quarta-feira, abril 28, 2010

O discurso do sabão

Assim vamos cantando e rindo a caminho do FIM

O ano passado, a equipa de Maria de Lurdes Rodrigues divulgou um balanço onde se anunciou que o número de faltas tinha diminuído na sequência da aplicação das provas de recuperação.
As escolas que contestaram esta interpretação, argumentando que as faltas estavam a ser "anuladas", foram alvo de uma inspecção.
Agora, é o próprio Governo que admite que o fim das provas de recuperação, determinado na proposta enviada ao Parlamento, tem também a "vantagem de eliminar o efeito indesejável que, nalguns casos, se constatou decorrer das provas de recuperação, no sentido de o aluno se sentir incentivado a faltar - por saber de antemão, que afinal seria sujeito a uma prova".
E como corrigir o absurdo?
O Governo não avança com qualquer medida em concreto, defendendo-se em generalidades que já constavam no anterior diploma.
Os alunos continuarão a não chumbar por faltas, o Governo insiste em continuar a brincar às políticas de Educação.
A isto  chama-se incompetência, tal e qual a origem e a cópia.
Desapareçam enquanto é tempo!!!

As agências

A agência de notação financeira Standard Poor's, que, juntamente com outras congéneres, há quatro dias apareceu envolvida num escândalo (recebia dinheiro a troco de avaliações mais favoráveis), acaba de anunciar que baixou o rating da República portuguesa em dois níveis, de A+ Para A-.
Qual será o rating da Standard Poor's?
Se a Comissão e os Governos da União Europeia não lho baixarem, alguns dos seus Estados continuarão na mira da especulação e demais clientes deste tipo de empresas, restando-lhes entrar no jogo: ou promovendo medidas que comprometem o crescimento das suas economias e o bem-estar das suas populações ou… imitando o expediente seguido pelas empresas que conseguiram ratings mais favoráveis.
Ou seja, em ambos os casos, pagando o resgate pedido pelos raptores da estabilidade na zona euro.
Nunca foi grande ideia ceder a exigências de bandidos, sejam elas quais forem, chamem-se ou não os bandidos “agências de notação financeira”.
Sempre foi assim.
Mas até isto a inexistência política da UE pode ter tido a incapacidade de alterar.
Ou seja, os especuladores atacam não só na Bolsa.
Os Estados também não estão a salvo deste piratas.
Que faz um Banco Central Europeu que, aquando das anunciadas dificuldades «sistémicas» dos bancos não hesitaram em recorrer ao dinheiro dos contribuintes para salvar os jogadores financeiros.
Agora, que os Estados estão sob a mira da artilharia pesada deste vigaristas especuladores, o Banco Central Europeu assobia para o ar.
Vergonhoso.
Alguém é inocente?

As flores

Sabe-se que o actual presidente da câmara da Guarda, J. Valente, acompanhou o «amigo» primeiro-ministro na visita que este realizou à Madeira, aquando da Festa das Flores.
Falta saber quem pagou tal romaria.
Terá sido o gabinete do primeiro-ministro ou a câmara da Guarda?
Seja quem tenha sido destes dois institutos, uma coisa é certa: QUEM PAGOU FORAM OS IMPOSTOS DOS PORTUGUESES.
Por um lado MANDAM fazer sacrifícios aos portugueses e, eles esbanjam os dinheiros públicos nestas passeatas.
Por outro lado, não há mais nada que preocupe estes incompetentes que se podem dar ao luxo de gozar dias e dias à boa vida em vez de fazerem o que lhes compete: FINGIREM QUE TRABALHAM, sim porque de tanta incompetência os problemas dos portugueses não serão resolvidos por esta canalha.

A visita

Sócrates e mais seis (6) ministros foram visitar a Praça do Comércio em Lisboa.
Toda a comandita mais o Costa do Castelo, presidente da câmara e restante séquito.
Pergunta-se, em tempo de crise, não há mais nada para fazer que visitar uma praça, onde irá actuar o papa, num concerto num palco montado em pleno rio Tejo?
Parece que não.
Divirtam-se.
Já agora, ficou-se a saber que no futuro vai haver esplanadas, restaurantes e bares de alterne onde hoje há ministérios e repartições públicas.
O divertimento vai ser enorme.
Ao rubro a praça!!!
Até a estátua do D. José será limpa, diz o presidente da câmara.
Limpa de tudo!!!
É que nem tudo o que o pardal faz, a todo o mundo satisfaz.

A Anedota


George W. Bush vai publicar um livro.
Sim. Disse publicar, não disse escrever, coisa bem diferente!!!
Sobre que temas versará o livro?
A mentira da guerra do Irão?
A ser sobre as armas de destruição maciça, os feijões que os iranianos comem, deve aparecer o cozinheiro Durão Barroso, o talhante Blair e o azeiteiro Aznar.
Quem quererá comprar tal ordinarice?

terça-feira, abril 27, 2010

E pagam?

Os autarcas que tenham recebido remunerações na Metro do Porto após Janeiro de 2007 poderão(?) ter de devolver os montantes recebidos.
O Ministério das Finanças já enviou à empresa, este mês, uma carta em que solicita expressamente a devolução de cerca de 33 mil euros recebidos por Valentim Loureiro, presidente da Câmara de Gondomar.
Mas a ordem,  não se limita ao caso do major, pedindo-se à Metro do Porto que identifique situações análogas e proceda de idêntica forma com outros eleitos locais que tenham acumulado remunerações enquanto autarcas e membros de órgãos sociais da Metro do Porto.
Face a diferentes interpretações jurídicas suscitadas pela lei, não é de descartar que o caso possa acabar nos tribunais, como sempre.
Depois, bem depois pagam??
Desconfia-se!!! 
Segundo um parecer pedido ao conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República, concluiu-se ser ilegal a acumulação de remunerações por presidentes e vereadores municipais, sendo essa proibição aplicável a empresas municipais, intermunicipais e urbanas, quer o município tenha ou não posição dominante.
À luz da clarificação feita pelo parecer jurídico poderão estar em causa situações de outras empresas participadas pelos municípios, em que eleitos locais tenham exercido funções remuneradas.
Resta saber se TODOS os casos foram identificados no país.
Desconfia-se que não.
Cá por coisas!!!
Já o todo-poderoso Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, assegura não ter conhecimento de qualquer informação sobre a decisão da IGF para que sejam devolvidas remunerações, mas reage com ironia a essa possibilidade. "No Portugal contemporâneo, tudo é possível", lê-se na resposta escrita do seu gabinete.
Pois é possível senhor Rio. Desde logo nas aldrabices das violações e falcatruas imobiliárias.
Então não é???
Cumpra-se a lei e deixe-se de tretas.
As divergências na leitura da lei levaram Mário de Almeida, presidente da Câmara de Vila do Conde, a abdicar voluntariamente de remunerações no mandato iniciado em Abril de 2008. "Como a legislação não é clara, optei por não receber", explica, não clarificando, contudo, se poderão estar em causa verbas relativas a 2007 e início de 2008. "Não fui notificado de nada", assegura, acrescentando não querer entrar em mais pormenores sobre uma questão em que "nem todos os autarcas tomaram a mesma posição".
Pois é, um dinossauro que afirma tão peremptoriamente que a lei da restrição dos mandatos é inconstitucional só podia mesmo «esquecer» o que recebeu em 2007.
Ora pois então!!!
Marco António Costa (vice-presidente da Câmara de Gaia) e Guilherme Pinto (presidente do município de Matosinhos) poderão(??) igualmente estar obrigados a devolver remunerações.
Vamos mas é a repor o que vos foi INDEVIDAMENTE pago.
Ou será que vamos ter excepções à lei?
Nada nos admiraria!!!

