Era bom que a decisão do Tribunal Constitucional fizesse jurisprudência para que acabassem de vez os segredos de certas atitudes dos donos dos poderes.
Como resultado, o que vai prevalecer será a leitura da Entidade para a Transparência de que todos os políticos têm de referir nas suas declarações únicas todas as empresas que tenham tido como clientes (com as exceções previstas na lei, nomeadamente para advogados).
De acordo com os registos da Entidade para a Transparência, desde que foi eleito como deputado em março de 2024, assumindo o cargo de primeiro-ministro logo a seguir, a 2 de abril, Montenegro entregou oito declarações de substituição e alteração.
Oito!!!
Montenegro continua a opor-se à divulgação pública das suas declarações.
Lembrar que, enquanto Montenegro recorria para o Tribunal Constitucional, a Entidade para a Transparência decidia suspender o escrutínio público a todos os outros políticos que detinham empresas, direta ou indiretamente.
Fazendo uso de um padrão de paridade de tratamento dos titulares na pendência desse mesmo recurso.
Ora, esta decisão do Tribunal Constitucional acaba agora também com esta suspensão de outros casos.
