sexta-feira, novembro 06, 2026

O "Anselmo"

 Seria anedótico se não fosse demasiado grave.

António Costa foi identificado como “Anselmo” em cinco escutas telefónicas realizadas no âmbito da Operação Influencer.

O escutador não deu ao caso importância maior; na verdade, não franziu qualquer sobrancelha inquisitiva. 

Os autos que resumiam as cinco conversas identificavam o interlocutor de Lacerda Machado pelo nome “Anselmo”, embora o número de telefone correspondesse ao de António Costa. 

Esta identificação incorreta fez com que as gravações não fossem remetidas, na altura, ao Supremo Tribunal de Justiça, como estava legalmente previsto para comunicações envolvendo o chefe do Governo.

O lapso só foi identificado em outubro de 2025, três anos depois, por meio de um relatório elaborado por um inspetor da Polícia Judiciária. 

O episódio serve para lembrar que a Operação Influencer completa três anos e resultados nenhum.

Com gente deste gabarito na investigação, o que esperar?

Para celebrar a data, a Procuradoria-Geral da República divulgou esta quinta-feira um balanço da investigação, reconhecendo que permanecem obstáculos ao acesso a elementos de prova considerados importantes para o esclarecimento dos factos.

Claro, mas para outros casos a Procuradoria-Geral da República já se mostra bem interventiva e com rapidez em procurar esclarecimentos.

A Procuradoria-Geral da República aponta ainda o exercício dos direitos de defesa por parte de arguidos e pessoas alvo de buscas como uma das razões para a impossibilidade de consultar vários dispositivos.

Que argumentação mais rebuscada quando comparada com outras bem recentes, senhor Guerra.

Será que os nomes de António Costa, Diogo Lacerda Machado, Vítor Escária, Rui Oliveira Neves, Afonso Themudo Barata e Nuno Mascarenhas, antigo presidente da Câmara Municipal de Sines, não são os verdadeiros obstáculos ao processo?

Vamos aguardar mais três anos e depois o fim desejado - a prescrição.

Já todos percebemos.