quinta-feira, outubro 27, 2016

Ponto de Vista


Esta semana foi finalmente revelado o nome do feliz contemplado com o cargo de presidente da Caixa Geral de Depósitos. Ficou também a saber-se que António Domingues colocou como uma das condições para sair do BPI e ir para o banco do Estado a retirada da CGD do guarda-chuva do gestor público, estatuto esse que colocava limites a aumentos salariais. O Governo aceitou. A partir daí escancararam-se as portas para António Domingues receber apenas o dobro daquilo que auferia o seu antecessor.

O primeiro-ministro admitiu que o nível dos salários da nova administração da Caixa Geral de Depósitos pode ser "muito impopular", mas defende que só assim é possível o banco público ter uma gestão "capaz, competente e profissional". Ora, este argumento do primeiro-ministro é tudo menos rigoroso. Basta perguntar-lhe quantos gestores super-bem pagos deste nosso país arruinaram bancos ou grandes empresas, como por exemplo a PT.

O primeiro-ministro também não explicou a um país imerso em dificuldades e sacrifícios como é que o novo administrador da CGD pode acumular o seu prometido galáctico ordenado com uma milionária reforma antecipada concedida por Fernando Ulrich, o tal do «ai aguenta, aguenta».

Mas não se julgue que este caso é único. Muito pelo contrário. Nem que as coisas tenham de funcionar pela ordem inversa, a imoralidade foi feita para estar lá sempre. O presidente do Santander Totta, que é apenas o mais bem pago de todos os presidentes dos bancos portugueses, acumula o vencimento da instituição com uma reforma paga pela CGD.

Pouco me impressiona que Catarina Martins tenha vindo dizer que para o Bloco o salário de António Domingues “não é um assunto encerrado” e que o Governo tem a sua “total oposição” neste dossiê. A mim o que me interessa é que o Bloco teve a faca e o queijo na mão para impedir estes salários obscenos e, se necessário, esta nomeação, mas as coisas aconteceram na mesma. Talvez lhe devamos chamar hipocrisia.

Menos me impressiona ainda que o Presidente da República tenha afirmado, no texto em que promulga o decreto-lei, que só aceitava esta situação porque era a única forma de António Domingues ser nomeado, com um recado de permeio ao Governo sobre o cuidado a ter com a fixação do bendito salário, mas que no fim tenha tudo ficado igualmente na mesma.

Se o Presidente não concordava com um salário destes, poderia muito bem ter vetado o documento e por essa via forçado o Governo a repensar o assunto. Só há uma conclusão a tirar: aparte os estados de alma para enganar português crédulo, para Marcelo também os fins justificam os meios. Tal como para o Governo, o Bloco e para todos aqueles que se limitam a fazer o patético papel do “agarrem-me que se não eu bato-lhe”.

Para além da revolta que esta situação me causa, para além do crónico e hipócrita argumento de que temos de pagar fortunas para contratar os melhores, para além da realidade que nos ensinou que os melhores de hoje são geralmente os nossos coveiros do amanhã, para além de tudo isto, há ainda coisas que indignam mais.

Sabe-se por exemplo que António Domingues ainda era vice-presidente do BPI e já tinha acesso aos dados da Caixa; que ainda antes de vir para a Caixa contratou uma consultora para trabalhar num plano de recapitalização do banco público; que fez convites sem saber (ou sem prevenir os convidados) que a lei impedia acumulações de funções; que afirmou não ir fazer a auditoria aprovada em Conselho de Ministros em Junho; ou que se recusa a passar-nos cartão sobre aonde é que vai parar tanto dinheiro metido nesta recapitalização;

Com tantos defeitos de caráter e entradas com o pé errado, não compreendo mesmo o vencimento astronómico deste tipo. A não ser que para se ser bom gestor se tenha de ser desprovido de qualquer tipo de qualidade. O que não deixa de ser bizarro. Ou, olhando-se um pouco para trás e para tudo aquilo que nos trouxe ao buraco onde estamos, talvez nem seja preciso tanto.

Tenham um bom dia! 

