Tudo gasto em falsos projetos que deram milhões a ganhar a alguns, que fizeram acreditar aos papalvos de sempre que havia estruturas bem projetadas e que nos ajudariam a resolver num ápice qualquer situação mais grave.
Tudo mentira.
Peçam-lhes responsabilidades. Qual quê? Calados, caladinhos e bardamerda.
E eis que os atuais e hipotéticos governantes fazem visitas, dizem umas «larachas» para enganar o Zé e a Maria, sempre acompanhados da comitiva local que vai segurando as velas e pesarosamente vai animando a populaça que sofreu com a desgraça.
Um autarca que teve de ir ao concelho vizinho para apanhar um governante e explicar o drama que se vivia na sua terra. Lastimoso.
Outro autarca pede para se racionar comida.
Lares sem comida para os idosos.
Dezenas de milhares de cidadãos na escuridão.
Falta eletricidade, falta água, faltam comunicações, faltam combustíveis, falta tudo.
A tempestade demonstrou e está a demonstrar a lentidão de procedimentos oficiais e a incapacidade de aprender com tragédias anteriores, incêndios e apagão.
Quem não se lembra da inoperância de um SIRESP? Voltou a acontecer. Ontem, muitas críticas ao SIRESP, hoje tudo se escamoteia. É a política do «passa-culpas».
Quem se esquece da necessidade das infraestruturas, nomeadamente as das telecomunicações, estarem no subsolo?
Nada se aprende.
Já estamos mais que habituados.
Não se aprende como não se exigem responsabilidades.
O regedor de Leiria diz só isto: "Vão ter que se adaptar a esta forma de viver". Mas que forma de viver? Vegetar? Já se vivia assim, só que com ilusões e números de circo para enganar incautos.
Chove em todas as instituições ditas oficiais, tribunais e escolas, algumas delas recentemente construídas ou reconstruídas.
Uma ministra abre os pulmões para a população e grita: "Querem acesso à internet, venham à câmara".
Que sentido de estado? O de fazer alarde à voz?
Ridículo. Mas o que não é ridículo neste nosso Portugal?
Linhas férreas cortadas: Beira Baixa, Beira Alta e linha do Oeste.
Passadas 24 horas após a tragédia, começam a chegar os carros dos ministros às zonas devastadas. Lastimam.
Lastimam e demoraram tanto a decidir-se pelo "estado de calamidade"? Inércia e inépcia só?
Falar pelo telefone? Que telefone, Leitão? Deixa de ser ridículo.
Leiria, o centro da tragédia, foi dado a conhecer ao governo pelo próprio presidente da câmara.
Que um candidato presidencial não queira falar da tragédia até se pode admitir. Mas, pelo que consta, o país não está sem presidente da república. Fugiu? Desapareceu? Ainda em convalescença? Diga alguma coisa. A parvalheira merece.
Não se compreende.
Será que haverá engenho e arte para se vencerem tantas e tantas tarefas para recuperar o sentido da vida de tantos cidadãos?
Sinceramente, não acreditamos.
Dizem que já falaram com o gabinete da toda poderosa presidente da Comissão Europeia. Mais milhões? Para quê? Para quem?
Lembrem-se, ontem foi em Leiria, um dia pode acontecer na vossa localidade.
Haja solidariedade, pelo menos.
