direito?
O que se vai ensinando em certas faculdades é só palha.
Como dizia o meu professor de História palha só a de Abrantes.
Mas como burros comam a que vos apetecer. Saciem-se à vontade.



A América tranquila

Tiroteios na América?
Não isto só acontece no leste da Europa.
Armas de fogo? Recolher obrigatório?
Não, não é na América.
Biden diz que isto é uma mentira dos russos ou dos chineses para dar cabo do bendito sistema capitalista.
Diz covarde.



A mentira como alimento

Quando certos papagaios gananciosos querem subverter a História tudo lhes serve.
Até a mentira e a difamação.
Uma editora deve ter em conta o que se escreve. Mas também os pasquins.
Difamar é algo que pertence ao ADN da corja mentirosa.
Nada se estranha.
O que se estranha é não haver processo crime contra o ultraje.
Impunes como sempre.



Visitas

Quando não há mais nada para fazer vão a casa do Rendeiro.
Tomar chá e comer uns scones?
Ou ver as gatas?