Ao abrigo do direito de resposta, publicamos um comunicado que nos chegou à redacção (dar um clique na imagem) assinado por várias associações de rameiras nacionais.
domingo, outubro 08, 2006
Nota de imprensa
Ao abrigo do direito de resposta, publicamos um comunicado que nos chegou à redacção (dar um clique na imagem) assinado por várias associações de rameiras nacionais.
sábado, outubro 07, 2006
Soares é fixe....

O ex-Presidente da República, Mário Soares, tem na sua casa de férias da Praia do Vau – Portimão, 4 agentes da PSP destacados diariamente e que lhe fazem segurança, 365 dias por ano.
Cada agente recebe 800 Euros por mês.
Quatro agentes recebem 3.200 Euros e, num ano, o Estado paga 38.400 Euros a quatro polícias para não fazerem rigorosamente nada, a não ser abrir o portão.
sexta-feira, outubro 06, 2006
Horas de Fax....

Depois dos voos da CIA sobre espaço aéreo português, da utilização de aeroportos lusos por aviões USA carregados de prisioneiros a caminho de Guantanamo, eis que surge mais uma submissão da UE à administração Bush.
Agora, a UE facilita aos Estados Unidos, sobre os passageiros que voam para este país, informações como o nome, a morada, os telefones de contacto, a forma de pagamento do bilhete, o número do cartão de crédito ou o itinerário completo da viagem, informação sobre passageiros frequentes (milhas acumuladas e em que viagens foram), agências e agentes de viagens envolvidos, endereço electrónico, ou lugar atribuído no avião, entre outros dados. São 34 (trinta e quatro) dados.
Os dados serão entregues ao Departamento de Alfândegas e Fronteiras dos Estados Unidos, que os poderá fornecer a outras agências de segurança dos EUA.
O acordo não explica quais, mas o FBI e a CIA são agências de segurança norte-americanas.
Por mim, estou à vontade Mr. Bush.
Já fui enviar-lhe um.....fax!!! espero que a mercadoria chegue bem!
Quem disse? Eu? Não ... não disse nada.

Este cromo continua a chamar aos Portugueses de surdos, ou então está mesmo armado em Quixote das intrujices.
Se bem se recordam, aqui há uns meses o cromo incitou os autarcas e o povo visense a "correr à pedrada" os fiscais do Ministério do Ambiente, essa rapaziada burocrata que impede a construção de obras necessárias ao desenvolvimento local.
Um dia depois de proferida esta enormidade, FR, na sua qualidade de presidente da Câmara de Viseu, disse que, afinal, tinha falado "em sentido figurado". "Não era para irem arranjar cestas de pedra para atirar aos vigilantes da natureza", explicou.
Hehehehehe!!!!!
Por estes dias, em pleno confronto político com o Governo por causa da nova lei das Finanças Locais, o presidente, ( sim o cromo é presidente da ANMP, não se deu conta?) ameaçou se os orçamentos das autarquias levarem um corte, a consequência será simples - as câmaras deixarão de apoiar as escolas, a GNR e outros serviços fundamentais à população.
«Alto e pára o baile da paróquia», disse o chefe dos pasteis de belém!!!!
Toca de chamar o mareante à cozinha real!
«Vamos lá ter juízo!!! Queres acabar a vender maçãs no rossio?»
«Já fiz um pacto entre o Sócrates e o Mendes para as finanças»
«Vai lá ao campus e faz aprovar esta moção!!!»
Ontem, FR desmentiu-se a si mesmo.
Não uma, mas duas vezes, o que não deixa de ser um feito "Nunca fizemos nenhuma ameaça".
Quem disse? Eu? Não....não disse nada!
Pois está claro. Não disse nada! Nós é que ouvimos mal!!!! Claro.
Oh! Maria traz aí cotonetes!!!
Xilófagos

O Governo já aprovou a proposta de lei das Finanças das Regiões Autónomas, diploma que o Executivo prevê um corte máximo de 3,2% em 2007 na transferência global de verbas para os Açores e Madeira.
De acordo com as estimativas do ministro das Finanças, as regiões autónomas da madeira e dos Açores vão receber sem IVA em 2006 por custos de insularidade e fundo de coesão, 465 milhões de euros
Em 2007, sem IVA, por custos de insularidade e fundo de coesão, as duas regiões vão receber 390,9 milhões de euros, o que representa uma redução de 5,9%.
Esta redução está a pôr os xilófagos em alvoroço.
