Este testemunho de Maria, uma investigadora da Fundação Champalimaud, só nos pode envergonhar.
Que não haja dúvida de qualquer espécie voltámos aos tempos da escravatura.Covardes, canalha, ordinários, fabricados pela burguesia que nos diz governar!
A investigadora foi detida e saiu algemada após uma visita à AIMA (Autoridade para as Infra-Estruturas de Migração e Fronteiras).
Foi à AIMA tentar renovar o título de residência, que acabou em janeiro — intenção motivada também pelo desejo de visitar o seu avô.
A espera na fila da Loja da AIMA, nos Anjos, é um relato assustador, monstruoso e insultuoso para qualquer cidadão.
Nojento!
"Para conseguir um lugar na fila é preciso ir no dia anterior. Às 8 da noite, pus o nome na lista para ser atendida na AIMA”, afirma, referindo-se à forma criada pelos próprios imigrantes para manter a ordem da fila.
Mesmo assim, quem quiser um lugar, tem que pernoitar no local. “Existiam pessoas a dormir no chão em cima de cartão, para não perder o lugar”, conta a investigadora!
Por volta das 6h00 da manhã, a polícia chegou. “Colocaram grades para não parecer que éramos sem abrigo. Havia pessoas que estavam lá havia 12h00, sem água, sem ir à casa de banho, sem lugar para sentar. Havia idosos e mulheres que amamentavam crianças. Tínhamos que ficar de pé”, revela. Segundo a investigadora deveriam ser cerca de 100 pessoas à espera da AIMA.
Maria acabou por ser atendida 14 horas após chegar na fila. Mais tarde informou que pretendia falar com alguém da área da informática, para ver se seria possível resolver a situação. A funcionária mandou que saísse do posto ou chamaria a segurança. “Eu chorava. Não podia sair dali sem nenhuma informação”, diz.
Acabou então arrastada para fora da AIMA, onde ficou por pouco tempo, sendo depois levada para a esquadra.“Fiquei com marcas vermelhas nos braços e com arranhões devido às algemas. Eu não tinha feito nada de errado, não tinha quebrado nenhuma lei. Achava que, na Rússia, isto poderia acontecer, mas não em Portugal”, recorda.
Maria precisa do visto para se encontrar com o avô, que está com cancro, e vive na Crimeia, um território ucraniano anexado pela Rússia. Como a Crimeia está desde 2014 sob sanções, devido à invasão russa, os avós não podem viajar para os países da União Europeia. Por seu lado, Maria está impedida de sair do país, porque não consegue renovar o seu título de residência, que venceu em 17 de janeiro deste ano.
Isto é um país?
Não!
Isto é uma selva onde os predadores são mais que muitos para matarem seres indefesos.
Nojo de país.