Em 1927, Fritz Lang criou Metropolis. Um filme que na altura
os críticos da época acharam exagerado, irreal e “distante demais da realidade.”
Pois é, há quem pense que tudo é irreal e nunca acontecerá. São coisas de lunáticos.
Cem anos depois, o filme tem 97% de aprovação no Rotten Tomatoes e é considerado uma das maiores profecias do cinema.
Olhem à vossa volta e onde está o irreal do filme?
Visionário? Não, REAL E BEM REAL.
Arranha-céus dominando cidades. Shenzhen tem mais prédios acima de 200m do que qualquer cidade do mundo
Trabalhadores invisíveis sustentando metrópoles brilhantes. Hoje, 270 milhões de migrantes rurais constroem as cidades chinesas sem poder morar nelas.
Máquinas com rosto humano manipulando multidões e já enganam até sistemas de segurança bancária.
A elite vive “nos jardins de prazer” enquanto o resto sustenta tudo de baixo.
O que Fritz Lang previu, mas ainda não acontece? Carros voadores.
Mas o detalhe mais assustador do filme não é a tecnologia.
É a cena em que um robô idêntico à líder dos trabalhadores é criado para manipular o povo. E funciona. Não porque a cópia era perfeita, mas porque a original foi silenciada.
A frase central do filme, repetida várias vezes:
“O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração.”
Cem anos depois, a gente tem a cabeça IA, algoritmos, automação e as mãos produtividade, entrega, execução.
Mas e o coração?
Esse continua sendo insubstituível.
Deixo um conselho vejam o Metropolis, se ainda não o viram. Há uma versão restaurada completa no YouTube.
São 2h30 minutos de filme mudo, atual e real.
Não percam.
Percebem a razão de tanta revolta por encerrarem salas de cinema? A cultura incomoda e muito os instalados.