(Crónica na Rádio F – 24 de Abril de 2016)

O «charuto»


GRITO DE REVOLTA


VEMOS, OUVIMOS E LEMOS

Não vale a pena iludir o quer que seja: ESTA ESCRAVATURA É DE HOJE!
HAJA VERGONHA E ACABEM COM A HIPOCRISIA!

quarta-feira, outubro 26, 2016

Reza a História


Ontem assisti a uma entrevista de Jerónimo de Sousa a Rodrigues Guedes de Carvalho, na SIC!
PATÉTICA!
O Comité Central não deve ter gostado da entrevista…
Vi um Jerónimo periclitante, inseguro e pior NERVOSO em tudo quanto dizia!
Nunca imaginei um dia ver um secretário-geral de um partido dito comunista chegar ao ponto de elogiar o poder, seja isso o que quer que seja…
O poder é servil.
É obnóxio, absolutamente!
LIBERTE-SE, SENHOR JERÓNIMO!
Já nos bastou um «Jerónimo, o último dos moicanos»!
Para desgraça de um povo que se extinguiu!

O Viajante


Em tempos, um presidente da República Portuguesa era, a toda hora, vilipendiado por comentadores e arruaceiros que se queixavam das muitas viagens que fazia…

Hoje, um Marcelo segue-lhe as pisadas e os mesmos que ontem criticavam Mário Soares calam-se … metem a viola no saco!

A isto se chama HIPOCRISIA BARATA!

segunda-feira, outubro 24, 2016

Os «ajustes»

 
Ajustes directos do município de Coimbra aproximam-se da “linha vermelha”.
A autarquia de Coimbra diz que cumpre a lei, a oposição condena e os empresários não comentam directamente. Entre o fim de Setembro e o início de Outubro, a Câmara Municipal de Coimbra celebrou dois contratos por ajuste directo: um de consultoria para o Convento de São Francisco e outro de serviços de comunicação e consultoria.
No entanto, os donos de cada empresa detêm outras empresas que tinham sido contratadas igualmente por ajuste directo em 2014 e 2015 para serviços semelhantes, tendo atingido o limite legalmente imposto para contratos deste tipo. A informação foi inicialmente publicada no site Notícias de Coimbra.
Em Julho o presidente da autarquia tinha dito ao PÚBLICO que a gestão do Convento voltaria a ser entregue a João Aidos por ajuste directo. Assim o fez, mas não através da J. Aidos – Consultoria e Gestão de Projectos, Limitada, da qual João Aidos é sócio gerente, tal como tinha sucedido em Maio de 2014 por 45,6 mil euros e em Julho de 2015 por 74,8 mil euros (valores aos quais acresce IVA).
Ambos os contratos tinham como objecto a coordenação e gestão do projecto do convento, tiveram a duração de um ano e a autarquia, conforme o limite legal estabelecido, ficou impedida de voltar a contratar esta empresa por ajuste directo até 2017.
Em Setembro de 2016, a CMC adjudicou por ajuste directo um contrato no valor de 74,8 mil euros à Metáforas e Vírgulas, uma sociedade unipessoal de João Aidos, que foi da lista com que Manuel Machado concorreu à presidência do município nas eleições autárquicas de 2013. O registo da empresa data de 5 de Agosto de 2016, menos de dois meses antes de ser assinado o primeiro contrato com uma entidade pública, a CMC. Contactado pelo PÚBLICO, João Aidos não quis comentar.
O objecto do contrato é a aquisição de consultoria cultural, artística e de programação municipal para o Convento de São Francisco. No documento publicado na base dos contratos públicos, o nome do adjudicatário está em branco, tal como não consta a assinatura do representante.
Já a 4 de Outubro deste ano, a Informacíon Capital Consulting, Lda. foi contratada pelo município com o mesmo procedimento para prestar “serviços de consultoria de comunicação”. A empresa, detida na totalidade por José Manuel Diogo, recebe da autarquia 40,480 mil euros pelo trabalho de um ano.
Nos dois anos anteriores, a empresa contratada para prestar “serviços de consultoria de comunicação” tinha sido a Valor de Fundo, Sistemas de Conhecimento Estratégico, Lda, detida em partes iguais por José Manuel Diogo e por Luís Viana, antigo director da Agência Lusa. A Valor de Fundo esteve envolvida na campanha eleitoral do PS na corrida à câmara em 2013 e recebeu 44 mil euros em 2014 e 40,480 mil euros em 2015, o que significa que só poderá voltar a ser contratada em 2017 por ajuste directo. O trabalho mais visível da empresa era a comunicação do Convento de São Francisco.
José Manuel Diogo refere apenas que a Informacíon Capital é contratada porque “as pessoas confiam no trabalho da empresa” que existe desde 2005.
O município não respondeu às questões enviadas pelo PÚBLICO, referindo apenas, através do gabinete de comunicação, que a “Câmara Municipal de Coimbra cumpre a lei em todos os contratos que celebra”.

