A semana que findou ficou indubitavelmente marcada pelo anúncio da presidente do conselho de administração da Unidade de Saúde Local, da Guarda, sobre um pedido feito ao bispo da diocese para dispensar a tempo inteiro um padre para desempenhar funções de cuidados do espírito na referida unidade.
Não está em causa a religiosidade de cada um, mas perder-se tempo a criar a ilusão de que os problemas na saúde em Portugal se resumem a uma contratação de padres é um completo desrespeito pelos cidadãos, todos eles, independentemente da religião professada ou não.
Os problemas a nível da saúde, ou melhor, da falta dela, são muito mais graves do que os problemas do espírito, seja lá o que quiserem que seja. Lembrar que Portugal é um país laico. Trazer para a praça pública temas sem qualquer ligação à realidade do problema, já que é por isso que pagam à senhora presidente da administração, é uma forma ardilosa de esconder os problemas graves que vão acontecer na saúde em Portugal. Lembrar à senhora presidente alguns dos problemas, pois parece desconhecê-los.
A situação no Serviço Nacional de Saúde, do qual a senhora presidente faz parte e depende, agravou-se ainda mais em 2025. E o governo quer a submissão dos agentes governamentais no terreno, submeteram-se e anuíram a tal agravamento sem piar.
Os utentes do Serviço Nacional de Saúde aumentaram em mais de 40 mil e, em contrapartida, os médicos diminuíram mais de sete centenas.
A remuneração base média dos médicos subiu apenas 0,5%, mas a inflação foi de mais de 2%. Como consequência, os médicos mais qualificados e com maior experiência do Serviço Nacional de Saúde, estão a abandoná-lo por aposentação, ou para o setor privado, a emigrar, ou então a passar para “part-times” para trabalharem no setor privado e assim completarem as remunerações baixas do Serviço Nacional de Saúde.
Em 2011, a remuneração base média dos médicos era cerca de cinco vezes superior à média dos assistentes operacionais, mas, em 2025, já era apenas um pouco mais de três vezes superior. A remuneração média destes está cada vez mais próxima da dos médicos. Vergonhoso, senhora presidente.
O Serviço Nacional de Saúde terminou 2025 com um prejuízo de mais de mil milhões de euros. Percebeu, senhora presidente?
A dívida total a fornecedores externos ultrapassou os dois mil milhões de euros.
Entre janeiro de 2018 e março de 2024, nos seis anos do governo de um Costa, a lista de doentes à espera de uma cirurgia aumentou em mais de 40 mil utentes, e em novembro de 2025, depois de dois anos de governo Montenegro, a lista de espera de uma cirurgia aumentou para além de mais de 27 mil.
Mas mais grave é o número de cirurgias que ultrapassaram o tempo máximo de resposta garantida. Com Costa, houve um aumento de mais de mil utentes, e com Montenegro já são mais de seis mil. E a situação não é mais grave porque os profissionais têm se disponibilizado para fazer um número crescente de horas extraordinárias para além do horário normal, sacrificando o seu descanso.
Os dados apresentados, é bom frisar, são oficiais, podem ser consultados em várias instituições e nem sofrem da famigerada e sempre usada fuga à cedência da informação por parte de certa gente que enche a boca com a transparência que apenas é propaganda primária.
A destruição do Serviço Nacional de Saúde feita por Costa e agora agravada por Montenegro por meio do sufoco financeiro devido à suborçamentação, ou seja, de orçamentos irrealistas, o que gera a desorganização e irresponsabilidade dos gestores e chefias clínicas, promovendo a promiscuidade público/privado que está a alimentar e a promover os grandes grupos privados de saúde, é que devia preocupar a senhora presidente da administração, nomeada pelo governo de Montenegro, e não andar a falar de padres e de curas do espírito. As patologias são de uma gravidade tal que não se resolvem com beatices e muito menos com o recurso ao obscurantismo de um povo.
Tenham uma excelente semana.
Os problemas a nível da saúde, ou melhor, da falta dela, são muito mais graves do que os problemas do espírito, seja lá o que quiserem que seja. Lembrar que Portugal é um país laico. Trazer para a praça pública temas sem qualquer ligação à realidade do problema, já que é por isso que pagam à senhora presidente da administração, é uma forma ardilosa de esconder os problemas graves que vão acontecer na saúde em Portugal. Lembrar à senhora presidente alguns dos problemas, pois parece desconhecê-los.
A situação no Serviço Nacional de Saúde, do qual a senhora presidente faz parte e depende, agravou-se ainda mais em 2025. E o governo quer a submissão dos agentes governamentais no terreno, submeteram-se e anuíram a tal agravamento sem piar.
Os utentes do Serviço Nacional de Saúde aumentaram em mais de 40 mil e, em contrapartida, os médicos diminuíram mais de sete centenas.
A remuneração base média dos médicos subiu apenas 0,5%, mas a inflação foi de mais de 2%. Como consequência, os médicos mais qualificados e com maior experiência do Serviço Nacional de Saúde, estão a abandoná-lo por aposentação, ou para o setor privado, a emigrar, ou então a passar para “part-times” para trabalharem no setor privado e assim completarem as remunerações baixas do Serviço Nacional de Saúde.
Em 2011, a remuneração base média dos médicos era cerca de cinco vezes superior à média dos assistentes operacionais, mas, em 2025, já era apenas um pouco mais de três vezes superior. A remuneração média destes está cada vez mais próxima da dos médicos. Vergonhoso, senhora presidente.
O Serviço Nacional de Saúde terminou 2025 com um prejuízo de mais de mil milhões de euros. Percebeu, senhora presidente?
A dívida total a fornecedores externos ultrapassou os dois mil milhões de euros.
Entre janeiro de 2018 e março de 2024, nos seis anos do governo de um Costa, a lista de doentes à espera de uma cirurgia aumentou em mais de 40 mil utentes, e em novembro de 2025, depois de dois anos de governo Montenegro, a lista de espera de uma cirurgia aumentou para além de mais de 27 mil.
Mas mais grave é o número de cirurgias que ultrapassaram o tempo máximo de resposta garantida. Com Costa, houve um aumento de mais de mil utentes, e com Montenegro já são mais de seis mil. E a situação não é mais grave porque os profissionais têm se disponibilizado para fazer um número crescente de horas extraordinárias para além do horário normal, sacrificando o seu descanso.
Os dados apresentados, é bom frisar, são oficiais, podem ser consultados em várias instituições e nem sofrem da famigerada e sempre usada fuga à cedência da informação por parte de certa gente que enche a boca com a transparência que apenas é propaganda primária.
A destruição do Serviço Nacional de Saúde feita por Costa e agora agravada por Montenegro por meio do sufoco financeiro devido à suborçamentação, ou seja, de orçamentos irrealistas, o que gera a desorganização e irresponsabilidade dos gestores e chefias clínicas, promovendo a promiscuidade público/privado que está a alimentar e a promover os grandes grupos privados de saúde, é que devia preocupar a senhora presidente da administração, nomeada pelo governo de Montenegro, e não andar a falar de padres e de curas do espírito. As patologias são de uma gravidade tal que não se resolvem com beatices e muito menos com o recurso ao obscurantismo de um povo.
Tenham uma excelente semana.
