sexta-feira, novembro 06, 2026

Demissão

O diretor financeiro da Polícia Judiciária, Álvaro Pires, braço direito de Luís Neves quando este era diretor nacional daquela polícia, foi afastado de funções esta semana por estar sob investigação do Ministério Público num inquérito crime sobre obras de remodelação na sua casa da Charneca da Caparica feitas pela Construbarcelos.

Dois elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, da PJ, estiveram há duas semanas em casa de um vizinho de Álvaro Pires, para recolherem cópia das imagens que este gravou e que comprovam a presença de uma carrinha da Construbarcelos à porta de Álvaro Pires, o que desmente as alegações do diretor financeiro de que tais obras nunca tiveram lugar.

Atender a que a empreitada decorreu no interior da casa do Álvaro e durou 5 meses, segundo os vizinhos.

Grande empreitada.

Lembrar que a «empreitada» foi executada em 2025 pela Construbarcelos, empresa de João dos Santos Carvalho, que também fez remodelações em pelo menos dois montes de Luís Neves em Odemira e que, ao mesmo tempo, durante o consulado de Pires e Neves, assinou contratos com a Polícia Judiciária no valor de cerca de 2,2 milhões de euros, entre eles a sede da polícia na Guarda.

E, mais uma vez, não houve contratos, nem emissão de faturas e muito menos, pagamentos com registo fiscal nas obras da Construbarcelos na casa Álvaro Pires, o que estará na mira dos procuradores.

No dia 5 de novembro, quando se soube que a Direção Nacional da Polícia Judiciária tinha decidido prescindir do diretor financeiro, Álvaro Pires declarou: «Tive conhecimento, mas não me foram transmitidos os motivos. Disseram que não era oportuna a renovação da comissão de serviço».

O enigma foi alimentado durante horas e nem a Polícia Judiciária nem a ministra da Justiça explicaram os motivos do afastamento de Pires. 

Rita Alarcão Júdice passou uma imagem de normalidade: «Parece-me muito bem que haja uma certa renovação em cargos de direção». 

Ninguém quis admitir, mas o inquérito crime foi determinante para a queda de Pires.

A mentira, mais uma vez, é o segredo de tudo.