Entre a legalidade e a “linha vermelha”

Um professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra especializado em contratos públicos que preferiu não ser identificado entende que, tanto o caso do contrato para a gestão do convento como o da comunicação, não sendo ilegais, aproximam-se de uma “linha vermelha”.
Ressalvando que, “no plano estritamente formal, não parece haver ilegalidade”, a criação da Metáforas e Vírgulas foi “claramente” um “expediente para contornar um regime jurídico que, de forma inequívoca, não permitiria um terceiro ajuste directo à mesma entidade”. O advogado entende que, “por ser tão evidentemente artificial”, esta é uma “situação perigosa” para a Câmara Municipal pois aproxima-se da “da linha vermelha da utilização de expedientes que podem ser interpretados como casos de fraude à lei”. O advogado aplica a mesma conclusão ao contrato celebrado com a Informacíon Capital.
O advogado João Amaral e Almeida não quer pronunciar-se especificamente sobre os contratos em questão, mas aceitou falar com o PÚBLICO sobre a interpretação do Código dos Contratos Públicos.
O advogado refere que “a voz corrente no meio jurídico” avalia a norma que estabelece os limites dos contratos por ajuste directo para bens e serviços como sendo “propícia a uma figura que se chama fraude à lei”. Ou seja, “alcançar um objectivo que a lei visa impedir por um meio que é legalmente admitido”. A entidade pública “convidaria outra empresa e com isso conseguiria ultrapassar o objectivo que a lei quer. É outra empresa, mas no fundo são as mesmas pessoas”, exemplifica.
No entanto, João Amaral e Almeida tem “as maiores dúvidas” que a figura da fraude à lei “exista realmente”, uma vez que a lei não proíbe a contratação de outra empresa com os mesmos sócios. O membro do grupo de trabalho que deu origem ao projecto do Código de Contratos Públicos em vigor, afirma que a figura da fraude à lei, apesar de considerada pela comunidade jurídica, não está plasmada no ordenamento jurídico português.
Quando se defende que se trata de uma fraude à lei, tem que se “demonstrar inequivocamente” que o objectivo foi contratar pessoas que não o podiam ser “por via do impedimento da primeira empresa”. “O que não é uma prova fácil de fazer”, conclui.


A razão pela qual ainda terminaram os ajustes diretos só pode ser entendida pelo facto de serem muitos os cães e cadelas atrás do ... osso!
Se não, já há muito que tinham terminado!
É FARTAR VILANAGEM QUE O CONTRIBUINTE PAGA!

Saiba a quem paga salários dourados

Conheça os casos de salários polémicos no Estado
423 mil euros/ano
Este é o salário que António Domingues vai auferir como presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, cargo para o qual foi nomeado pelo actual Governo.

No Parlamento, o ministro das Finanças, Mário Centeno, confirmou o valor e acrescentou que os vogais executivos vão receber 337 mil euros por ano. Estes números deixaram a esquerda em polvorosa, com Catarina Martins e dizer, em plenário da Assembleia da República e perante o primeiro-ministro, que os salários eram “simplesmente inaceitáveis” e que o assunto não estava encerrado.
16.075 euros/mês
Os aumentos de 150% nos rendimentos dos administradores da Autoridade Nacional de Aviação Civil surpreenderam o próprio ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, no início do seu mandato.

Decididos em Outubro de 2015 pela comissão de vencimentos e aplicados com retroactivos a Julho, quando o executivo de Passos Coelho já estava de saída, os salários subiram de 6030 euros mensais para 16.075 euros no caso do presidente (Luís Ribeiro), de 5499 euros mensais para 14.468 euros no caso do vice-presidente e de 5141 euros mensais para 12.860 euros no caso de uma vogal.
30 mil euros/mês
Menos de um mês depois de Sérgio Monteiro ter tomado posse como gestor do Fundo de Resolução do Novo Banco, o PÚBLICO revelou que o salário do ex-secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Comunicações rondaria os 30 mil euros mensais brutos (incluindo os encargos adicionais assumidos pelo supervisor). Apesar de ser suportado pelos bancos que financiam o Fundo de Resolução, o vencimento terá reflexo no défice, acrescentou, mais tarde, o Jornal Económico. O contrato de Sérgio Monteiro pressupõe que o ex-governante disponha de 12 meses, a contar de 1 de Novembro de 2015, para finalizar a venda do banco.

