Espero que os cidadãos não se tenham esquecido dessa fatalidade.
O presidente da Câmara de Lisboa, um tal Moedas, admitiu publicamente em outubro de 2026 que não chegou a contactar todas as famílias das vítimas, contrariando declarações anteriores em que garantira que o fizera.
Primeira aldrabice e tentativa de fazer esquecer o acidente.
Depois surgiram relatórios técnicos elaborados pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Ferroviários e de Acidentes com Aeronaves, que apontavam para erros graves no funcionamento e manutenção do elevador, a cargo de uma empresa subcontratada pela Carris.
Lembrar que a Carris é uma empresa municipal sob as ordens do Moedas.
Por fim, mas mais grave, o Moedas dizia que só para 2027 haveria um relatório final da investigação técnica.
Ou seja, quatro anos após o acidente.
Um acidente que provocou 16 mortos e 24 feridos.
Perante a ausência de um relatório final, as seguradoras tentam esquivar-se às responsabilidades.
A Fidelidade, seguradora da Carris, saliente-se, perante o Tribunal Administrativo de Lisboa e em resposta ao pedido de indemnização de “cerca de um milhão de euros”, argumentou que “um desastre como aquele não poderia, à data em que ocorreu, ser considerado algo totalmente imprevisível, assim como o elevador da Glória não poderia ser visto como um meio de transporte altamente confiável”,
Basta, estou farto de tanta aldrabice e de fuga às responsabilidades. De todos e principalmente de camaleões a mudarem de pele.
O que procura a Fidelidade?
Nuno Pinto Coelho de Faria, advogado da família de Isaque Adam, viúvo de Ana Paula Lopes, trabalhadora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que morreu no acidente do elevador da Glória, diz claramente o que a seguradora procura.
Segundo o advogado, “é a assunção clara e expressa de que a seguradora considera e admite que o transporte não era confiável, portanto, por essa perspetiva, não seria motivo de surpresa nenhuma para a vítima considerar que poderia ter um acidente a bordo deste equipamento”.
O advogado considerou ainda que “o seguro estará à espera de encontrar mais causas de exclusão de cobertura do que coberturas”, lembrando que não é muito frequente na jurisprudência portuguesa haver imediatamente pedidos de indemnização formulados, que obrigam as entidades que estão à espera de apuramento de responsabilidades, de encontrar culpados, a terem que se pronunciar sobre a realidade do acidente.
O advogado disse ainda que o processo de pedido de indemnização é para assunção de responsabilidade civil e, por isso, “é independente da responsabilidade criminal”, reforçando que não tem de aguardar pelas investigações ainda em curso sobre as causas do acidente.
Na perspetiva da defesa, “a lógica da Carris e da seguradora é, efetivamente, empurrar tudo para a responsabilização criminal”, porque, quando existe responsabilidade criminal pela prática de algum crime doloso, por exemplo, o que sucede é que há a exclusão de coberturas e, portanto, “quem responde são os criminosos e deixam de ser exatamente as entidades que têm seguros válidos, a entidade proprietária do equipamento, etc”.
“E essa ambição da seguradora e da Carris, de facto, não é boa notícia, porque representa aquilo que se classifica como uma fuga às responsabilidades”,
Percebem o adiamento para quatro anos do relatório final?