segunda-feira, setembro 14, 2026

O lobo

E Carneiro continua amarrado ao lobo.

Ontem esperneava da boca do lobo pela descida do IVA dos combustíveis e dos bens de consumo.

Hoje, pela voz mais mansa do Carneiro e mais aguerrida do deputado Brilhante, que catalogou o Alexandre, ministro da Educação, como o pior ministro da área desde o 25 de abril.

Tudo, mas tudo para desviar a atenção do lobo.

O lobo, quando morde, não larga a presa.

Carneiro, há temas que deviam ser trazidos para a agenda política e esses sim com consequências que mostram que o lobo é de papelão. 

E, quando se grita que há lobo, mesmo de cartão, tem que se atuar logo, pois, ao deixar atacar o rebanho, já nem os cães e cadelas salvam alguma ovelha. 




Igualdade de oportunidades?

 E anda esta gentalha preocupada com o uso dos telemóveis.

Isto chama-se atraso tecnológico.



Confirmado.

Já o tínhamos referido que as pequenas esmolas, quer do IRS, quer das migalhas das pensões, vão ser pagas e bem pagas lá para março do ano que vem.
Agora é a insuspeita DECO a afirmá-lo.



domingo, setembro 13, 2026

Um carneiro no rebanho.

Ontem, numa convenção sobre poder autárquico, promovida pelo Ps, Carneiro disse que quer doar mais IVA e IRS às câmaras.

Oportuno dislate para agradar aos senhores feudais, obviamente.

Ontem um Costa municipalizou serviços, sem qualquer contrapartida financeira; hoje o Carneiro quer emendar a estúpida façanha.

Carneiro, a receita é velha e cheira a mofo.

Mas, não satisfeitos com o aumento das receitas, IVA e IRS, para os senhores feudais, vêm anunciar uma nova medida que de democrática não tem nada.

O Carneiro quer que as eleições para as autarquias não sejam em listas de partidos ou movimentos de cidadãos, mas em nomes de personagens. Depois, o personagem mais votado escolheria a equipa governativa. 

Ou seja, o papel dos eleitores ficaria reduzido à eleição de um «chefão» que, a seguir, escolheria os acompanhantes sem sufrágio dos munícipes.

Isto é democracia? 

E no futuro os eleitos podem candidatar-se quantas vezes? Todas as que quiserem?

Carneiro, tanto contorcionismo pode ser perigoso.

Com a decadência do sistema democrático, não seria de admirar muitos mais psicopatas nos feudos.



É fartar

 E os gastos são enormes. Com que resultados?

Exames, um falhanço.

Provas globais: um desastre.

Relatório PISA: um descalabro anunciado.

Aprendizagens? Não há.

Faltam professores.

Faltam professores devidamente qualificados.

Alunos não querem saber de quaisquer aprendizagens.

Mas gastam-se milhões.

Em ano e meio, três organismos do ministério do senhor Alexandre  fizeram 65 contratos. 

O recurso a entidades externas aumentou depois de ter mandado de volta centenas de professores e outros funcionários para as escolas. Tudo com o apoio do PRR.

Só a Deloitte arrecadou três milhões de euros só este ano.

Grande pífia.




Natália Correia

Não posso, não devo esquecer que, em 13 de setembro de 1923, na freguesia de Fajã de Baixo, Ponta Delgada, Açores, nascia a poeta Natália Correia.

A poeta não foi apenas, e já seria de elevada relevância, uma personalidade da cultura portuguesa. Foi igualmente uma parlamentar de enorme qualidade.

As suas intervenções marcaram um estilo de irreverência que abalou a Assembleia da República, ainda com laivos de um certo sonambulismo, conformismo e vivências dos tempos da ditadura.

Natália Correia destacou-se como uma parlamentar combativa em defesa da cultura e dos direitos das mulheres e foi uma personalidade que contribuiu com o seu talento poético para o enriquecimento dos trabalhos parlamentares, em intervenções marcadas não só por essa combatividade, como também pela ironia e pela beleza oratória. 

Natália Correia foi uma mulher controversa e corajosa. Intransigente e provocadora, na forma como defendia as causas em que acreditava. Indomável, na forma como assumia as rupturas que entendia na sua intervenção política.

As suas intervenções em defesa da legalização da interrupção voluntária da gravidez, da condição feminina, do investimento na cultura ou em contestação à ausência de políticas culturais dignas desse nome e de contestação à perda de soberania e de identidade cultural por via da integração europeia, ficam como testemunhos eloquentes da sua ação e criaram muito mal-estar entre membros do PSD.

Natália Correia foi uma resistente antifascista. Perseguida pela ditadura pela sua intervenção cívica e pela sua atividade literária, enfrentou os tribunais do fascismo nos anos sessenta pela organização da antologia de poesia erótica e satírica portuguesa.

O verso que lançou contra os juízes que a condenaram: “Ó subalimentados do espírito, a poesia é para comer”, ficará como um dos gritos de alma da resistência cultural contra um regime que reprimiu a cultura portuguesa durante quase meio século.

O maior testemunho que Natália Correia nos deixou foi ser, em todas as circunstâncias e alturas, uma mulher livre.

Saúde-se a poeta e a sua liberdade.




A mentira tem perna curta...

Portugal está entre os países da União Europeia em que abastecer o carro sai mais caro, e a causa não reside apenas nos impostos.

Desenganem-se.

Não se fiem em aldrabões.

Mesmo retirando os impostos ao preço dos combustíveis, o país continua nos lugares cimeiros da tabela europeia, tanto na gasolina como no gasóleo.

Percebido?

Os preços de referência de 7 de setembro mostram que um litro de gasolina 95 custa 2,093 euros em Portugal. 

Sem impostos, o valor desceria para cerca de 1,120 euros. 

