sábado, março 28, 2026
A Páscoa na Guarda II - turismo religioso
E as farsas continuam em tempo de Páscoa cá pela Guarda.
Alguém imagina um presidente de câmara, de um estado laico, deslocar-se à capital do reino e apresentar cumprimentos ao novo núncio apostólico?
Pois foi o que fez o presidente da câmara da Guarda.
O autarca deslocou-se à capital para dar as boas-vindas ao novo representante diplomático da Igreja Católica Apostólica Romana no "reino" de Portugal.
Negócios?
Houve entrega de ofertas institucionais(???) sem que o povo tivesse conhecimento delas. Mais cobertores de "papa"? Os originais ou imitações.
Consta-se que foi falado do andamento das obras para a instalação do órgão de tubos na Sé.
Consta-se, pois, que nada de oficial ou oficioso foi comunicado à plebe.
A plebe só tem de pagar.
O outro foi a Roma, este ficou-se pela capital e a plebe que pague as mordomias e beija-mãos.A Páscoa na Guarda I - turismo religioso
Em época de Páscoa, as notícias cá pelo burgo anunciam-se ao ritmo do "Senhor dos Passos" — a compasso.
As ditas imagens da "Via Sacra" têm por presidi-las o capelão-mor.
O Abade, Carlos de nome próprio, secretário do Turismo do reino, anunciou que vai haver publicação em todas as igrejas do "arrendamento" do morto Hotel Turismo da Guarda. A ressurreição — a Páscoa.
Arrendamento, que, segundo o Abade, será por 50 anos, com possibilidade de venda a partir do 4.º ano de arrendamento.
A Via Sacra só será dada por terminada depois da publicação, da ceia e do beijo traidor. Foi anunciada para uma segunda-feira, depois passou para uma sexta-feira e agora anuncia-se para uma quarta-feira de que ano?
É só feira de vaidades e sermões à medida e a gosto.
Quanto aos pormenores das exéquias e da ressurreição, nem uma oração, mesmo em latim.quarta-feira, março 25, 2026
Suicidios.
Em tempos do franquismo, em Espanha, prendiam-se crianças inocentes que acabavam por se suicidarem.
A escola foi feita para criar trabalhadores burros?
A propósito de muita asneira que se vai lendo e ouvindo sobre educação e, principalmente, sobre o desígnio real do que deve ser a ESCOLA, falo-vos das origens da tal escola.
A classe dirigente queria e quer da escola cidadãos que não pensem e que apenas obedeçam.
E o taylorismo, sabem o que é? Duvido.
Ontem ainda lhes chamavam trabalhadores, hoje até lhes chamam «colaboradores».
Hipócritas.
Estudem e sejam honestos nas análises.Repugnante
A propósito do excelente discurso de hoje, dia 25 de março de 2026, de António Guterres, nas Nações Unidas, lembrei-me do rei Leopoldo da Bélgica e do terror cometido no Congo.
Mas, como disse Guterres, e muito bem, nós, os portugueses, também cometemos muitos e terríveis crimes.
A seu tempo.A noite de breu
O ataque aéreo mais mortal que até hoje aconteceu não foi nem a bomba de Hiroshima nem a de Nagasaki.
Foi um ataque aéreo dos Estados Unidos da América do Norte, como era de esperar, sobre Tóquio.
E como uma primeira-ministra se submeteu a ser insultada por um pedófilo.?
A história da família mais rica de Portugal.
A tal meritocracia? Ahahahah.
Não me façam rir até estamos na Quaresma.Ponto de vista
Com o ataque dos Unidos da América do Norte e de Israel ao Irão, muito se tem falado do estreito de Ormuz e da presença portuguesa naquelas paragens no século XVI.