Aqui ficam respigadas, absolutamente ao acaso, claro está, algumas das verbas da despesa deste orçamento para o ano de 2006, para a Madeira.
Então aqui vai:
- Festival de poesia do Porto Santo: € 301.338,00
- Restauração de órgãos de igrejas: € 1.534.694,00
- Campanha de imagem: € 9.838.173,00
- Material promocional: € 4.937.262,00
- Festa do fim do ano: € 64.720.184,00
- Promoção de provas automobilísticas: € 4.254.725,00
- Promoção do golfe: € 4.893,008,00
- Subsídios aos clubes de futebol «Marítimo» e «Nacional»: € 21.358.448,00
- Ajudas para as deslocações dos clubes de futebol «Marítimo» e «Nacional»: € 10.157.800,00
- Participação no capital das S.A.D.’s dos clubes de futebol «Marítimo» e «Nacional»: € 87.500,00
- Apoios a outros clubes de futebol: € 21.060.936,00
Total destas pequenas e singelas 11 rubricas: € 143.144.068,00.
Por coincidência, um valor próximo do tal aumento do endividamento líquido da Região Autónoma.
Mas é só coincidência, claro!
Esta do Fundo de Coesão e da insularidade está mesmo de ver para onde vai....
Ah! grande xilófago!!!!!
Assim, não há madeira que resista....
quinta-feira, outubro 05, 2006
O que é feito de si?

Pedro Rolo Duarte faz no DN, uma abordagem interessante sobre certos «fenómemos» jornalísticos.
«Apesar de ser pouco original, esse tipo de secções tem duas indiscutíveis virtudes: mostra-nos que o tempo não passa apenas por nós (o que constitui um alívio...), e prova-nos que a imprensa, quando quer ser profissional, não "deixa" que a "memória curta" tenha perna longa...»
Não vou falar da gripe das aves, das vacas loucas, dos nitrofuranos, do caso Afinsa.
Falo de consciências!
Ora, é precisamente a «perna longa», que nos levou a procurar nos arquivos uma carta de Daniel Sampaio, ontem crítico e muito bem do «estado da nação» mas, hoje servo do ME, verdadeiro acólito da sra. ministra.
Recordamos esse texto de 29 de Outubro de 2004.
Ao fim de dois anos:
«Que é feito de si?»
«Carta-aberta à geração dos meus filhos
Meus Amigos: Confio em vocês. Sou a favor do fosso intergeracional e adoro que os mais novos não concordem com os mais velhos.
As sociedades avançam por rupturas, as famílias crescem emocionalmente quando se confrontam sem se afrontarem.
Cresci numa família democrática. Os meus pais estimulavam a discussão com os dois filhos e não se importavam de gastar horas a defender os seus pontos de vista. Foi assim que aos 12 anos comecei a entender a democracia, quando o meu irmão, sete anos mais velho, me explicou Humberto Delgado. Não quero recordar-vos Salazar e Caetano. Sei que isso está fora do nosso (meu e vosso) tempo. Apenas quero reivindicar uma coisa: os corajosos da minha geração fizeram o 25 de Abril de 1974 para que vocês, geração dos meus filhos, crescessem em liberdade. (Capital)
Quando digo a alguém da vossa idade que, há trinta anos, não se podia dizer tudo o que apetecia, quase não acreditam. Compreendo: viveram a poder exclamar o amor e a saudade, a ternura e a raiva. Quando queriam, puderam romper, sem medo, com tudo com que não concordavam. É por isso que peço para estarem muito atentos. Não uso frases do passado, género «fascismo, nunca mais» ou «a democracia está em perigo». Não é verdade, e são expressões que vos causam tédio. Quero apenas dizer-vos que, se não ousarem, falharão no essencial: deixarão de construir uma sociedade melhor para os vossos filhos (nesse aspecto, os «velhos» não falharam, vive-se hoje bem melhor do que na juventude dos meus pais).
