quarta-feira, maio 20, 2026

Ponto de vista

A transição democrática e a posterior integração europeia foram celebradas como a garantia de um futuro melhor para a sociedade portuguesa. Era a narrativa de um Portugal europeu: um país periférico, mas em aproximação lenta ao conforto das economias centrais.         
Não era a promessa de um país de ricos, mas uma vida com previsibilidade. Possibilidade de emprego estável, crédito acessível, uma casa comprada a, prestações e a convicção de que os filhos viveriam melhor. 
Hoje, esse horizonte está a deteriorar-se sem manifestações históricas nem bancarrotas declaradas. O colapso não chegou com estrondo, mas em rendas incomportáveis, numa crise ímpar de habitação, em salários que evaporam antes do fim do mês e numa sensação coletiva de sobrevivência vegetativa permanente. Ainda assim, o mais inquietante é não parecer um colapso porque acontece devagar. 
Portugal apresenta hoje vários indicadores macroeconómicos positivos. O Produto Interno Bruto cresceu, o turismo bate recordes e o desemprego mantém-se relativamente baixo. O discurso político insiste na ideia de recuperação e estabilidade económica. "O país está melhor, mas os portugueses é que não" diz tudo sobre o que é a vida dos portugueses. 
Milhões de portugueses vivem numa economia em que os preços se aproximaram da Europa rica, mas os salários continuam presos à periferia europeia. Portugal europeizou os preços antes de europeizar os rendimentos. Essa diferença tornou-se o eixo central da crise social portuguesa. 
Depois existe a armadilha salarial, que se traduz em trabalhar mais para viver pior. Isto significa que praticamente um em cada dez trabalhadores portugueses tem rendimentos inferiores ao limiar considerado de pobreza. O dado é particularmente relevante porque desmonta uma ideia historicamente associada de que ter emprego garantia estabilidade económica. Em Portugal, já não garante. O fenómeno dos chamados “trabalhadores pobres” tornou-se estrutural — pessoas com emprego, salário e, em muitos casos, qualificações superiores, mas incapazes de assegurar habitação, poupança ou margem financeira no final do mês. 
Os dados revelam uma realidade particularmente incómoda para a narrativa de progresso económico português. Em 2003, a taxa de risco de pobreza entre trabalhadores empregados situava-se nos 12%. Duas décadas depois — após crescimento do turismo, entrada massiva de investimento estrangeiro, expansão do ensino superior e sucessivos discursos de modernização económica — o indicador continua próximo dos 9%. 
Outro dado que ajuda a compreender a asfixia social vivida em Portugal diz respeito à habitação. Os números ajudam a perceber a dimensão do problema habitacional em Portugal. Entre 2015 e 2025, o preço das casas disparou cerca de 169%, segundo o Eurostat. Já os salários cresceram pouco mais de 40%, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Em termos práticos, a habitação valorizou quase quatro vezes mais do que os rendimentos do trabalho. Ao mesmo tempo, os novos contratos de arrendamento registaram aumentos superiores a 10%. 
Nas últimas décadas, Portugal abriu-se de forma agressiva ao investimento externo no setor da habitação. Programas como os vistos "gold" canalizaram milhares de milhões de euros para o imobiliário. Esta transformação alterou profundamente a lógica do mercado habitacional português. A habitação deixou de funcionar apenas como necessidade social para passar também a funcionar como ativo financeiro internacional como o refere a própria Comissão Europeia. O resultado é uma contradição cada vez mais evidente: trabalhadores qualificados, empregados a tempo inteiro, encontram-se incapazes de viver nas cidades onde trabalham. 
Talvez a dimensão mais perigosa desta crise seja invisível nas estatísticas. Durante décadas, os portugueses toleraram dificuldades porque acreditavam ser possível um futuro melhor. Existia a ideia de que o esforço compensava a médio prazo. Hoje, essa crença está a desaparecer. Cada vez mais jovens acreditam que viverão pior do que os pais. 
Algo muito grave numa democracia com apenas 52 anos de existência e com um populismo exacerbado em franco crescimento. Quando uma sociedade perde a segurança económica, cresce inevitavelmente a frustração, a desconfiança institucional e a sensação de injustiça estrutural. 
É precisamente isso que começa a emergir em Portugal. E a descrença no tal futuro melhor é espelhado em 54% da população ter a convicção que as suas futuras reformas não permitirão sequer vegetar, como acontece com os salários de hoje. 
A perceção dominante deixou de ser ‘trabalhar para crescer’. Passou a ser ‘trabalhar para não cair’. Neste contexto, a ideia de progresso linear — trabalhar hoje para viver melhor amanhã — está a perder consistência. O que antes era uma expectativa estrutural da sociedade em geral transforma-se progressivamente numa incerteza. 
Um país pode suportar pobreza, austeridade e crises temporárias. O que dificilmente sustenta é a erosão da confiança no futuro. Tendo isso em conta, Portugal entrou numa zona periclitante: um território onde milhões de pessoas continuam a trabalhar, a pagar impostos, mas deixaram de acreditar que isso será suficiente para construir uma vida com sacrifício, mas com um futuro de progresso.
Tenham uma excelente semana.
 