A desinformação


A cada momento que se aproxima a visita papal, somos invadidos por notícias da preparação do evento.
Cada estação de televisão rivaliza com a descrição da confecção de tudo o que diga respeito ao acontecimento.
São as cátedras, ou seja a cadeira onde o senhor papa vai sentar o divino rabo.
São as vestimentas paramentais.
O quarto onde vai ficar a dormir.
Tudo mas mesmo tudo.
Só falta saber o número das cuecas, a cor das mesmas, das peúgas e outros acessórios que tais.
Falta de assunto deste jornalismo de sarjeta.
Miserável país que a tais superficialidades dá tanta importância, quando há FOME, DESEMPREGO e FALTA DE JUSTIÇA.

segunda-feira, abril 26, 2010

Afinal quem é quem?

Precários

Em cada dez novos empregos, nove são precários e raras vezes desembocam em contratos permanentes.
São sobretudo ocupados por jovens, por norma mais qualificados, o que distorce a regra segundo a qual mais instrução melhora a situação profissional.
O facto de a esmagadora maioria dos empregos criados serem precários e ocupados pelos mais habilitados. Segundo um estudo recente que defende que a educação traz benefícios para quem a tem (salários mais altos) mas, sobretudo, para a sociedade, no entanto os empregos continuam a ser precários.
Entende-se que, as políticas públicas devem incentivar a educação e eliminar factores que distorçam esse objectivo. Entre eles está um mercado de trabalho "bastante segmentado", ou seja, em que os empregos nos quadros das empresas, geralmente ocupados pelas gerações mais antigas e menos qualificadas, são mais estáveis do que os que vão sendo criados, na maioria precários e ocupados por jovens, por norma mais qualificados. Desta forma, os jovens não vêem recompensado o esforço feito na sua qualificação.
Além disso, conclui o estudo, a política de impostos não incentiva as pessoas a prosseguir estudos. "O sistema fiscal deve discriminar positivamente aqueles que investem em níveis mais elevados de educação".
Em Portugal, contudo, as deduções de despesas de educação no IRS são iguais, independentemente da formação. Para mais, o Programa para a Estabilidade e Crescimento apresentado pelo Governo em Março reduz, precisamente, o valor das deduções com despesas de educação. "É surpreendente a omissão deste argumento do debate" acerca da tributação da educação.
"Políticas que aumentem o custo da educação através dos impostos podem levar a maiores receitas fiscais no curto prazo, mas fá-lo-ão com o custo, a médio e longo prazo, de níveis mais baixos de educação e, consequentemente, de menor crescimento económico".
Ter "canudo" não é qualificação
Instrução não é sinónimo de qualificação.
Com formações precárias e de qualificação duvidosa criaremos a mão de obra barata da Europa.
Não se duvide.
Ou se muda o paradigma da exigência ou estaremos condenados aos piores salários e aos trabalhos menos qualificados.

domingo, abril 25, 2010

Cantigas de Maio

Menino do Bairro Negro

Hoje como ontem.....eles comem tudo

Coração Inteligente

Ontem, hoje e amanhã serás sempre um pássaro que nos falas de gaiolas.....

25 de Abril de 1974

sábado, abril 24, 2010

"No trates de escribir bonito"

Hoje li este artigo, que gostaria de partilhar:
«Um dos melhores conselhos, em matéria de técnica de escrita, foi dado certa vez pelo escritor e pedagogo colombiano Tomás Rueda ao jovem Eduardo Caballero Calderón, que na década de 30 do século XX ensaiava os primeiros passos na literatura.
Disse-lhe o mestre: "No trates de escribir bonito. No dejes que se te vea la gramática."
É um conselho que vale para todas as épocas, para todas as latitudes. A escrita tem muito de pessoal. Tem de irromper sem artifícios. Límpida como a de Borges, depurada como a de Pessoa, torrencial como a de Kerouac. Mas sem pomposidades, sem adstringências.
O estilo diz tudo sobre o seu autor.
Para escreveres bem, evita as frases feitas, as frases batidas, as frases de efeito fácil mas vazias de conteúdo.
Arruma as ideias, escreve como pensas, desvenda-te em cada parágrafo.
Assimila as regras gramaticais evitando sempre a prosa canhestra de mestre-escola.
Escrever é isto.»
Em poucas palavras está tudo dito sobre a escrita e, principalmente, sobre a mensagem que se quer transmitir.
Que muitos a apreendam.

Para que NINGUÉM SE CALE


Para a memória de um POVO que não pode CALAR NEM ESQUECER.
ACORDEM.

A malinha


A digna representante do PS.
A digna deputada por Lisboa, vai ter pagas as deslocações semanais a Paris, sorte a nossa não morar em Moscovo ou Valadivostk.
Esperem pela pancada e ainda vão ter de pagar as ajudas de custo para a petulante ir a casa.
«À reunião que serviu para discutir o despacho do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, faltaram os representantes do PCP e do PEV.
A votação dos diversos grupos parlamentares ficou empatada, com o PS a favor (tem 97 deputados) e o PSD e o BE contra (juntos possuem 97 deputados), o que levou o socialista José Lello a ter de utilizar o seu voto de qualidade enquanto presidente do Conselho de Administração. » [in PÚBLICO]
Que andavam a fazer os representantes do PCP e PEV?
Pois é....a «mademoiselle» agradece...
Ao que parece a «mademoiselle» queria o lugar de eurodeputada só que......já não havia lugares elegíveis.
Tudo ocupado pelas barbies e pelos maricons dos ken.
Ficou-se pela AR para apanhar ar e ter «boas ajudas de custo».
Já agora, só uma pergunta simples.
Se um cidadão, deste triste País, tiver que ir trabalhar para outro país por razões de falta de emprego por cá, também terá as «ajudinhas» de deslocação?
Mas os «nomeados políticos» se forem para outra terrinha já têm deslocações pagas.
Pois é, uns cidadãos de primeira outros......ralé.
Cretinos e acéfalos, só isso!!!

A frase

«Não estou nada satisfeito com a qualidade da democracia.» - Jorge Sampaio, ex-presidente da República, actual membro do Conselho de Estado e Alto Comissário das Nações Unidas entre outros cargos.
Estranha-se só agora Sampaio se ter apercebido da qualidade da democracia.
Só agora?
Andou distraído este Sampaio? Só pode.
Tome juízo e faça alguma coisa, é urgente.

sexta-feira, abril 23, 2010

Os Convencidos da Vida

«Todos os dias os encontro.
Evito-os.
Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles.
Já não me confrangem.
Contam-me vitórias.
Querem vencer, querem, convencidos, convencer.
Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito.
No livro, no jornal.
Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!).
Será que voltaram os polígrafos?
Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios.
Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista
Alexandre O´Neil.

Como estás actual O´Neil. Os génios são assim meu amigo. Nunca perdem a actualidade. Como te percebo meu amigo O´Neil.
Se cá viesses hoje, como ias rir deste País purista a prosear bonito, a versejar tão chique e tão pudico, enquanto a língua portuguesa se vai rindo, galhofeira , connosco.

A «Boa Nova»

Recentemente, e principalmente, desde que Passos Coelho ganhou a chefia do PSD que se houve falar e, cada vez mais, no chamado: «Estado Social Evolutivo».
Que querem as «larajinhas» anunciar com esta boa nova?
Menos Serviço Nacional de Saúde de qualidade?
Menos Justiça?
Menos Educação e mais e mais colégios particulares, propinas e ensino para ricos e para pobres?
Menos serviços públicos?
Mais e mais empresas a gerir o que é património de TODOS?
A este social evolutivo faço-lhe um manguito do tamanho da Torre de Belém.