816 mil euros/ano
Em 2009, Fernando Pinto consolidou a fama de gestor público mais bem pago de todo o sempre. De acordo com a declaração de rendimentos do presidente do conselho de administração da TAP depositada no Tribunal Constitucional, o valor da sua remuneração do ano anterior ultrapassara os 816 mil euros. Dois anos mais tarde, o CDS divulgou os dados de um estudo sobre salários no sector empresarial do Estado no qual se podia ler, por exemplo, que em 2009 Fernando Pinto havia recebido 55,7 anos de salário médio de cada português e mais do dobro do que recebera Barack Obama como presidente dos EUA. 

23.480 euros/mês
Antes de ter sido ministro da Saúde de Pedro Passos Coelho, Paulo Macedo foi director-geral dos Impostos, nomeado por Manuela Ferreira Leite. Mais do que a nomeação de um gestor bancário para a mais importante pasta do fisco, o que originou fortes polémicas, na altura, foi o seu salário: 23.480 euros mensais. Aos críticos, Paulo Macedo respondeu quando estava de saída do cargo. “O erro estará ao nível do salário do primeiro-ministro, do Presidente da República, dos deputados”, disse em entrevista ao Expresso.


É FARTAR A PANÇA QUE O PAÍS TEM BASTANÇA!
 
 

Cartões de débito podem sair caro
O cartão Multibanco que tem na sua carteira está cada vez mais caro. Em média, em 2016, os bancos cobram pela anuidade de um cartão de débito 15,17 euros.
Ou seja, mais 28% do que há um ano e 56 vezes superior à taxa de inflação, segundo as contas feita pela Deco. Mas há cartões de crédito (os duais) que já são mais baratos do que os de débito, permitindo aos consumidores obter por ano poupanças entre os 13 e os 18,72 euros.
Desde 2009 que tem sido sempre a subir nas comissões dos cartões Multibanco: mais 120%. "A única justificação é a procura de receita da parte dos bancos", aponta Nuno Rico, economista da Deco-Proteste, cujo negócio tem vindo a ressentir-se da queda das taxas de juro para valores negativos.
 
Mais um assalto aos cidadãos....
Os agiotas arranjam sempre forma de se cobrarem dos vários serviços... pior que as prostitutas!

sábado, outubro 22, 2016

MAIS UMA VERGONHA


Ontem, dia 21 de Outubro de 2016, a RTP deu-nos a conhecer a
HIPOCRISIA, A LOUCURA E OS PSICOPATAS que pastam no
reino da parasitagem dos «chicos»!
Estou com o Sttau Monteiro quando dizia que «detestava fardas, quaisquer que elas sejam»!
Encobrem o ranho sebento de uns loucos e parasitas que não sabem fazer mais nada que viver à custa dos outros!
Ficou-se a saber aquilo que a «chicalhada» não quer que se saiba.
NOS «CURSOS» DE COMANDOS PRATICAM-SE SEVÍCIAS!
SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER!
Há culpados em várias mortes nesses pseudo cursos e NUNCA foram punidos.
SEMPRE COBERTOS PELOS MESMOS PARASITAS DE SEMPRE!
São de tal forma hipócritas e parasitas que escondem tudo e só respondem quando e a quem querem...
A cara de gozo de um «chico» entrevistado revela tudo... parasita!
ACABAR COM ESTA PARASITAGEM!
QUER O MARCELO DOS AFECTOS QUEIRA QUER NÃO!
Gostaria o afectos de ver ali os netos?
DEIXEM-SE DE HIPOCRISIAS!
DÃO-ME VÓMITOS!
«SINTO UMA FORÇA ENORME A CRESCER-ME NAS MÃOS...»!
FARTO DE PARASITAS! 
Parabéns ao serviço público prestado pela RTP! .

