O caso das gémeas e a acusação deduzida pelo Ministério Público revelam o quão podre está a justiça em Portugal.
Não houve a coragem de chamar à coação Marcelo Rebelo de Sousa.
Hipocritamente, a excelência vem dizer, como já é hábito, vulgaridades para se esconder e passar entre os pingos da chuva. Recebeu o e-mail do filho e deu seguimento ao processo. Começou por fazer aquela cara de «inocente nojento», dizendo que não se lembrava de e-mail nenhum. Com a investigação e os factos a provarem o contrário, convoca os jornalistas para aquela patética declaração numa sala vazia, despida e fria. O cenário quis iludir, como aprendeu com o Salazar, com quem trocava bilhetes, e com o padrinho, o Marcelo das conversas da treta «em família», e com o sistema que serviu e se serviu - as ditaduras salazarista e marcelista.
O Sales deu seguimento ao pedido do Marcelo. Sales precisava de Marcelo e Costa, o seu «chefinho», ainda precisava mais.
A teia estava montada.
Em 14 dias, repito, 14 dias, é concedida naturalização às gémeas para poderem receber o remédio e o tratamento. Lembrar que, na altura, a obtenção da nacionalidade demorava, no mínimo, um ano. Hoje demora mais de 4 anos. Isto, se não houver dinheiro por baixo da mesa.
Mas isso passou ao lado da acusação do Ministério Público. Pudera, nos media mundiais, era mais uma vez mostrada com toda a clareza como funcionam os serviços públicos em Portugal: com cunhas e corrupção.
Bandalhos.
E o ridículo da acusação do Ministério Público atinge o clímax com a acusação de a mãe das gémeas ter usurpado o Estado português com a aquisição de cadeiras que, por sinal, já tinha outras semelhantes.
Nojo. Só um meio para dizer que houve acusação.
Quando um professor de direito, pai do Doutor Nuno, vem falar que ninguém está acima da lei; que a lei deve ser igual para todos; que tem de haver independência na aplicação da lei, Marcelo está a chamar de acéfalos os portugueses. Não te admito no que me diz respeito.
Tu estiveste sempre acima da lei, não é só neste caso; «a lei deve ser igual para todos», pois só que há uns mais iguais que outros; e falar de independência dos poderes é retórica podre, suja e desonesta, réplica perfeita da célebre e asquerosa frase «à justiça o que é da justiça».
Tenho nojo.
Já nem falo das múltiplas crianças que não tiveram direito, o dinheiro não é elástico como quer fazer crer um quadrúpede, que ficaram sem tratamento e mesmo sem cadeiras.
Estamos no esgoto com frascos de "tabu" despejados a litro.
Lavem-se com palha de aço.
E, para o caso ser mais pérfido, tivemos uma ministra da justiça vir dizer que o processo das gémeas tem de ser célere.
Desde quando uma ministra interfere na justiça?
Já disse o mesmo sobre o alegado atentado ao gabinete do Ventura? Do incêndio na sede do partido fascista em Évora? E de tantos outros casos por este país? Olhe, por exemplo, aqui pela Guarda.
Não seja esdrúxula.