Aldrabões e Submissos

Nas medidas que constam no célebre PEC, «Plano de Estrangulamento dos Cidadãos», previa-se, mas apenas se previa que as mais-valias bolsistas, um dia, não se dizia quando, também iriam ser taxadas a 20 por cento.
Dizia-se!!!
Depois do barulho que tal adiamento determinou, o «governo» quis dar uma de taberneiro.
Isso mesmo taberneiro.
Só que não daqueles, poucos, taberneiros honestos mas, de taberneiro que trabalha com mixórdias.
Vai daí, anunciou, que afinal, as mais-valias também deviam entrar no «esforço nacional» e entrariam JÁ na taxação dos tais 20 por cento.
Só que, havia e há «coisas» de «manso» na medida.
Pois claro. Ou pensavam que o governo ia taxar tudo e TODOS a 20 por cento.
Nada disso.
Ficou-se a saber que o governo deixou de fora os investidores não residentes e as sociedades gestoras de participações sociais (SGPS).
Ou seja, manter-se-á o actual regime de quase isenção para os grandes investidores.
Como sempre, serão os pequenos a pagar a crise e os grandes poupados.
Mas quem tinha dúvidas sobre as intenções de um governo submisso e manso perante os poderosos?
O governo manteve-se fiel aos interesses que representa, bem de ver!!!!
Uma raça a preserva o charolês.

Um país do oitavo mundo

Ficou-se a saber que o dono da Bragaparques ficou ILIBADO da acusação de CORRUPTOR pelo simples facto do vereador José Sá Fernandes, que foi vítima de tentativa de corrupção, não ter na altura qualquer relevância nem poder na decisão do caso Bragaparques em Lisboa.
Ao que chegou a Justiça neste Portugal!!!
Bem se sabia que os acordos entre PS e PSD, sobre «pactos» levariam, inevitavelmente, a situações destas.
Agora, a fazer jurisprudência na decisão da Relação, da qual não há recurso, diga-se, só o presidente da câmara, o director de qualquer instituto ou outro qualquer alto dignatário deste podre país «poderá», eventualmente, vir a ser acusado de qualquer coisa.
Percebe-se, agora, o tal pacto sobre a justiça entre PS e PSD.
Salvar a honra das virgens no bordel da prostituição.
Porca de justiça.
Ao que isto chegou.
Alguém acredita na justiça?
Só mesmo na justiça dos poderosos, dos senhores das pipas e das rameiras podres.

terça-feira, abril 20, 2010

Tão amigos que eles são

Quem diria, Alberto João Jardim e José Sócrates lado a lado na Avenida Sá Carneiro, no Funchal, a ver a banda passar em cortejo de flores entre sorrisos.
Um casamento de interesses.
Jardim quer os milhões.
Sócrates quer esvaziar o PSD.
Meteu jantar e tudo.
Os dois jantaram numa quinta da coutada do Jardim.
Só que até agora só houve promessas.
Dinheiro nem vê-lo.
O pior vai ser quando for a pagar a factura.
Só que a santa aliança trocada e firmada entre Jardim e Sócrates já começou, como era de esperar, a gerar conflitos no PS da Madeira.
Bem de ver.
Já diz o PS, da Madeira, que antes de 20 de Fevereiro já "lambiam o chão" porque conduziram as finanças públicas da região à bancarrota; agora querem rapidamente aproveitar a tragédia para arranjarem o dinheiro que lhes permita continuar com a política habitual".
Uma coisa é certa.
Os elogios de Sócrates ao Governo de Jardim não caíram bem nas hostes socialistas madeirenses, que já pensam nas eleições regionais de 2011.
Ora bem!!!
Será que os dois, Jardim e Sócrates, vão casar pelo civil ou pela Igreja.
É que o código eclesiástico pode determinar, ou não, a separação de bens adquiridos.
Aqui reside a questão duvidosa.
Quem está a ser mais hipócrita, Jardim ou Sócrates?

segunda-feira, abril 19, 2010

Acreditar? Talvez.

O Governador Civil da Guarda assegura que a fábrica Delphi, que despediu mais 286 trabalhadores, irá manter-se na cidade e continuar a laborar, embora com um número de operários mais reduzido.
Segundo Santinho Pacheco, a administração da multinacional, com quem reuniu há pouco tempo, juntamente com o presidente da Câmara da Guarda, disse «claramente que os restantes 300 ou 300 e tal trabalhadores eram para continuar».
Este Governador é muito optimista.
Só lhe fica bem, claro. Defende-se!!
Estranho, muito estranho que desde o princípio do anúncio dos despedimentos, nenhum mas é que nenhum governante, seja ele local ou nacional tenha dialogado com os trabalhadores.
Que escondem tais reuniões?
Que escondem tais decisores?
Digam-no, claramente.
É que ir à fábrica, apenas em tempo de eleições é muito pouco.

quinta-feira, abril 15, 2010

Há quantos anos?

Sabe o leitor, há quantos anos esta placa está colocada na estrada do rio Diz?

A placa foi, como é habitual, ali colocada na época das propagandas eleitorais.
Prometia-se tudo.
Só que........a requalificação está mesmo demorada.
Ainda nem sequer começou, logo vai demorar.
Ter-se-ão esquecido de retirar a placa ou de iniciar a requalificação?
Talvez as duas.
O mais cómico da prosa do cartaz é o pedido de desculpas.
Mas pedem desculpas porquê?
Se as obras ainda não começaram.
Pedem desculpas pelo cartaz?
Talvez.
As cores já estão debutadas pelo sol, chuva etc. .
Pois talvez!!!
Mas pedem desculpas pelo incómodo causado?
Pois, talvez queiram dizer que o incómodo é o executivo camarário.
Esse é que manifestamente causa incómodo.
Incómodo pela incompetência.
Acreditem, pois nestas coisas não brincamos; o incómodo causado é irreparável e devastador.
Acreditem!!!

O beato

O Estado é, por imposição da constituição, laico.
Ora a Constituição ainda é, até ver, a lei que regulamenta a acção de TODOS os poderes, legislativos e executivos.
Então, pergunta-se: porque razão o beato Sócrates vem agora dar a indulgência papal de tolerância de ponto no dias 12 de Maio, pela manhã, para Lisboa, dia 14 de manhã para o Porto e dia 13 de Maio para todos os funcionários públicos do País.
Quando o patranheiro anda a dizer à boca cheia que o País tem necessidade de produzir, vem agora com esta da tolerância de ponto.
Alguém entende??
NINGUÉM.
Resta saber se, por exemplo, um outro qualquer líder espiritual decidir visitar Portugal o patranheiro terá a mesma decisão.
Duvida-se.
Já por cá passou o Dalai Lama e NADA aconteceu. Até houve uns quantos que se escusaram receber o líder por conveniências políticas.
Este beato Sócrates converteu-se à máxima católica apostólica romana de que «é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus»!!!
A submissão de um governo, qualquer que ele seja, a um poder espiritual só revela a fraqueza perante os poderosos, então numa altura em que esse mesmo Estado anda tão enredado em escândalos de pedofilia.
Por cá, o  outro Estado, não está melhor, os escandâlos também se sucedem.
Precisam de conforto....espiritual os dois.
Confortem-se!!
E, já agora, com o Avé.
Detesto HIPÓCRITAS!!

