sexta-feira, janeiro 23, 2026

Cultura de violência juvenil?

Explique-se, senhora ministra da Administração Interna.
Durante um debate parlamentar sobre os casos da esquadra do Rato e o alegado envolvimento de um agente da PSP no grupo neonazi 1143, a ministra Maria Lúcia Amaral disse haver uma espécie de cultura de violência, sobretudo em escalões mais jovens, em escalões dos jovens agentes, como em todos os jovens. Como é, senhora ministra? "Cultura de violência em jovens agentes"? Que tipo de seleção é feita? Que tipo de formação é dada? Quer enganar quem? Acha que dizer que o Ministério da Administração Interna está atento a essa cultura de violência e em "diálogo permanente" com as hierarquias da PSP e GNR tranquiliza os cidadãos? Quer que lhe lembre os casos com imigrantes no Alentejo e outros? Juvenis? A senhora ministra frisou que "os factos horríveis" da esquadra do Rato remontam a outubro de 2024. Estamos em finais de janeiro de 2026, entende? A fita do tempo diz-nos tudo, senhora ministra, não preciso de dizer mais nada. Lembrando, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP só em fevereiro de 2025 toma conhecimento dos ditos "factos horríveis" e são comunicados ao Ministério Público em março de 2025, em junho de 2025 são decretadas as medidas de coação de prisão preventiva para os dois agentes e em janeiro de 2026 é deduzida acusação. Melhor que isto nem a fabulosa fábula da "tartaruga e a lebre" do não menos famoso Esopo. Diz a senhora ministra que, neste momento, "é preciso ter mais atenção, cuidado e exigência nas escolas", considerando que se deve ter "muito cuidado" com a avaliação inicial que se faz aos novos candidatos. Agora? Só agora? E os que já lá estão a "infectar e a conspurcar"? Sabe, senhora ministra, o problema é muito mais profundo e tem raízes estruturais, educacionais e comportamentais, e não são exclusivos dos jovens.