Este nosso resumido olhar pelo que foi feito pelos portugueses naquelas paragens está devidamente documentado em várias obras publicadas, e basta consultá-las e aferir a veracidade do que vou dizendo. Falo de obras como “A Expansão Portuguesa - Um prisma de muitas faces”, de Luís Filipe Thomaz e de outra obra, “Conquistadores - Como Portugal criou o primeiro império global” de Roger Crowley e muitas outras podiam ser citadas. É que muito do que nos foi ensinado, e principalmente obrigando-nos a memorizar datas da História na perspectiva de uma epopeia como difusora da fé e religião católica, é uma parte da aventura marítima e das consequências que se seguiram. Nos achados das terras, não houve descoberta nenhuma. Havia povos originários, senhores de uma cultura milenar, que os povos colonizadores, todos eles, destruíram e, pior, saquearam a seu belo prazer. Os colonizadores, e em especial os portugueses, levavam numa mão a Bíblia, mas na outra a espada.
A História não é uma memorização de datas e muito menos o olhar de um único prisma sobre os acontecimentos. É um olhar global sobre os acontecimentos. A História é a ciência humana que estuda as ações, experiências e transformações das sociedades ao longo do tempo. Analisa vestígios e documentos, as fontes históricas, para investigar o passado, compreender o presente e ajudar a construir a identidade e a memória coletiva. O seu foco central é o ser humano no tempo.
Ter sempre presente, como frisaram Edmund Burke ou George Santayana: "Um povo que não conhece a sua história, ou seja, de onde veio, está condenado a repeti-la". Ela sublinha que ignorar as raízes e o passado elimina a capacidade de tomar decisões conscientes sobre o futuro. A história não é apenas memorizar datas, mas sim investigar o "porquê" e o "como" das ações humanas. Analisemos então o tão famoso estreito de Ormuz e a presença dos portugueses por lá. E como estamos em maré de citações, lembro a célebre frase de Karl Marx na sua obra "O 18 de Brumário de Luís Bonaparte": "A história repete-se, primeiro como tragédia, depois como farsa". Ora, o que se passou em Ormuz no tempo da presença portuguesa e o que se está a passar é a tradução exemplar da frase de Karl Marx. Primeiro tragédia, depois farsa.
O primeiro ocidental que bloqueou o estreito de Ormuz foi Afonso de Albuquerque. Pelo estreito passava muito dinheiro, muitas especiarias, muita seda, cavalos e pérolas, tudo o que interessava aos portugueses e aos banqueiros de Florença que patrocinavam as viagens marítimas. Em 1507, o rei Dom Manuel I mandou uma embaixada portuguesa que saiu da Índia, de Goa, e foi até o Irão tentar um acordo com o Xá. Já naquele tempo havia um Xá no Irão de nome Ismail. Afonso de Albuquerque tentou convencer Ismail a estabelecer um acordo com o objetivo de formar uma aliança estratégica contra o Império Otomano e garantir o domínio português no Estreito de Ormuz.
Mas, como não conseguiu os seus intentos, bombardeou e conquistou a ilha de Ormuz. Mas só conseguiu ficar por lá um ano porque a ilha não tinha condições e, principalmente, faltava água potável, e os seus soldados mercenários achavam que estavam a ganhar pouco face às duras condições da ilha. Por outro lado, houve uma reação muito grande do Império Otomano. Afonso de Albuquerque e o seu exército foram expulsos daquelas paragens.
Mas Albuquerque havia de se vingar da derrota. Em 1515, voltou com um exército de inúmeros mercenários e conquistou definitivamente Ormuz, que se manteve sob o domínio da coroa portuguesa até 1662. Durante esse intervalo de tempo, os portugueses bloquearam a passagem de barcos pelo estreito e cobraram de quem o quisesse utilizar. No que se refere ao estreito de Ormuz, fica claro que, desde sempre, o interesse por aquelas paragens era o comércio. Ainda hoje o é, sendo que o que mudou foram os produtos em causa e outros conquistadores sempre ávidos de dominarem o mundo.
Tenham uma excelente semana.
Tenham uma excelente semana.
Tomem lá poesia.
Com os Mortos.
Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...
Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem.
Antero de Quental, in "Sonetos"
Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...
E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...
Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem.
Antero de Quental, in "Sonetos"




