Nesta novela, Neves, há muita coisa que me deixa perplexo.
Desde já falo-vos em «novela», dado que, mais uma vez, tudo vai ser atirado ralo abaixo como a água de lavar o termoço que acompanha a bejeca.
Não duvidem.
Depois de tudo quanto já foi dito, rebatido pelos «amigos», a novela vai apenas durar até o fim do verão.
Depois vem o inverno e tudo se esquecerá. Os incêndios acabarão.
Enquanto ainda há memória, continuo a afirmar que, mais uma vez, só encontro uma explicação: falta de responsabilidade de tudo e de todos e a célebre máxima de que quem está no poder está sempre a salvo de qualquer suspeição.
E se o cargo é de excepcional relevância para a investigação, então os «amigos» e o protecionismo ainda são maiores — nem se duvide.
Ainda vamos ouvir alguém dizer que, face aos acontecimentos, os tais «amigos» estiveram sempre presentes a confortarem o «injustiçado».
Ora bem. Uma vez cavaleiro, toda a vida a andar a cavalo.
O ministro Neves escondeu da Entidade para a Transparência até o dia em que tomou posse, a empresa detida pela sua mulher.
Lembrar que é a mesmíssima empresa que suportou pagamentos relacionados com as obras realizadas na propriedade do ministro, em São Teotónio, no concelho de Odemira. Por ser casado em regime de comunhão de adquiridos, Luís Neves encontra-se obrigado, nos termos da lei e da interpretação jurídica da Entidade para a Transparência, a declarar empresas detidas pelo cônjuge.
Transparência! Percebes?
Se tiveres pachorra e tempo, as festas são muitas e as atividades desportivas, para enganar incautos, ainda muitas mais. Uma leitura da Lei n.º 52/2019, de 31 de julho, e, em particular, do artigo 13.º, é de todo útil.
Talvez fiques a saber o que é transparência.
Digo eu!