domingo, maio 29, 2016

(Re)Lendo


Bairro Livre, um poema de Jacques Prévert.
Leiam este poema, cheio de sentimento de alegria e liberdade, vindo com o fim da II Guerra Mundial e com a esperança de inaugurar um mundo democrático, onde os militarismos já não valem nada.
É o mundo livre nascendo no "Bairro Livre".

Quartier libre

J'ai mis mon képi dans la cage
et je suis sorti avec l'oiseau sur la tête
Alors
on ne salue plus
a demandé le commandant
Non
on ne salue plus
a répondu l'oiseau
Ah bon
excusez moi je croyais qu'on saluait
a dit le commandant
Vous êtes tout excusé tout le monde peut se tromper
a dit l'oiseau.


Para quem a língua francesa não mereceu a aprendizagem adequada ou não existiu, aqui fica a tradução do poema pelo Jorge de Sena!


Bairro Livre

Pus o boné na gaiola
saí com o pássaro na cabeça
E então
já não se faz a continência
perguntou o comandante
Não
já não se faz a continência
respondeu o pássaro
Ah bem
desculpe julguei que se fazia
disse o comandante
Não há de quê toda a gente pode enganar-se
disse o pássaro.

"Poesia do Século XX", antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto: Edições ASA, 3ª edição, 2003, p. 324.