domingo, fevereiro 01, 2026

Gostei da análise.

E dado que a situação não é só vivida no Brasil partilho a análise.
Pensem se houver tempo.
"O cansaço do professor não é apenas físico. É ético.
O professor não está cansado apenas de dar aulas.
Está cansado de negociar valores.
Nas escolas particulares, cresce silenciosamente uma lógica perigosa: o aluno vira cliente, a família vira consumidor e a educação passa a ser tratada como produto. Nesse modelo, o docente deixa de ser referência pedagógica e passa a ser prestador de serviço.
E isso esgota.
Porque ensinar exige autoridade intelectual, tempo de escuta, confronto de ideias, frustração produtiva e construção de limites. Mas o mercado não gosta de conflito. O mercado prefere satisfação imediata, notas infladas, aprovação automática e relatórios que soem como atendimento ao cliente.
O resultado? Professores emocionalmente drenados, pedagogicamente silenciados e institucionalmente fragilizados.
Não é raro ver profissionais excelentes adoecendo — não pelo excesso de trabalho, mas pela perda de sentido.
Quando o medo de desagradar substitui o compromisso com a aprendizagem, algo essencial se rompe.
Educação não é delivery.
Formar sujeitos não é o mesmo que reter matrículas.
Se a escola se organiza apenas pela lógica do cliente, o professor vira descartável — e o aluno, paradoxalmente, perde a chance de aprender de verdade.
Talvez esteja na hora de recolocar o professor no centro do projeto pedagógico.
Não como funcionário operacional.
Mas como agente intelectual, ético e transformador.
Porque sem professor respeitado, não há educação de qualidade — só prestação de serviço."
Prof. Régi Macedo - Professor de Língua Portuguesa no COMPA, Colégio da Companhia de Maria · São Paulo.