Pois bem: vejam o "governo" da República. Portugal transformou-se no paraíso dos humoristas. Existem tantas graças sobre os nossos "governantes", que se atropelam nas cabeças dos criativos de humor. E se tantas vezes não sabemos se a «Sit Down Comedy» de Luís Filipe Borges, neste jornal, ou as páginas do Inimigo Público são notícias a brincar ou descrições realistas, a verdade é que nos assalta a certeza de que Portugal vai mal. Nesta semana vi estudantes espancados e a levar com gás, como era habitual no meu tempo, mas julgava impossível no vosso tempo; ouvi o director-geral das Prisões a propor a redução das visitas aos presos, para melhorar o problema da droga no sistema prisional; e indignei-me com o ministro da Presidência a falar dos limites à independência, a propósito da televisão pública. Se deixarmos estes factos sem protesto, o risível "governo" que temos proporá mais: voltarão os jactos de tinta e mais prisões sobre estudantes; serão definitivamente proibidas as visitas aos presos, e o problema da droga no sistema será resolvido; os directores de programação das televisões e os directores de alguns jornais reportarão directamente ao ministro da tutela; o insucesso escolar acabará, graças a um despacho da prof. Maria do Carmo Seabra: todos os alunos com duas negativas no Natal serão automaticamente expulsos da escola. E o "governo" continuará a sorrir, centenas de conselheiros de imagem ajeitarão as gravatas dos ministros e o cabelo das ministras, todos dirão que tudo vai bem. Sei que vocês não aguentarão mais. Ouço-vos em toda a parte, por enquanto em surdina, em breve até que a voz vos doa. E por isso vos peço: ajudem a derrubar este governo. Pela verdade e dignidade da vossa geração. Para que, tal como os vossos pais quando contaram 1974, possam dizer aos vossos filhos: sabes, fizemos um segundo 25 de Abril, só com arte e coragem, e o governo foi-se embora. Com toda a v(n)ossa força.
Daniel Sampaio»
Ao fim de dois anos, esta carta tem plena actualidade.
Substituam-se os acontecimentos do tempo e modo de 2004 pelos de hoje e, verifiquem se há ou não a mesma razão à raiva, à revolta, à indignação.
A ousadia hoje paga-se cara, senhor Daniel.
São dirigentes sindicais que são atirados para uma reforma compulsiva, só porque ousaram, por exemplo, mas muitos e muitos outros casos existem.
Pois é senhor Daniel Sampaio, «a sua família democrática» não soube, não quis ou o senhor não aprendeu que as consciências não se domam, não se vendem a nenhum preço.
Que é feito de si?
quarta-feira, outubro 04, 2006
O Index

A imprensa noticia que “um documento secreto do Vaticano, elaborado pelo então cardeal Joseph Ratzinger, o actual Papa, terá sido utilizado durante 20 anos para instruir os bispos católicos sobre a melhor forma de ocultar e evitar acusações judiciais em caso de crimes sexuais contra crianças.”
A existência desta cartilha secreta foi divulgada pela BBC, num programa intitulado Panorama. Naturalmente que a divulgação deste documento, que “impõe um pacto de silêncio entre a vítima menor, o padre que é acusado do crime e quaisquer testemunhas ou pessoas a par do ocorrido”, sob pena de excomunhão, está a causar a maior celeuma.
Vão ver o programa da BBC. Está aqui.
Será que desta vez também há várias interpretações do discurso, quer dizer da cartilha?
A Frase da semana....
Um milhão de portugueses vai demorar 45 minutos para chegar às urgências!Empresas Municipais

Já era do conhecimento público, que as empresas municipais são para além de um sorvedouro e de esbanjamento de verbas, um meio que as estruturas partidárias locais encontram para consolidarem o seu caciquismo e a sua área de «influência».
Agora, ficou-se a saber, de forma inequívoca que tudo isto é uma verdade bem triste.
Isto sim, digno de um país do terceiro mundo!
Segundo uma auditoria da Inspecção-geral das Finanças (IGF), recentemente divulgada, às remunerações dos gestores municipais entre 2002 e 2004, foram detectados muitos salários acima do permitido por Lei e muitas outras irregularidades.
No mapa nacional, o distrito da Guarda aparece em 4º lugar, com 12 empresas municipais, sendo que a EM Celoricense (Celorico da Beira) aparece entre as que mais generosamente remuneram os seus administradores.
Mais uma posição que nos destaca a nível nacional, mas pela pior das razões!!!!
Mas a situação nesta área mudou radicalmente desde então, existindo actualmente mais de 20 empresas municipais por todo o distrito.
O estudo da Inspecção-geral de Finanças às remunerações dos gestores municipais entre 2002 e 2004 identificou várias situações irregulares.
Além do pagamento de remunerações acima do permitido por Lei, há registo do recurso abundante a pagamentos acessórios de muitas decisões sobre o próprio salário, ajudas de custo, representações e muitos outros emolumentos paroquiais.
