Mesmo tendo em conta o caos dos exames e classificações, o ministro Alexandre insiste em novo acordo com a Deloitte no valor de 701 100 euros.
O ministério do senhor Alexandre diz que o novo contrato nada tem a ver com exames e classificações, mas sim com a gestão de projetos no âmbito da AGSE.
E perguntam vocês, e muito bem, qual o objetivo do acordo.
O ministério fala na aquisição de serviços de “PMO – Project Management Officer”, ao abrigo do acordo-quadro da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP) para consultoria em tecnologias de informação e comunicação.
Perceberam?
Não é para perceber, é para pagar.
Eu explico. O senhor Alexandre aproveitou a falta de professores nas escolas e mandou fechar muitos serviços que eram úteis ao funcionamento do ministério.
E fundou a AGSE, I. P. que resulta da integração total ou parcial da SGEC, DGAE, DGEstE e IgeFE. Tudo serviços úteis e necessários que quem esteve ligado ao ministério sabe e soube da sua utilidade.
Mas há, sempre houve, oportunistas de meia-tigela que, com argumentos falaciosos, vão provocando o caos e beneficiando os amigos.
Conhecem-se, evidentemente.
A AGSE, I. P. centraliza funções de apoio técnico, financeiro e de gestão de pessoal docente e não docente.
Ou seja, o inteligente reuniu todos os serviços do Ministério da Educação numa única entidade e vai dar de mão-beijada à amiga Deloitte a gestão de todo o serviço que antigamente era desempenhado por professores e demais funcionários.
Ou seja, ao abrigo do acordo-quadro da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP).
Aqui chegados, estou a ouvir umas vozes de fundo a comentar: «Mas será que não há poupança (boa pança!) na ideia brilhante do ministro?»
Não, não há.
O «acordo» agora celebrado vai partilhar os dados confidenciais com empresas estranhas. Seria de todo conveniente que uma Comissão de Proteção de Dados se pronunciasse sobre o assunto.
Para já calados.
Mas há mais.
Os serviços vão utilizar as antigas instalações dos vários organismos extintos.
Brilhante, senhor ministro. Tudo é doado.
Lembrar que a AGSE já tinha recorrido anteriormente à Deloitte, a 4 de março deste ano, ou seja, quatro meses antes deste novo acordo de 701 100 euros, num outro acordo no valor aproximado de 1,5 milhão de euros, também ao abrigo do mesmo acordo-quadro da ESPAP.
Já somaram?
Paralelamente, a Deloitte também celebrou um contrato com a EduQA, celebérrima no caos dos exames e classificações, um contrato de urgência por ajuste direto, só que o montante foi ocultado, bem como a data da assinatura do mesmo.
São as tais transparências que escondem o «Bem da Nação».
Mas que bem.
