sábado, fevereiro 07, 2026

Moratórias para quem?

Eu, na minha mais sincera e genuína ingenuidade, quando ouvi o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, anunciar uma moratória de 90 dias no pagamento dos empréstimos das famílias e empresas afetadas pela depressão Kristin, fiquei surpreso.
Mas logo a seguir percebi que a suspensão de 90 dias é apenas provisória, pois findo esse tempo os cidadãos que aderirem a essa moratória irão pagar TODOS os juros relativos à suspensão.
Ou seja, quem vai querer ver aumentados os valores a pagar aos agiotas?
Quem é louco?
É apenas um diferimento da dívida, mas com a acumulação dos juros o valor vai ser bem mais alto.
Um embuste.
O diferimento aplica-se aos empréstimos de habitação própria e permanente das pessoas singulares, às pessoas singulares titulares do crédito que sejam abrangidas pelo regime de ‘lay-off’ (suspensão dos contratos de trabalho) nas empresas sediadas ou que exerçam atividade nos municípios afetados pela depressão, e ainda às empresas que tenham sede ou exerçam a sua atividade económica nesses municípios.
Uma pergunta ao senhor ministro.
Aquando da falência dos bancos BES, Banif e BPP, em Portugal, mais de 14 mil credores perderam mais de 7,6 mil milhões de euros. A agiotagem não pagou.
E para salvar a agiotagem, os cidadãos portugueses tiveram de pagar, entre 2008 e 2021, apoios que custaram mais de 22 mil milhões de euros, de acordo com a última contabilização do Tribunal de Contas.
Saberá ou quer fingir que não sabe?
Desengane-se quem pensa que a moratória é uma ajuda. Antes pelo contrário, um suicídio.