quinta-feira, janeiro 15, 2026

Ponto de vista

 Ao iniciarmos mais uma série de crónicas na Rádio F, quero desejar-vos um feliz ano de 2026, que todos os vossos sonhos se concretizem e, acima de tudo, que tenham uma excelente saúde.
Pois sou dos que defendem que o primordial na vida de qualquer cidadão é a saúde e, sem saúde, a vida torna-se um tormento.
É precisamente falando de saúde, que inicio esta crónica.
Pode-se até ter boas instalações, algumas até melhoradas, mas para que servem se não há médicos nem enfermeiros e outros técnicos da saúde? Sim, para que servem? Isto sem falar noutras instalações em péssimo estado e outras ainda exíguas, sem as mínimas condições de funcionamento, como nas urgências, que continuam um caos, com os cidadãos a aguardarem horas e horas para serem atendidos. Doentes espalhados por corredores a ocuparem as macas que fazem falta a bombeiros e ao INEM para socorrerem outros cidadãos.
Continuamos a assistir à morte de cidadãos pela ausência atempada de assistência com um passar de culpas lastimoso.
Que se venha atirar areia para os olhos dos portugueses com a aquisição de mais ambulâncias, mas nada acrescentam às que já existem, apenas substituem as que estão em falta por terem esgotado o tempo de vida. Aldrabices que uns papalvos querem fazer crer.
E que dizer dos partos realizados numa qualquer ambulância?
E que dizer do encerramento de várias extensões de saúde em freguesias do nosso concelho?
Quem são os poucos habitantes que vão estoicamente vegetando nessas freguesias? A grande maioria, senão a totalidade são idosos com parcas reformas que têm que se deslocar à sede de concelho para beneficiarem de uma consulta, de um exame médico ou de um tratamento.
Com as reformas miseráveis que auferem, têm que utilizar os transportes escolares logo pela manhã e esperar e desesperar por um dia inteiro na sede do concelho e regressar ao fim da tarde.
Lastimável.
Falta de respeito, mais um.
Mas se o direito constitucional à saúde está pelas horas da amargura, que dizer das estradas de acesso às freguesias aqui pelo concelho da Guarda? Mais um verdadeiro calvário para quem as tem que utilizar.
E se de saúde, ou da falta dela, falamos, também poderíamos referir a ausência de uma política que salvaguarde o meio ambiente, nomeadamente parques e jardins. Tudo, mas tudo ao abandono.
Bem sabemos que há muito vandalismo. Mas pensar que o vandalismo se combate com medidas repressivas e com a obrigatoriedade de se ter de pagar para usar umas simples casas de banho é ridículo.
O vandalismo combate-se com políticas educacionais desde a família, da escola e do meio em que se vive.
Não sabem que uma praça, uma rua educam? Não sabem, infelizmente. Mas educar com qualidade, sem fingimentos de qualquer ordem.
E por falar de educação e, em especial, de cultura, lembrar o ostracismo que vamos sofrendo. Depois do anúncio de que a empresa distribuidora de jornais ia deixar a Guarda, como outras áreas do país, a sofrer com o despovoamento, a não receber jornais diários, eis que as salas de cinema, as únicas existentes no concelho da Guarda, com filmes do circuito comercial, encerraram.
Bem sabemos que a cultura é perigosa para os poderes instalados. Um cidadão bem formado, com cultura, é um perigo para os dromedários instalados e bem instalados.
Mais uma terrível malvadez para o concelho e para todos os que procuram formação de qualidade e não gastar tempo com qualquer tipo de ações de nenhuma qualidade que apenas permitem aos seus intérpretes forrarem bem as respectivas carteiras.
Bem sabemos que o executivo camarário continua a preferir o desporto para enganar os cidadãos, beneficiando, e de que modo, instituições e principalmente atletas. Agora, com a prerrogativa de tudo, mas tudo ser feito no mais profundo silêncio, não sendo permitido ao cidadão contribuinte saber quanto e com que critérios, são distribuídos os subsídios, tudo, mas tudo no mais profundo segredo. Imagine-se,o regabofe que pode existir sem qualquer controlo.
Tudo à tripa forra. A transparência de que tanto se gabam fica bem demonstrada e de que maneira. Mas do que se ficou a saber, está publicado, é que a tal “Alta passagem de ano”, aqui pela Guarda, custou aos munícipes a bela quantia de 120 300 euros, sem IVA.
Assim se continua a enganar os guardenses. 

Tenham uma excelente semana, de preferência com saúde.