A VERGONHA I


A reportagem de ontem, dia 21 de Outubro de 2016 na RTP, DEVIA ENVERGONHAR TODOS os políticos e, principalmente, os actuais e anteriores responsáveis pela saúde em Portugal.
VERGONHOSO!
Pior ainda quando se pagam salários de milhões a «gestores» bancários e se tapam BURACOS feitos por gatunos...
PARABÉNS À RTP PELO SERVIÇO PÚBLICO QUE, NESTE CASO, FIZERAM!
EXCELENTE TRABALHO!
PARABÉNS!




sexta-feira, outubro 21, 2016

Crónica


A Verdade, a Mentira, a Fé e os Pókemons

Há muitas formas de se olhar para a verdade e a mentira. Para Picasso, sem mentira não havia arte, já que a mesma não passava de uma mentira que nos permitia conhecer a verdade. De forma bem mais utilitária, Onassis achava que não se ser descoberto numa mentira era o mesmo que se dizer a verdade. Para Oscar Wilde havia simplesmente que viver no meio das duas. Pouca sinceridade era uma coisa perigosa, e muita sinceridade era absolutamente fatal. Para mim, verdade e mentira convivem com a fé. Eu explico.

Deu à estampa mais um escândalo envolvendo a ULS da Guarda, a propósito de um inédito raide noturno ao serviço de urgência, para determinar se havia médicos que lá deveriam estar a trabalhar e não estavam. Como foi a única vez que algo parecido algum dia aconteceu em Portugal, a Guarda ganhou uma espécie de Nobel da parvoeira e logo nasceram umas 20 mil teorias da conspiração acerca do que se passou. Como ninguém se entende acerca dos acontecimentos e eu não quero fazer parte da boateira que se instalou por aí, desejo vincar publicamente a minha fé sobre o sucedido.

Não acredito que seja verdade que havia mesmo um médico que há mais de um ano costuma ir dormir a casa quando deveria estar na urgência. Nem que imensa gente sabia do vício há muito. Nem que esse médico é assessor da direção clínica. E que por isso mesmo o diretor clínico não foi previamente informado do raide. Nem acredito que o diretor clínico se tenha sentido enxovalhado por tal manifesta desconsideração e que tenha colocado o seu cargo à disposição. E que o médico, para justificar não ter sido encontrado por ninguém na noite do raide, tenha inventado a desculpa de que ficou sem bateria no telemóvel. E que o diretor clínico tenha sido instruído a retirar a demissão.

Também não acredito que tenha sido criada, de há uns meses a esta parte, na escala da urgência do serviço de cirurgia, uma posição especial para a existência de um terceiro cirurgião de serviço, quando desde sempre foram só dois ou até menos. E que isto tenha sido feito para que a Ordem dos Médicos volte a atribuir ao serviço a idoneidade para formar internos (os novos critérios assim o exigem). Nem que, devido ao número de doentes que cada vez mais fogem da Guarda devido à má qualidade da assistência médica, já reconhecida até pela própria Ordem dos Médicos, esse terceiro cirurgião, pago com o dinheiro de todos nós, seja ali tão necessário como gelo no frigorífico de um esquimó. Nem acredito que por isso mesmo, por não ser preciso para coisa nenhuma, o tal médico pudesse dar-se ao luxo de dormir fora do hospital, mas como se estivesse lá dentro.

Também não acredito que tenha sido uma médica do mesmo serviço, cujos conflitos com o médico passeador são notórios, a denunciar em estilo “bufo” tal situação. Nem acredito que Carlos Rodrigues, o presidente da administração, tenha autorizado o raide para fragilizar o diretor clínico e que acreditasse que conseguia manter tudo em família. Nem acredito que quando promete mais raides do género, porque os considera a forma normal e rotineira de fiscalizar a assiduidade dos funcionários, não esteja no seu perfeito juízo e a desrespeitar as chefias intermédias por si nomeadas.

Nem acredito que quando a coisa deu a bronca que se viu, Carlos Rodrigues tenha recebido instruções para recuar e abafar tudo e inventado a teoria de que estava tudo bem e que os médicos são afinal uma classe exemplarmente cumpridora. E que a promessa que fez de mais raides é tão disparatada como a insistência de Sísifo em empurrar repetidamente uma pedra pela montanha acima. Muito menos acredito que Álvaro Amaro tenha trazido Carlos Rodrigues para a Guarda sobretudo para arranjar uns empregositos para os amigos, ali na ULS, porque a Câmara já rebentava pelas costuras. Nem que Álvaro Amaro olhe furioso para tudo isto, perguntando a si próprio que mal é que fez a Deus.