No mapa nacional, o distrito da Guarda aparece em quarto lugar, com 12 empresas municipais, sendo que só é ultrapassado por Lisboa (33), Porto (22) e Braga (14).
Segundo o mesmo relatório, os administradores mais bem pagos desempenham funções em empresas detidas pelos municípios de Gaia, Braga e Celorico da Beira. Na lista das empresas municipais mais generosas está a EM Celoricense, onde o salário-base rondou os três mil euros.
O patético da situação é que a Câmara está praticamente(?) falida e a contar os cêntimos até não se sabe bem quando.
Mas há mais conclusões a retirar.
É o caso do pagamento de remunerações acima do previsto aos eleitos locais(presidentes de câmara e vereadores) que acumulam funções nas autarquias e nas empresas e de salários superiores a 75 por cento do salário do Presidente da República.
Que bem que sabe......
O documento da IGF detecta ainda incoerências na lei.
Enquanto, que a lei que regula o funcionamento das autarquias, atribui essa competência à Assembleia Municipal, já a lei das empresas municipais dá às câmaras e às associações de municípios esse poder.
Mas quem manda? Poder dentro de outro poder?
Da trapalhada legislativa, à boa maneira sul americana, resulta que, em 79 empresas, os salários dos administradores foram decididos pelas câmaras que criaram as empresas municipais.
Apenas em 18 empresas o estatuto remuneratório foi deliberado pelas Assembleias Municipais.
Em Vila Nova de Foz Côa, foram «contratados» mais dois novos administradores para empresas municipais.
Logo a autarquia, dando uma de «democrata», levou as remunerações à Assembleia Municipal.
Esqueceu-se, no entanto, de fazer o mesmo aquando da «contratação» dos administradores.
Proponha-se um aumento de mais de 20% acima da remuneração de um director financeiro.
Só que a maioria ps não funcionou.
E, a proposta foi «chumbada».
Ainda há maiorias que não vão em «cantigas»....
terça-feira, outubro 03, 2006
Serviços de terceiro mundo!
Homeopatia: método terapêutico baseado na ideia de que os sintomas das doenças devem ser combatidos com reduzidas doses de medicamentos que produzam sintomas semelhantes em indivíduos sãos.Os serviços da câmara da Guarda são o paradigma de um país do 3.º mundo.
O modelo baseia-se na ostentação, aparente, de uma estrutura inocente e límpida.
Puro engano!
Faz lembrar certas «damas» que aparentam belo aspecto mas, à primeira tentativa de tirar a roupa surge um corpo decrépito, porco que já não sabe o que é água há muito tempo.
Entrando no átrio da recepção surge o atendimento «personalizado».
Sorrisos e solicitudes de umas «hospedeiras» dignas de uma viagem em «turística» para as praias paradisíacas do Brasil!!!!
Mas que Paraíso?
O contribuinte, o utente da câmara paga, e bem, mas com sorrisos.
Se o destino do viajante é uma ida aos gabinetes superiores, sim nisto de pagamentos e conversas, há as suas regras e .....hierarquia, o cidadão é presenteado com um cartão, não vá o incauto visitante perder-se no emaranhado dos corredores e das burocracias.
Quem quer pagar a conta da água, bem aqui fica-se o cidadão pelo rés-do-chão.
Tira uma senha do tipo «carne pro talho» e.....aguarda!!!!
Aguarda, aguarda e desespera!
Mas tudo está devidamente pensado.
Há uns bancos tipo «jardim» que permitem o descanso.
Mas, desiluda-se, só há lugar para uns quantos. Os outros, bem os outros esperem de pé!!!
Só resta admirar a paisagem!
As tendas, tipo parque campismo da somália, onde as funcionárias vão recebendo os contribuintes a um ritmo de tartaruga grávida.
O fernesim dos utentes que vão entrando nesta viagem louca, é absolutamente patética.
Contrasta com o tempo de espera.
Todo este espectáculo, vá lá saber-se porquê, lembra-me a tourada do Fernando Tordo.....
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega...
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões...
Oléeeeeeeeeee!
Demora-se três quartos de hora para pagar a conta da água!!!!
Por fim, o marcador indica 76!!!!!
É a minha vez.....
Homeopatia precisa-se urgentemente na câmara da Guarda!!!!