 

Catarina Eufémia

Lembrar um crime horrendo praticado por um GNR com três tiros quase à queima-roupa, pelas costas, matando Catarina Eufémia com apenas 26 anos. 
Lembrar que o agente da GNR foi agraciado com a ordem de Avis, grau Cavaleiro em 27 de setembro de 1958. 
Os criminosos em Portugal são sempre agraciados. 
Símbolo de resistência. 
Símbolo de povo que luta. 
Símbolo do antifascismo. 
Símbolo da revolução. 
Catarina Eufémia, assassinada a tiro a 19 de maio de 1954, enquanto participava numa manifestação por melhores condições de trabalho. 
Para nunca esquecer. 
Fascismo nunca mais.

 

 

Bebedeiras e fuga.

Mas quem se pode admirar de tal notícia? Se a "brigada" fizesse mais e melhor fiscalização muitos mais eram caçados. 
Então quando há festas, festanças e porcos no espeto com muita cerveja e vinho era vê-los a ficarem sem carta de condução e os célebres pontos a caírem. 
Mas têm o motorista que os conduz a casa, ou as costas bem protegidas. 
Fugir à GNR? Se conseguem escapulir por todos os crimes não haviam de fugir à GNR?
 

 

É fartar vilanagem.

Mais um caso a caminho da prescrição e com as célebres condecorações ao peito. 
O país das medalhas e outras condecorações ao peito. Lembrar que só este caso tem 122 arguidos. 
Ahahahahah! 
É fartar vilanagem.
 

 

Corrupção

Mas alguém tem dúvidas que vão aumentar desmesuradamente as corrupções. 
Deixai de ser hipócritas. 
Já não há pachorra para vos aturar.
 

 

O país está melhor?

Mais um dado, que devia envergonhar os poderes instalados, e bem instalados. 
Estes horrores não os fazem envergonhar, pelo contrário só pensam como encher mais e mais a pança e as carteiras. Diz-se que UMA EM CADA 20 crianças não comeu por falta de dinheiro. 
E todas as outras que comem o pão que o diabo amassou e que apenas serve para enganar a fome? 
Corja de assassinos. Sois uns nojentos. 
Continuai a votar neles e um dia estais ainda pior.
 

 

Web Summit

Reembolsos dos fundos europeus usados outra vez para pagar Web Summit.
Desta vez são 3,88 milhões de euros.
Uma brutalidade.
 

 

E os outros?

Já estão abertas as candidaturas, para alguns proprietários dos terrenos que sofreram com as intempéries do designado "comboio de tempestades".
Mas atenção o apoio entre 1 000 e 1 500 euros por hectare de terreno, diz respeito e apenas à remoção de árvores derrubadas. “Esse incentivo pretende acelerar a retirada da madeira. Não é [pela] perda de rendimentos, não é auxílio de produção, é um incentivo para que os privados façam aquilo que já é da sua responsabilidade, tirar de lá a madeira”, acentua Paulo Farinha Luís, diretor regional do Centro do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.
Resta saber onde é que os proprietários vão encontrar mão de obra para realizar tais limpezas.
Dos 68 municípios, onde foi decretado estado de calamidade, foram identificados 26 como sendo aqueles onde o impacto é mais significativo. A dotação do apoio estatal atinge 40 milhões de euros, que serão entregues e geridos pelos municípios.
Perfeito.
Lembrar que dos 68 municípios, onde foi decretado estado de calamidade, foram identificados 26 como sendo aqueles onde o impacto é mais significativo.
Mas o Governo já proferiu despacho de aceitação para cinco dos 26 municípios: Ourém, Porto de Mós, Tomar, Batalha e Leiria.
E os restantes 21 municípios?
Para as calendas gregas.
 

 

Por favor, não gozem com os cidadãos.

Ao fim de 16 anos de ter acontecido o homicídio de Rosalina Ribeiro é que vão dar início ao julgamento?
E o homicídio aconteceu no Brasil era lá que devia ser o julgamento. Mas isso não interessava a ninguém.
Mais um exemplo de que a justiça não funciona, para os poderosos, em Portugal.
Triste figura.
E ainda nos vendem a ideia que a "justiça" é cega.
Deixem de mentir, estamos fartos de ser ludibriados.
Já se conhece, sem qualquer mínima dúvida, o desfecho do caso.
 

