Esta obra de Rafael é uma aula de filosofia ao vivo.
No centro da pintura, Sócrates e Aristóteles.
Heráclito, o filósofo da mudança, do fluxo constante, aparece parado, isolado, pesado, quase imóvel. Parmênides, que defendia a imobilidade do ser, está em movimento.
Rafael coloca lado a lado o que pode ser medido e o que só pode ser contemplado. Ciência e filosofia dividindo o mesmo espaço.
Os rostos criam um diálogo silencioso entre épocas.
Platão tem o rosto de Leonardo da Vinci. Heráclito lembra Michelangelo. Rafael mistura a Antiguidade com os grandes nomes do seu próprio tempo, como se dissesse: os génios não pertencem a uma era só. Eles conversam entre si, mesmo separados por séculos.
Lembrar que Newton usou a metáfora de Bernardo de Chartres: "Se pude ver mais longe, foi porque me apoiei em ombros de gigantes".
O que significa que o progresso científico e o conhecimento atual são construídos sobre descobertas e saberes de antepassados, os tais «gigantes».