A igreja e o Estado em acordos negociais

A Estradas de Portugal - EP, SA pagou ao Patriarcado de Lisboa uma indemnização de mais de um milhão de euros (€1 116 600) pela expropriação de uma faixa de terreno na Buraca, com mil e duzentos metros quadrados. Ou seja, por um terreno que tem tamanho igual ao de uma piscina olímpica.
Um valor que excede em muito o preço do metro quadrado na Avenida da Liberdade (3 mil euros) ou mesmo nos parisienses Champs Elysées (sete mil euros).
Nada se compara com o valor atingido pela propriedade do Instituto de Formação e Apostolado, a Quinta do Bom Pastor da Buraca, que estava no caminho traçado da IC17-CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa), para o sublanço Buraca/Pontinha.
A Estradas de Portugal estava a expropriar terrenos para o lançamento da obra e a declaração de utilidade pública do terreno (a parcela 1.01), com carácter de urgência, já tinha sido publicada em Diário da República no ano anterior à assinatura do acordo entre as duas entidades, em Outubro de 2007.
Porém, a EP preferiu negociar directamente e fazer o acordo com a Igreja Católica sem recorrer ao processo de expropriação previsto na lei.
Acontece que esse acordo acabou por sair muito caro à empresa - sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos.
O direito canónico vale mais do que o direito português. Pelo menos para a Estradas de Portugal.
É o que diz o acordo relativo ao terreno a expropriar, que foi celebrado a 30 de Maio de 2008, entre a EP e o Instituto de Formação e Apostolado, que gere a Quinta do Bom Pastor da Buraca e é uma entidade colectiva religiosa, integrada no Patriarcado de Lisboa.
Na verdade, o considerando K desse acordo diz o seguinte: "As partes expressamente reconhecem que o presente acordo é celebrado em função da natureza religiosa do expropriado e tomando em consideração que o mesmo se rege pelo Direito Canónico, o qual é susceptível de condicionar o regime geral das expropriações previsto no Código da Expropriações, aprovado pela Lei n.º 168/99 de 18 de Setembro."
Afirmação que as partes do contrato aceitaram como boa mas que o ordenamento jurídico português não sufraga nem admite em parte alguma.
VIGARICE!!!
Mas, as vigarices continuam a avaliação feita pela própria igreja, nos termos do acordo assinado, ambas as partes acordaram reduzir a área da parcela expropriada de 1494 metros quadrados (área que havia sido declarada de utilidade pública urgente) para 1244.
Por essa área, o Patriarcado recebeu uma indemnização de €186 600 (cento e oitenta e seis mil e seiscentos euros).
A essa parcela acresceu uma "indemnização pela desvalorização de 14% da propriedade do expropriado" no montante de €840 mil.
Ou seja, a EP pagou mais de 800 mil euros pela desvalorização do terreno da Igreja, ao qual só foram deduzidos 14 por cento da sua extensão.
Além disso, a EP pagou ainda uma indemnização de €80 mil para transformar um antigo caminho pedonal no acesso de veículos pesados à Casa do Bom Pastor.
Mas há mais: a EP comprometeu-se ainda a pagar mensalmente € 10 mil como "indemnização pela não utilização da Casa do Bom Pastor da Buraca durante o período de execução da obra (correspondente aos custos de manutenção da Casa, os quais se manterão durante aquele período)".
Ora, acontece que todos estes valores foram obtidos com base numa avaliação que terá sido feita pela própria Igreja, não se sabe por que técnicos, nem com que critérios ou objectivos.
E, nem sequer, quando terá sido feita.
Essa "avaliação", é citada no considerando C do acordo com a EP que atribui à propriedade o valor de €6 000 000 (6 milhões de euros).
Assim se compreendem os valores pagos pela EP.
Nem o Patriarcado de Lisboa, através do seu representante negocial, Padre Edgar Clara, nem o presidente, Almerindo Marques, da EP nem o administrador que assinou o acordo, Rui Nelson Dinis se disponibilizaram a dar explicações.
Recordar que este troço da CRIL, que tem menos de quatro quilómetros de extensão, implicou 1400 processos relativos a compensações por direitos de propriedade, dos quais 550 foram resultantes de processos de expropriação.
As expropriações e a complexidade da obra acabaram por ter impacto no custo final a pagar pela Estradas de Portugal.
Assim, a conclusão do projecto, que tinha sido concebido para reforçar a rede viária da grande Lisboa para a Expo-98, só deverá ficar concluído este Verão.
Ou seja, os negócios entre a Igreja e o Estado são tudo menos caridosos.
Os bufarinheiros do templo, como sempre.

Dinossauro excelentíssimo

Homenagem a uns quantos dinossauros que se mostram de unhas afiadas.
«O Imperador logo de manhãzinha arrastava a figura de dinossauro e dava os bons dias a si mesmo diante dos espelhos.
Perguntava:
- Espelho, fiel espelho onde é que neste Reino houve alguém que desafiasse o tempo como eu?
- Jamais, senhor jamais. A vida regrada, o saber e a palavra tornam o homem imortal, respondiam os espelhos.»
Dinossauro Excelentíssimo, José Cardoso Pires.

Mais e mais

A semana passada foram mais de 20 trabalhadores que, na cidade da Guarda, foram despedidos.
Dia 19, deste mês de Abril, mais 258 trabalhadores da Delphi vão juntar-se a todos os outros que em Dezembro do ano passado, passaram à situação de desempregados.
É assim, que cada vez mais este interior vai definhando.
Que fazem os maorgados, donos absolutos desta terra?
NADA.
Os putativos deputados não se conhece o paradeiro.
Sabemos que existem porque, ainda vão «botando» conversa fiada nos jornais.
De resto, preocuparem-se com as gentes do interior que os elegeu nem pensar.
Dá muito trabalho!!
Os morgados de cá não se comprometem.
Querem viver na santa paz do descanso, coçando a barriga e esvoaçando, sempre que possível, algum papagaio de papel em forma de discurso oficial.
Aos que a rede do desemprego os apanha, só resta partir.
Partir para paragens incertas.
O adeus de quem não quer mais voltar.
Assim, a sorte que por cá não tiveram os acompanhe.
Nós por cá todos bem...MAL.
Ei-los que partem
novos e velhos

buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos.

quarta-feira, abril 14, 2010

O centrão no seu PIOR


A proposta do Bloco de Esquerda de criar uma comissão de inquérito às contrapartidas na defesa está adiada para a próxima conferência de líderes. O Bloco quis agendar o debate da proposta, mas os dois maiores partidos adiaram a decisão.
Socialistas e sociais-democratas querem esperar pelos resultados das audições, em curso na comissão parlamentar de Defesa Nacional, sobre este tema.
Esta santa alinça do centrão diz tudo.
Cala-se um para o outro não falar!!!
Percebido.
Continuem assim que vão longe, no elécrico da glória!!!