Também não acredito que aquele hospital se tenha transformado numa espécie de manicómio. No que eu acredito mesmo, para que conste, é em gambuzinos… Ou, para ser mais moderno, em pókemons. Quer vocês creiam, quer não.
 
(Crónica no jornal O Interior - 11 de Outubro de 2016)

NOVOS VAMPIROS


quarta-feira, outubro 19, 2016

Gostei de ler

 
Miguel Guedes*

Escreve mais alto, Dylan!

"Something is happening here and you don"t know what is" - "Ballad of a thin man", Bob Dylan.

Recordarei para sempre a alegria quando anunciaram Bob Dylan como Prémio Nobel da Literatura. Tocado pelo regular fio das notícias, o sorriso abriu e ficou. É estranho e comovente como sabemos intuitivamente que nunca esqueceremos alguns momentos, como sabemos pela força dos detalhes o que atinge profundamente. "Tenho uma notícia tocante para vos dar e desta vez não é sobre o fim", disse aos amigos com que partilhava a mesa. Sei onde estava aquando da morte de Kobain, Buckley ou Bowie e lembrar-me-ei sempre onde estava quando me apeteceu, à distância da ilha de Santiago e invadido pela maravilhosa morna, resgatar todos os meus discos de Dylan e assaltar o sistema de som do restaurante. "Fantástico...", enquanto examinava meio incrédulo o meu ecrã de mão. Génio andarilho, património mundial da terra prometida para o Mundo, poeta trovador de paradeiro incerto quando nenhum sueco o consegue contactar para saber se irá ou não à atribuição do prémio. "Não estou preocupada, penso que ele vai aparecer. Se não quiser vir, não virá. Será uma grande festa na mesma", assegura Sara Danius, da Academia sueca. É assim mesmo, centelha nas vinhas da ira, cimento da adolescência e da dúvida até ao fim da vida. Já não me aproximava tanto dos suecos desde os filmes de Ingmar Bergman.

Algumas reacções literárias ao Nobel fazem parte de um romance de faca e alguidar barato regado com presunção numa saladinha mista de alcova e azia. Heresia, absurdo, sacrilégio, chegou o Nobel dos fanhosos. As canções não têm nada a ver com literatura (como se não fossem palavras escritas); o homem nem canta (afinal, a música é para aqui chamada); o perigoso precedente que se abre (quando arriscado era continuar a fingir que não há poesia nas canções); há escritores que mereciam mais (como continuam sem perceber que não há medalhas para todos os heróis?). Tolstói nunca ganhou o Nobel mas, ao que parece, nunca poderia ganhar se o musicassem. Digam, pelo menos, como Lobo Antunes: "Eu gosto".

Escritor de canções parece ser subespécie. Dylan estará muito feliz, rindo convulsivamente da reacção típica dos guardiões do templo. A oposição ao progresso é algo que conhece bem. Em 66, num concerto em Manchester, alguém na audiência chamou-lhe "Judas!" por ter abandonado a acústica acústica e pegar na eléctrica. "És um mentiroso", respondeu Dylan, ordenando à sua banda para tocar "ainda mais alto" a versão mais assombrada que já ouvi de "Like a rolling stone". "Algo está a acontecer aqui e tu não sabes o que é", escrevia ironicamente em "Highway 61, revisited". Pela forma como alguns escritores reagiram ao Nobel, há demasiada gente sem perceber que pode escrever menos em 30 anos do que em três minutos e meio. Tantas vezes, a vida em síntese.

*MÚSICO E ADVOGADO

O autor escreve segundo a antiga ortografia

Gordurosos


 
 
Ora cá está uma lista com os nomes dos maiores glutões de Portugal!
Há mais... claro que há!
O que seria deste nosso Portugal sem as eminências pardas?
As sementes lançadas à terra ... não cresciam!
Não chovia!
Não havia Sol!
O forno não cozia!
QUE HIPOCRISIA!
Estes são os tais que apertam o garrote aos que lhes pedem uma chouriça e exigem em troca um porco...
ARROTA POVO!