Em péssimo Português!!!!!
domingo, outubro 01, 2006
A Declaração de Bolonha vista sem o "filtro" neo-liberal
Provavelmente alguns dos leitores deste blog já estão a par do verdadeiro carácter do Processo de Bolonha e dirão que já estão fartos de textos a criticar este mesmo processo. No entanto, esta exposição de argumentos é vocacionada para as pessoas cuja única informação que têm sobre Bolonha é aquela "filtrada" pela retórica neo-liberal.Primeiro que tudo, temos que ver o background do proceso de Bolonha, ou seja, as suas origens: a verdade é que o processo está enquadrado numa ofensiva neo-liberal, ao nível europeu, que pretende privatizar por completo os serviços públicos. Os protagonistas desta ofensiva são vários: UNICE (patronal europeia), OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico), a ERT (European Round Table of Industrialists), OMC (Organização Mundial do Comércio), o Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) e, por fim, a Comissão Europeia. Todas estas organizações e acordos preconizam uma lógica de desresponsabilização do Estado sobre os serviços públicos e consequente privatização. A criação do Espaço Europeu para o Ensino Superior (EEES) assenta precisamente nesta lógica. O EEES é uma clara adaptação dos princípios de livre circulação de pessoas e mercadorias presentes nos tratados constitutivos da CEE e o processo de Bolonha reflecte claramente estes princípios.
Por isso, não se deve ver Bolonha como um processo separado e sim como uma parte integrante das políticas neo-liberais da Europa capitalista.
De forma a elaborar uma crítica eficiente, é necessário desmontar o principal argumento que sustenta a defesa da aplicação do processo de Bolonha, a suposta "mobilidade".Esta tão apregoada "mobilidade" não passa de uma farsa e constitui uma ilusão para os estudantes. Neste momento, é já possível através de vários programas (por exemplo, o programa Erasmus) e, no entanto, apenas 1% dos estudantes portugueses usufrui desta possibilidade. Porquê? Simplesmente, porque não têm dinheiro. Vir falar de "mobilidade" quando grande parte dos trabalhadores portugueses não tem hipótese de sistentar a formação superior dos seus filhos demonstra hipocrisia ou uma grande alienação da realidade social portuguesa.
Para fazer uma crítica objectiva do processo de Bolonha, é imperativo fazer uma análise do assunto mais "espinhoso" e objecto de desinformação por parte do governo e dos media: a divisão dos cursos em 2 ciclos.Na maior parte dos cursos, o 1º ciclo irá corresponder a três anos. É caracterizado por uma formação puramente generalista e insuficiente. O 2º ciclo corresponderá a uma formação mais técnica e especializada. Se é verdade que o 1º ciclo é completamente generalista e incompleto, é também verdade que o 2º ciclo será inacessível a grande parte dos estudantes. A propaganda neo-liberal diz-nos que haverá segundos ciclos de continuidade para todos os cursos e que as propinas não subirão, mas é de realçar que estas garantias vêm dos mesmos mentirosos que no passado nos asseguravam que as propinas não iriam aumentar e no entanto, hoje em dia, pagamos cerca de 900 euros em propinas. Mas, mesmo que estes mentirosos nos digam a verdade e as propinas do 2º ciclo não subam, o que dizem eles das limitações impostas no acesso ao 2º ciclo? Refiro-me às limitações quantitativas (numerus clausus) e qualitativas (médias de acesso).
É um facto que esta divisão em 2 ciclos é uma clara elitização do ensino superior. O 1º ciclo é uma formação insuficiente e o acesso à formação adequada (2ºciclo) será privilégio de alguns.
Outra característica do processo de Bolonha é a implementação do Sistema de Créditos Europeus (ECTS). A aplicação do sistema ECTS estabelece aproximadamente uma carga de 40 horas por semana e entre 1500 e 1800 horas por ano.
Com este sistema, torna-se completamente impossível o estatuto de trabalhador-estudante, além de acabar com a possibilidade de o estudante realizar outras actividades complementares da vida académica.
Este sistema de créditos vem acompanhado de uma filosofia, mais retórica do que real, que surge nas universidades sem que haja formação do aluno nestes novos métodos durante o ensino secundário. Muito provavelmente, este sistema levará também, inevitavelmente, ao despedimento de vários docentes.
Depois desta análise do processo de Bolonha sem o "filtro" de informação da burguesia neo-liberal é legítimo usar um argumento muito simples: Bolonha é a antítese do que deve ser a nossa reivindicação, sendo essa reivindicação um Ensino Público, Gratuito e Universal.
É imperativo, portanto, que repudiemos este processo na sua totalidade e lutemos contra a sua aplicação.