A corrupção que por aí vai

Um chefe de divisão da Câmara do Porto, um engenheiro, vai responder em tribunal por ter solicitado a uma empresa 390 mil euros, em troca de um suposto favorecimento num concurso público de sistema de gestão de semáforos.
Ao que consta terá recebido 20 mil euros em notas.
José Sérgio Moreira Brandão, engenheiro, de 31 anos, era desde 2007 chefe da Divisão Municipal de Intervenção na Via Pública, da autarquia liderada por Rui Rio.
De acordo com a investigação, foi no âmbito dessas funções que, entre Março e Abril do ano passado, começou a solicitar à "Eyssa-Tesis Tecnologia de Sistemas Electrónicos S.A." como urgentes e prioritários uma série de serviços que até então não o eram. A firma trabalhava para a autarquia desde 1994.
No âmbito desses contactos com o responsável da delegação Norte da empresa, Sérgio Brandão terá dito que precisava de 250 mil euros para resolver um grave problema. Entretanto, em Julho do ano passado, na sequência do termo do contrato, a Câmara do Porto abriu um concurso público internacional, no valor de 3,690 milhões de euros, a executar em 36 meses. Inicialmente, o engenheiro, que elaborou o caderno de encargos, era o presidente do júri, mas a tarefa passou para outra pessoa.
Em conversas e encontros posteriores com os responsáveis da empresa, o tema foi o mesmo. Brandão terá, até, dito que uma empresa supostamente concorrente, lhe teria oferecido 10% do valor do contrato. A partir desse momento, passou a pedir 390 mil euros.
Mesmo após a "Eyssa-Tesis" ter-se concorrido sozinha e ganho o concurso, o responsável da Câmara continuou a pedir contrapartidas, dando, inclusive, a garantia de alterar o prazo de realização do contrato de três para dois anos e integrar no negócio a requalificação e manutenção dos túneis das Antas, de Faria Guimarães e de Ceuta.
Para dar uma aparência legal aos pagamentos, o suspeito chegou a propor e enviar, por correio electrónico, facturas de falsos serviços de consultadoria de uma empresa da sua mulher. Os documentos contabilísticos aludiam a serviços e orçamentos fictícios.
Foi então montada uma armadilha. Já orientados pela PJ, os responsáveis da empresa aceitaram entregar 20 mil euros em notas a Sérgio Brandão. E, para reforçar ainda mais os indícios de corrupção, foram até efectuadas gravações de conversas presenciais, em que se detecta a alusão à empresa que teria oferecido 10% do valor do contrato.
A 30 de Outubro do ano passado, o indivíduo foi detido em flagrante a receber os 20 mil euros e levado a interrogatório perante juiz. Ficou suspenso de funções e sujeito a apresentações semanais obrigatórias.
Agora, Sérgio Brandão foi formalmente acusado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal do Ministério Público do Porto por crime de corrupção passiva para acto ilícito, ilícito punível com prisão até oito anos.
Afinal a corrupção é mesmo maior do que se imaginava.
Então nas câmaras é de uma tal monta, desde fiscais, directores de serviços e outros que tais que não há legislação que chegue.
Aliás, quanta mais legislação existe maior é o grau de corrupção.
Pois é!!!

Acusados já estão, só que....

Luís Figo não foi acusado de corrupção activa, no processo do Taguspark, porque não teria consciência de que o capital deste parque tecnológico era maioritariamente público(??).
O despacho de acusação, já proferido, visou três administradores, por corrupção passiva.
Já Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati foram acusados de corrupção passiva para acto ilícito por  terem pago para utilizar a imagem de Figo.
Figo era suspeito de corrupção activa porque oferecera aos administradores do Taguspark uma vantagem não patrimonial - a sua aparição ao lado do candidato a primeiro-ministro, José Sócrates, na campanha eleitoral das últimas legislativa. Recorde-se que os corruptores passivos são assim considerados quando recebem vantagens patrimoniais ou não patrimoniais para si ou para terceiros. E, no caso em apreço, Américo Thomati, João Carlos Silva e Rui Pedro Soares receberam a referida vantagem não patrimonial a favor do PS.

Este processo acaba por ser algo atípico porque Luís Figo, além de ter oferecido a sua própria imagem ao PS (a tal vantagem oferecida por si e que poderia configurar um crime de corrupção activa), ainda retirou benefícios de um contrato publicitário do Taguspark, em que promoveria esta empresa a troco de 750 mil euros.
De resto, o despacho de acusação, assinado por Teresa Almeida, a coordenadora da secção do DIAP de Lisboa onde são investigados os processos de criminalidade económica e financeira mais complexos, deixou claro que o contrato publicitário firmado entre Luís Figo e o Taguspark foi de "faz de conta".

Assim vai a justiça!!!
Acusados já estão, agora falta muita coisa. Tanta coisa que um dia prescreve, ou vai haver uma vírgula a ilibar tudo!!!
E este, que capitalismo se designa? Será primo?

Zangam-se as comadres......


As escutas a Sócrates abrem guerra.
A defesa de Paulo Penedos aguarda notificação para se pronunciar e admite ir até ao Tribunal Constitucional para evitar que as conversas entre Armando Vara e Sócrates sejam destruídas.
A defesa lá sabe e ... todos nós também.
Cuidado, ou se apressam ou.....o facto já foi consumado!!!

As luvas




Ministério Público diz que o consórcio alemão terá pago aos representantes do Estado “vantagens patrimoniais relevantes que aqueles aceitaram”.
O frio é muito.
As luvas dão muito jeito.
Só que às vezes criam frieiras, que doem mais que o frio.

Já era de esperar

O primeiro-ministro José Sócrates vai responder por escrito à comissão de inquérito que está a investigar a proposta de compra da TVI pela Portugal Telecom.
A decisão tomada por José Sócrates foi transmitida à referida comissão.
No âmbito da comissão, Mota Amaral explicou que 'o primeiro-ministro enviou uma carta à comissão dizendo que se vai prevalecer da faculdade prevista na lei da resposta por escrito'.
De acordo com Mota Amaral, será enviado um questionário a José Sócrates, elaborado pelos vários grupos parlamentares até ao dia 23 de Abril. Apesar de considerar que o testemunho presidencial de José Sócrates seria 'mais rico, mais vivo e mais esclarecedor'.
O que se estranha é que um fanfarrão, que dizem, quando fala «intimida» e, não tenha a CORAGEM de ir à comissão responder de viva voz.
É que isto de responder a inquéritos já Sócrates sabe bem com fazê-lo, ver caso das provas de exame (?) respondidas na licenciatura.
Tanta fanfarronice para quê?
Detesto tigres de papel que se escondem nas tocas quando se sentem ameaçados.