Ainda assim, este é o sexto preço antes de impostos mais elevado entre os 27 Estados-membros.

No gasóleo, a situação é semelhante. O preço final de referência é de 2,104 euros por litro, enquanto antes de impostos fica nos 1,272 euros. Neste caso, Portugal apresenta o oitavo preço sem impostos mais elevado da União Europeia.

Entendido?

Percebem agora a aldrabice dos milhões do abono aos pensionistas e as reduções do IRS?

Uma quadrilha, como diria Mestre Aquilino Ribeiro.




Mestre Aquilino Ribeiro

A 13 de setembro de 1885 nascia em Carregal, Sernancelhe, um dos maiores escritores portugueses do século XX - Aquilino Ribeiro.

Melhor, justamente considerado Mestre Aquilino Ribeiro.

A linguagem de Aquilino Ribeiro caracteriza-se fundamentalmente por uma excepcional riqueza lexicológica e pelo uso de construções frásicas de raiz popular, cheias de regionalismos.

Aquilino foi sobretudo um estilista e, por isso, a sua linguagem vernácula é arejada, frequentemente condimentada nos diálogos com expressões entre grotescas e satíricas.

Num número considerável de obras, Aquilino reflete, ainda que distorcidas pela imaginação, cenas da sua vida: o convívio com as gentes do campo, a educação ministrada pelos sacerdotes, as conspirações políticas, as fugas rocambolescas, os exílios.

Até 1932, ano em que fixa residência na Cruz Quebrada, todos os ambientes, contextos e personagens que Aquilino cria remetem para a sua querida Beira Alta. "O Malhadinhas", "Andam Faunos pelos Bosques", "Volfrâmio", "A Casa Grande de Romarigães", "Quando os lobos uivam" e "Terras do Demo" constituem o melhor exemplo desta situação.

Mas Aquilino Ribeiro foi igualmente um homem contra o sistema. Foi um opositor ativo à monarquia e à ditadura militar, o que o levou à prisão e ao exílio em Paris. 

A melhor homenagem que devemos prestar a este grande escritor da Língua Portuguesa é ler a sua extensa obra e compreendê-la.

Mestre Aquilino Ribeiro continua atual.

"A nação é de todos, a nação tem de ser igual para todos. Se não é igual para todos, é que os dirigentes que se chamam estado se tornaram quadrilha", em "Quando os lobos uivam".




sábado, setembro 12, 2026

Pensem

 


Holocaustos

 


Exigimos

 É urgente que se divulgue.

Já basta de tanto tempo sem resultados ao inquérito.




A melhor do dia...

"Uma vez que Luís Neves aparece sem óculos na capa da revista do Expresso, devo depreender que os óculos também eram do Xuxas?"




Ilusões

 Mais uma proposta à «xuxa».

É já habitual o PS, quando está na oposição, prometer tudo e mais alguma coisa a tudo e todos.

Já no governo a coisa muda de figura. Esquecem-se as promessas e adiam-se compromissos.

Numa convenção autárquica e tendo como cenário a discussão e aprovação do Orçamento de Estado para 2027 e face à mordidela do Ventura face à descida do IVA dos combustíveis e dos bens de primeira necessidade, Carneiro avança com mais uma distração.

Dar às câmaras o dobro do IRS e IVA e uma fatia das renováveis.

Oh senhor Carneiro já pensou ou imaginou, sentir não sente, tem bons fundos de maneio que os portugueses estão a atravessar uma enorme crise com consequências inimagináveis face à duração dos conflitos mundiais?

Pense, se não lhe der muito trabalho.

É que se não sabe, devia aprender que a combinação de uma crise energética com o aumento descontrolado da dívida pública, veja-se o que está a acontecer em economias como França e Alemanha, criam um risco real de recessão profunda ou de crises de dívida soberana generalizadas.

Direi mesmo de "colapso", se bem que os economistas evitem tal termo pois assusta os cidadãos, apenas isso, e como tal preferem falar de "estagnação prolongada" ou "crises de liquidez sistémicas". 

Prometer mundos e fundos para depois cairmos em bancarota é algo que ninguém com mínimo de inteligência quer.

Contenha-se e seja sério.



Quem sabe?

O enorme valor deste investimento foi direcionado para aumentar a influência e o controlo público em dois setores fundamentais e estruturais do país: a energia (redes de transporte de eletricidade e gás da REN) e a água. 

Estranha-se que há pouco tempo se falava das enormes vantagens da privatização de tais setores e pouco tempo depois mudam as opiniões.

Estranho? Nem tanto.

Embora dê peso político ao Estado, analistas apontam que a entrada no capital não dita uma descida direta e imediata das tarifas para os cidadãos.

Logo cai por tera uma promeira permissa: melhoria do serviço público.

Então o que obrigou o governo a mudar de posição?

Na altura da intervenção da troika era preciso e necessário vender. O dinheiro fazia falta. 

Hoje fala-se da necessidade de segurança e soberania nacional, para evitar que infraestruturas críticas fiquem excessivamente dependentes de capitais de fora da União Europeia, nomeadamente da China.

Ontem não se olhava à segurança e perda da soberania hoje já preocupam.

Outro aspecto a considerar é a descarbonização. Será que os chineses querem perder o domínio das energias renováveis?

Já quanto à água fala-se de «crise climática». É evidente que estamos a entrar num período grave de falta de água potável. Mas será que os privados vão abdicar de receitas que os sustentam?

Não acreditamos que o foco do Estado mude tão rapidamente da "consolidação orçamental imediata" (vender para obter dinheiro e abater défice) para a "autonomia estratégica" (gastar para garantir resiliência face a um futuro global imprevisível). 

É que os interesses e os poderes são muitos e a crise que se vai aproximando pode mudar tudo num ápice.