 

Mais um crime de Israel.

E, mais uma vez o governo português, baixou as calças aos poderosos.
Não chamou o embaixador de Israel, em Portugal, a exigir explicações pela detenção dos portugueses. Para saber qual era e é a situação deles. Para se disponibilizar a ajudar os cidadãos detidos em águas internacionais, nem sequer são águas ocupadas pela corja israelita.
Calados, caladinhos e "bardamerda".
Nas Lajes, sem que o Trump tenha pedido algo, logo se colocou o território nacional ao serviço da canalha assassina dos Estados Unidos da América do Norte.
Sois uns seres submissos sem coluna vertebral.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português afirmou que está a seguir o caso e as embaixadas portuguesas em Telavive, Nicósia e Ancara estão preparadas para prestar todo o apoio consular aos cidadãos nacionais.
Seguir com binóculos? Embaixadas preparadas?
Não sejam ridículos há vidas em perigo, seus invertebrados.
 

 

terça-feira, maio 19, 2026

Mais um empurrão e vai abaixo.


 

Tesourinhos da Assembleia Municipal da Guarda, 29 de abril de 2026 - o caso Gisela, em formato a "Caverna" de Platão.

Depois do período, que segundo o líder parlamentar dos partidos que apoiam o presidente Sérgio Costa nada se delibera, apenas há conversa da treta. O senhor presidente da Assembleia Municipal dá a palavra ao seu correligionário presidente da câmara para responder, se assim o entender, às perguntas dos senhores deputados. No entendimento da mesa responde se quiser. Se não quiser não responde diz o senhor Presidente da Assembleia Municipal. Decididamente todos os senhores deputados deviam ler e estudar a legislação sobre assembleias municipais. Evitavam cenas tristes e ridículas. O senhor presidente da câmara começa a sua intervenção pelo caso Gisela trazido à Assembleia Municipal pela própria funcionária que se sente injustiçada há longos anos. Atente-se na postura do senhor presidente da câmara quando inicia o tema Gisela. Apertando os punhos da camisa, numa atitude pouco ou nada usual na excelência. Basta estudar um pouco o que diz o psicólogo Paul Ekman sobre emoções e perceber que elas são biológicas e universais. E seguindo o que se diz na psicologia "mexer nos botões de punho é considerado um gesto de linguagem corporal que, na maioria das vezes, reflete nervosismo, ansiedade ou insegurança. Este tipo de ação funciona muitas vezes como um mecanismo de defesa, inconsciente para aliviar a tensão em momentos de desconforto". Será o caso? Por outro lado, pedir uma certidão do que foi dito para abrir um inquérito é areia para os olhos dos guardenses. Devia saber que compete à Assembleia Municipal fiscalizar a atividade da câmara. Lembrar que o caso começou ainda o senhor era responsável do SMAS e continuou sem qualquer desenvolvimento durante os quatro anos do seu primeiro mandato como presidente da câmara mais o ano já decorrido neste segundo mandato. Inquérito em causa própria é transparência? Legalidade? Frontalidade? O que devia ser feito era a constituição de um grupo de deputados que devia realizar o tal dito inquérito. Importa dizer que a Assembleia Municipal funciona como o órgão que escrutina o executivo municipal. Por fim para quando o resultado do inquérito? Será dado a conhecer à assembleia municipal? E aos munícipes? É o doa a quem doer?
 

 

Festa e festança de cagança

Começam os preparativos para se receber com limpeza e asseio os participantes na famigerada festança do "ativamente" pelo menos no que ao Parque Urbano do Rio Diz, na Guarda, diz respeito. Mais uma iniciativa da sociedade dos "sapatilhas" & "tamancos". Durante os outros dias do ano o parque está em completo desleixo. Querem lá saber da qualidade do ar, da biodiversidade ou da relva do parque. Um total e completo desrespeito pelos frequentadores assíduos daquele espaço. Quando há festa e festança com cagança não faltam trabalhadores da empresa contratada a limpar alguma parte do parque. Sim, não se limpa a totalidade do parque. Nada disso. Só onde os "sapatilhas e tamancos" atuarem.
 



 

As moscas continuam a assaltar o pote

E a distribuição dos milhões a certas empresas continua a ritmo acelerado. As empreitadas ferroviárias empurram encargos do Estado para uma escalada milionária. É fartar vilanagem. Já nas estradas a BRISA pede mais mil milhões de euros. Portugal está melhor? Obviamente para certas famílias.