terça-feira, abril 13, 2010

Um dia acontece

Todos sabemos que somos um País afortunado.
Face a tantas situações do acaso, felizmente, não há muitos acidentes a registar.
Mas, quando os há, alguém se lembra do improviso, da sorte madrasta, do azar.
Pois é, assim acontece porque nada foi previsto.
Por exemplo, em termos de instalações escolares, do 1.º ciclo temos os piores edifícios. São, na grande maioria, edifícios do início do século XX.
Do tempo de Salazar - ditas de centenário.
Nada, ou muito pouco foi mudado.
As velhas e depauperadas instalações, lá estão.
O interior, talvez pelo facto de se acreditar que as escolas irão desaparecer, por morte natural, nada se alterou.
Hoje falam em centros educativos. Ou seja em armazéns onde todas as crianças, das mais variadas e longíquas freguesias se juntam.
Juntam-se para se quebrarem as raízes com a família, os lugares  o tempo o modo.
Mas, as que ainda, teimosamente, existem em nada mudaram.
E, o que se arranjou, em muitos casos, foi feito de improviso, sem pareceres técnicos com uns quantos «engenhocas» a debitarem palavreado e obras de remendo.
São assim a maioria dos edifícios escolares.
Logradouro péssimo cheio de pedras, esburacado sem qualquer intervenção dos serviços camarários onde, as crianças brincam com pedras, joga-se à bola com a improvisação de uma baliza cujos limites são pedras.
Parque infantil não existe.
As casa de banhos são de péssima qualidade, deterioradas, nauseabundas próprias de um país da África. As fossas não existem em muitos casos e, nos que fingem existir não funcionam ou conspurcam terrenos à volta.
As canalizações deitam, quando deitam, água imprópria para consumo.
Rede pública de péssima qualidade.
As salas de aula com soalhos que rangem, que têm a cor das tábuas gastas, podres e esburacadas.
As paredes sujas sem qualquer limpeza.
Pintura já não se conhece a cor.  O fumo das «salamandras» tornou-as acastanhadas e, os tortulhos abundam.
O teto ameaça cair. Há muito que a cal vai salpicando as crianças. Numa das paredes um quadro. Umas vezes ainda preto, noutras já verde. O giz e a esponja lá estão a perpetuar o atraso civilizacional. As mesas esboroadas, riscadas e minúsculas. Formam um U de unidos no desejo de aprender mas untadas pelo cheiro da lenha.
Sentam-se em minúsculas cadeiras, partidas, sem cor, para português pequeno.
E, lá no alto um crucifixo. Acima de todos.
Assim se aprende neste País. Mesmo com mapas velhos rasgados e que dificilmente representam o que quer que seja, muito menos países. Nalgumas salas, o saudosismo, ainda lá está, através do Império colonial.
A Pátria, Deus e a autoridade.
Hoje a autoridade é o presidente da junta. Nalguns casos ainda a figura do antigo regime. Poderoso, altivo, senhorial e morgado.
Esquece-se do vidro partido por onde um pardalito se refugia, no inverno, do frio que faz lá fora.
Cá dentro não está melhor, mas sempre ajuda a quebrar o gelo.
«O rebentamento de uma salamandra de aquecimento na escola do 1.º ciclo de Carvalheira, localidade da freguesia de Santana de Azinha, Guarda, causou hoje sete feridos ligeiros - seis crianças e uma professora».
A notícia passou.
«Tivemos sorte», dizia um dos habitantes.
«A salamandra foi substituída por outra que veio de outra escola», dizia outra habitante.
Pois, sorte é o que todos temos num país do acaso.
Só isso.
O resto pouco importa!!!
Que valem os «magalhães» quando  tudo falta?
Principalmente, saber-se que nas escolas há crianças e funcionários.

As comemorações


Depois de umas pífias das comemorações do centenário da República, a comissão presidida pelo Governador Civil, deliberou trazer à Guarda um professor espanhol para falar sobre «a transição do Franquismo (com letra grande, entenda-se) para a Democracia.
Pergunta-se: que tem a ver tal conferência com o Centenário da República?
Sinceramente NADA!!!
Mas a comissão organizadora como tinha que «internacionalizar» o evento, vai de convidar um professor espanhol.
Depois do Soares um espanhol.
Os caramelos são os mesmos.
Só a pastilha não será tão elástica.
Viva a República!!! Mataram o rei!!!
Terá sido?

O fosso entre ricos e pobres

O vencimento médio anual dos presidentes executivos das empresas cotadas no índice bolsista PSI-20 é , em média, de 26 anos de salários médios da respectiva empresa e de 150 anos de salário mínimo nacional.
O Jornal de Negócios  fez uma comparação entre os vencimentos dos administradores das empresas do PSI 20 e os salários médios dos trabalhadores da respectiva empresa.
A maior diferença, entre o vencimento anual de um presidente executivo e o salário médio dos trabalhadores da respectiva empresa, verifica-se na PT, onde Zeinal Bava, seu presidente executivo, ganha 98 anos de salários médios da empresa.
Um administrador da Jerónimo Martins (JM) ganha, por ano, 60 anos de salários médios da empresa.
Comparando com o salário mínimo nacional, um administrador da JM ganha 100 anos de salário mínimo nacional.
Mas, há mais, a relação entre os vencimentos médios dos administradores e os salários médios dos trabalhadores é a seguinte:
Jerónimo Martins - 60,9 vezes
PT - 51,8
Sonae - 42,5
Zon - 28
Mota-Engil - 27,6
EDP - 27,1
Semapa - 20,9
Brisa - 18,8
Portucel - 16,7
Galp Energia - 16,1
Banco Espírito Santo - 14,5
BPI - 13
BCP - 11,2
Sonaecom - 8,1
REN - 6,7
Sonae Indústria - 6,4
Portugal caminha a «passos» largos para o maior fosso da história entre ricos e pobres.

Mais uma de....peditórios!!!

O Estado arrecadou quase 200 mil euros em impostos com as chamadas de valor acrescentado criadas para ajudar a Madeira depois do temporal de Fevereiro, que matou 43 pessoas, desalojou 600 e provocou avultados danos materiais.
De acordo com as contas feitas pela Lusa e que se referem apenas às chamadas de valor acrescentado promovidas pela TMN, PT e pela Sonaecom, que se «associaram» à campanha lançada pelas empresas do grupo Media Capital, foram arrecadados em impostos pelo Estado 198 120 euros, resultantes dos telefonemas e mensagens sms de solidariedade.
Nestas três campanhas de solidariedade foram recolhidos quase um milhão de euros (991 170 euros) de apoios.
Questionado pela Lusa sobre se havia alguma excepção para a cobrança de impostos nas chamadas de valor acrescentado relativas a campanhas de solidariedade, o Ministério das Finanças respondeu: "nada existir na lei que permita aplicar uma taxa reduzida".
A Lusa tentou igualmente saber se o Governo admitiria criar uma excepção para estes casos, mas não obteve resposta em tempo útil.
Assim, aos quase um milhão globalmente recolhidos nestas campanhas de solidariedade com chamadas de valor acrescentado, juntaram-se cerca de 200 mil (198 120 euros) que quem apoiou pagou de imposto (IVA) e que foram directos para os cofres do Ministério das Finanças.
É assim que se promove a solidariedade?
O senhor Santos não dorme em serviço.
Aproveita tudo para depois «dar» aos bancos.
Os únicos beneficiados com o capitalismo, o tal de casino.
Segundo um estudo da Universidade Católica Portuguesa, 59 por cento das receitas das instituições sociais católicas, em 2007, teve origem no Estado.
Religiosos ou não, católicos ou não, por cada 100 euros recebidos por estas instituições ligadas à Igreja católica, os portugueses contribuem com 59 euros.
Para a sua obra social, mas também para a agenda política que lhe subjaz, que não pode ser subestimada. Como contribuinte, para além dos aspectos do controlo menos apertado da sua aplicação e dos critérios de aplicação em despesa segundo critérios particulares e não públicos, incomoda-me a ideia de ver os meus impostos transformados em dízimo, a financiarem um poder, que pode variar entre a simples persuasão até à coacção mais extrema, exercido sobre uma população de agradecidos por uma caridade que também não cabe no meu ideal de sociedade.
Ainda andam por aí uns que querem e exigem mais e mais dinheiro do Estado para estas instituições.
Mas, afinal onde anda a caridade desta gente?
Os que recorrem a tais instituições julgam que são as ditas ordens que os ajudam.
Haja vergonha.
Porque não se publicita à porta de cada uma dessas instituições quanto cada uma recebe do Estado.
Tenham coragem.
Façam-no e não se armem em caridosos com o que não lhes pertence.
Nestas instituições ditas de caridade como nas outras paroquiais, catequistas e nas abadessas.

segunda-feira, abril 12, 2010

Hoje lembrei-me

«Um Portugal velho e rotineiro de senhores e servos, está bem vivo e presente.
De mão vazia, ninguém pedisse justiça, pão, educação e saúde.
Parasitas do povo, o administrador, o corrupto, o banqueiro e o autarca, em nome do saber, da competência, da lei e da bem-aventurada vontade dos que mandam e exigem todas as formas de preito, a começar pela mais concreta: o óbolo dos usos e frutos sejam da terra ou do trabalho.
Crédulo e submisso como há mil anos, o camponês gemia mas esvaziava a salgadeira, a talha e o curral.
Cair no desagrado de tais divindades, seria a perdição total, neste mundo ou no outro.
O Diário do Governo e o Boletim Diocesano não nomeariam funcionários públicos e pastores de ovelhas.
Proclamavam omnipotências.
E, ai daquele que se recusasse a reconhecer-lhes a soberania!
Do pé para a mão acordava com um círculo de maldição à volta.»
Adaptações de «A criação do mundo - 3.º dia, de Miguel Torga.»

Capitalismo de quê?

A União de Sindicatos de Braga denunciou nove casos de trabalho infantil, detectados nos últimos seis meses.
Os dados seguiram para as comissões de protecção de menores e à Autoridade para as Condições de Trabalho.
De acordo com a União de Sindicatos, os menores têm entre 12 e 14 anos e foram encontrados a trabalhar em pequenas indústrias de confecção do distrito de Braga.
Os dados contrariam declarações recentes da Autoridade para as Condições de Trabalho, que afirmou não conhecer nenhum caso de trabalho infantil em Braga.
Como sempre, oculta-se uma TRISTE realidade.
Mais vale esquecer que actuar, como sempre.
E este capitalismo será de casino?
Como se o capitalismo escolhesse as vítimas!!
Todos os meios servem, ao capitalismo, para atingir os objectivos.
Haja VERGONHA quando se dizem certas coisas, ou então calem-se.
Fartos de malandros e parasitas sociais.

Pagamentos acertados



Já contribuiu para salvar a Grécia?
Segundo os dados acertados pelos ministros das finanças da UE, cada português vai ter de desembolsar 73 (setenta e três) euros para «ajudar» a Grécia.
Mais um peditório a favor da mulher do soldado desconhecido.
Eles manda e nós pagamos!!!

O Polvo chega ao metro

A Inspecção-Geral das Obras Públicas detectou irregularidades em concursos realizados pelo Metropolitano de Lisboa em 2002, em que as empresas de Manuel Godinho, o empresário da sucata, saíram vencedoras.

O negócio de cerca de 371 mil euros que acabou por ser adjudicado à O2 e à SEF - Sociedade de Empreitadas Ferroviárias, duas sociedades do sucateiro de Ovar, já durante a administração liderada por Manuel Frasquilho. Valor que, curiosamente, o empresário só terá pago quase cinco anos mais tarde. Isto apesar de ter ganho o negócio à conta de "não terem sido respeitadas algumas das regras concursais".
O polvo das negociatas com o sucateiro chegou a todo o País.
Quanto é que os contribuintes não entregaram ao sucateiro e à sucata?
Quando se virá a saber o montante das negociatas, conhecer os beneficiados e se vão ou não ser julgados?
Muita coisa para se saber!!!

domingo, abril 11, 2010

Amuado

Morais Sarmento, o tal do mergulho em São Tomé  à custa dos contribuintes portugueses.
Lembram-se?
Esse mesmo Sarmento ficou amuado.
Fez birra.
Esperneou.
Disse que falava mas, depois, voltou a amuar e....só falou para os jornalistas.
Cagou-se para o Congresso do Passos Coelho.
Dizem que as birrinhas do Sarmento têm a ver com o facto de não ter sido convidado para nenhuma comissão.
Ou seja, deu-lhe uma de comichões!!!
Esta é a unidade de um partido.
Bem de ver.
Começam cedo!!!

A ZOADA


«Se o Congresso do Passos Coelho podia fazer-se sem a Ferreira Leite?
Poder podia mas não era, certamente, a mesma coisa!»

XXXIII



Este Congresso do Passos Coelho já é o XXXIII do PSD/PPD!!!
Ou seja desde o 25 de Abril de 1974, data da fundação do partido até hoje, os laranjinhas já fizeram 33 congressos.
É obra!!!
Tudo isto dá quase, em média, um congresso por ano.
Não será record para o Guiness?

Um Frasquilho ou Frasquinho?

Aí está para quem ainda acreditava em fórmulas mágicas: a política económico-financeira de Passos Coelho e dos seus acólitos está já definida.
REDUÇÂO DOS SALÁRIOS E CORTES SUBSTANCIAIS NAS PENSÕES!!!
Disse-o, ontem, claramente um tal de Frasquilho que em tempos até foi candidato fantasma aqui no distrito da Guarda, sem nunca cá ter posto os pés, sem saber onde fica o distrito ou quais os problemas das gentes deste interior.
Frasquilho disse mais. Disse, por exemplo, que se olhasse para o exemplo da Irlanda, onde o 1.º primeiro-ministro reduziu em 20% o vencimento, os ministros 15% e a restante administração pública em 10% os vencimentos.
Mas, quando lhe foi perguntado quanto cada deputado, sim Frasquilho é deputado, deveria ver reduzido o seu vencimento, Frasquilho foi igual a si mesmo e aos seus pedantes demagogos.
«Bem, feitas as contas, hesitação do Frasquilho, a redução dos vencimentos dos deputados deveria ser de 3,7%.
Isso mesmo, 3,7%!!!
Os outros, lá fora, reduziram ate 20%. Este Frasquilho dá uma de redução de 3.7%!!!
Mas os vencimentos dos outros funcionários e pensionistas redução até ao último cêntimo.
Oh! Frasquilhe vai tocar tangos para a tua rua.
Aqui só dizes asneiras.
Já agora, saberá por acaso, mas só por acaso  o incompetente Frasquilho que a culpa de toda esta situação se deve à INCOMPETÊNCIA E ROUBALHEIRA de uns quantos em especial de uns correligionários do PSD, Oliveira e Costa, Dias Loureiro e outros que tais?
Tudo bons rapazes, não é Frasquilho?
Um Frasquilho ou Frasquinho? É só uma questão de um n por um l!!!

Discurso do garrafão

O garrafão e os pastéis de bacalhau também foram ao Congresso do Passos Coelho.
O homem do garrafão foi o presidente das Caldas.
Em vez de manguitos e outros objectos decorativos da terra, o regedor das Caldas trouxe um discurso populista, demagogo e próprio de um qualquer presidente de câmara deste País que, se julga em campanha eleitoral e a falar para os incautos votantes da paróquia.
O discurso parecia mesmo, um texto retirado da cartilha manual do autarca, da autoria do Leonel Nunes e, trazido à estampa no boletim paroquial das Caldas.
Qualquer semelhança entre este presidente da Câmara e um outro qualquer regedor do regime é mesmo coincidência bacoca.

A JOTA

Que as jotinhas são o trampolim para a carneirada política, já niguém duvidava.
Agora, ficou-se a saber que um trio de betinhos esgalhou o mastro, do poder, tendo a aprendizagem sido realizada com base na mesma jotinha.


Será que eles podiam viver sem a jotinha? Claro que não podiam.  

sábado, abril 10, 2010

PC

PC quer dizer Passos Coelho, só isso.
No congresso da consagração, é assim que agora lhe chamam, depois da vitória das directas anunciam-se.
Anunciam-se as listas dos confrades.
Anunciam-se os anunciantes.
Anunciam-se os presentes mas, principalmente, os ausentes.
Anunciam-se os carros, topo de gama como convém, que estão a interromper a circulação.
Anunciam-se aos mais acalorados que não há ar condicionado.
Anunciam-se os abraços, beijos e reconciliações, tudo a bem do poder.
Anunciam-se os preços dos nabos, cenouras e tomates.
Anunciam-se os valores na bolsa de cada figurante.
Anunciam-se que há uns que se vendem com honrarias, outros por amendoins.
Anunciam-se tomadas de posse, com fato e gravata, sem nódoa, que amanhã tem que se entregar na loja dos préstimos.
Hoje, lembrei-me deste texto do Carlos Drumond de Andrade.
Vá-se lá saber porquê?
« Chegou ao Palácio e disse que queria tomar posse.
- Posse de quê? perguntaram-lhe.
- De tudo. De qualquer coisa. Eu quero é tomar posse.
- Todos os lugares estão ocupados. O senhor chegou tarde.
- Atrasei-me por causa da greve dos alfaiates, pois eu não podia tomar posse com uma roupa qualquer. Agora estou convenientemente trajado e venho empossar-me.
- Já lhe dissemos que não há mais nenhum lugar vago. Não só foram todos preenchidos como há uma relação de 250 mil aspirantes a substituir alguns dos titulares que eventualmente se afastarem por motivo de reumatismo ou esclerose cerebral.
- Posso inscrever-me como 250 mil e um aspirante? Talvez sobrevenha um terramoto e eu, se der sorte, passarei ao primeiro lugar e finalmente me darão posse.
- Nunca. Todos os terramotos estão previstos, todas as inundações, etc.
Escapará muita gente e haverá no máximo vinte substituições em nossos quadros. Portanto, o senhor jamais será aproveitado. Venda o seu terno escuro e passe muito bem.
Voltou para casa e, à falta de outra coisa, tomou posse de si mesmo

Uma (re)inventada forma de exploração humana

Aqui deixo um EXCELENTE texto da Clara Ferreira Alves sobre a Europa.
Pela sua oportunidade e, principalmente, pela realidade cruel de um capitalismo, este nem é de casino, como lhe gosta de chamar o Mário Soares, como se  houvesse diferença entre capitalismos.
Há isto, só isto: EXPLORAÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA.

«O homens europeus descem sobre Marrocos com a missão de recrutar mulheres.
Nas cidades, vilas e aldeias é afixado o convite e as mulheres apresentam-se no local da selecção.
Inscrevem-se, são chamadas e inspeccionadas como cavalos ou gado nas feiras. Peso, altura, medidas, dentes e cabelo, e qualidades genéricas como força, balanço, resistência. São escolhidas a dedo, porque
são muitas concorrentes para poucas vagas. Mais ou menos cinco mil são apuradas em vinte e cinco mil.
A selecção é impiedosa e enquanto as escolhidas respiram de alívio, as recusadas choram e arrepelam-se
e queixam-se da vida. Uma foi recusada porque era muito alta e muito larga.
São todas jovens, com menos de 40 anos e com filhos pequenos. Se tiverem mais de 50 anos são demasiado velhas e se não tiverem filhos são demasiado perigosas.
As mulheres escolhidas são embarcadas e descem por sua vez sobre o Sul de Espanha, para a apanha de morangos. É uma actividade pesada, muitas horas de labuta para um salário diário de 35 euros. As mulheres têm casa(?) e comida(?), e trabalham de sol a sol.
É assim durante meses, seis meses no máximo, ao abrigo do que a Europa farta e saciada que vimos reunida em Lisboa chama Programa de Trabalhadores Convidados.
São convidadas apenas as mulheres novas com filhos pequenos, porque essas, por causa dos filhos, não fugirão nem tentarão ficar na Europa. As estufas de morangos de Huelva e Almería, em Espanha, escolheram-nas porque elas são prisioneiras e reféns da família que deixaram para trás. Na Espanha socialista, este programa de recrutamento tão imaginativo, que faz lembrar as pesagens e apreciações a olho dos atributos físicos dos escravos africanos no tempo da escravatura, olhos, cabelos, dentes, unhas, toca a trabalhar, quem dá mais, é considerado pioneiro e chamam-lhe programa de “emigração ética”.
Os nomes que os europeus arranjam para as suas patifarias e para sossegar as consciências são um modelo. Emigração ética, dizem eles.
Os homens são os empregadores. Dantes, os homens eram contratados para este trabalho. Eram tão poucos os que regressavam a África e tantos os que ficavam sem papéis na Europa que alguém se lembrou deste truque de recrutar mulheres para a apanha do morango. Com menos de 40 anos e filhos pequenos.
As que partem ficam tristes de deixar o marido e os filhos, as que ficam,  ficam tristes por terem sido recusadas. A culpa de não puderem ganhar o sustento pesa-lhes sobre a cabeça. Nas famílias alargadas dos marroquinos, a sogra e a mãe e as irmãs substituem a mãe mas, para os filhos, a separação constitui uma crueldade. E para as mães também. O recrutamento fez deslizar a responsabilidade de ganhar a vida e o pão dos ombros dos homens, desempregados perenes, para os das mulheres, impondo-lhes uma humilhação e uma privação.
Para os marroquinos, árabes ou berberes, a selecção e a separação são ofensivas, e engolem a raiva em silêncio.
Da Europa, e de Espanha, nem bom vento nem bom casamento. A separação faz com que muitas mulheres encontrem no regresso uma rival nos amores do marido.
Que esta história se passe no século XXI e que achemos isto normal, nós europeus, é que parece pouco saudável.
A Europa, ou os burocratas europeus que vimos nos Jerónimos tratados como animais de luxo, com os seus carrões de vidros fumados, os seus motoristas, as suas secretárias, os seus conselheiros e assessores, as suas legiões de servos, mais os banquetes e concertos, interlúdios e viagens, cartões de crédito e milhas de passageiros frequentes, perdeu, perderam, a vergonha e a ética. Quem trata assim as mulheres dos outros jamais trataria assim as suas.
Os construtores da Europa, com as canetas de prata que assinam tratados e declarações em cenários de ouro, com a prosápia de vencedores, chamam à nova escravatura das mulheres do Magreb “emigração ética”.
Damos às mulheres “uma oportunidade”, dizem eles.
E quem se preocupa com os filhos?
Gostariam os europeus de separar os filhos deles das mães durante seis meses?
Recrutariam os europeus mães dinamarquesas ou suecas, alemãs ou inglesas, portuguesas ou espanholas, para irem durante seis meses apanhar morango? Não.
O método de recrutamento seria considerado vil, uma infâmia social. Psicólogos e institutos, organizações e ministérios levantar-se-iam contra a prática desumana e vozes e comunicados levantariam a questão da separação das mães dos filhos numa fase crucial da infância. Blá, blá, blá.
O processo de selecção seria considerado indigno de uma democracia ocidental. O pior é que as democracias ocidentais tratam muito bem de si mesmas e muito mal dos outros, apesar de querem exportar o modelo e estarem muito preocupadas com os direitos humanos.
Como é possível fazermos isto às mulheres?
Como é possível instituir uma separação entre trabalhadoras válidas, olhos, dentes, unhas, cabelo, e inválidas?
Alguns dos filhos destas mulheres lembrar-se-ão.
Alguns dos filhos destas mulheres serão recrutados pelo Islão.
Esta Europa que presume de humana e humanista com o sr. Barroso à frente, às vezes mete nojo.»

As anotações a negrito são da nossa responsabilidade.
Que diz a este capitalismo o senhor Mário Soares?
Capitalismo de casa de alterne?
Esse já não o incomoda não é?
VERGONHOSA E PORCA DE ESCUMALHA.